sábado, 22 de março de 2014

São Marcos Evangelista

Marcos, o Evangelista e sua comunidade
Paulo da Costa

          Os escritos de  Marcos é o mais antigos entre todos os quatros Evangelhos, Servindo de fonte para os evangelhos de Mateus e Lucas, foi também considerado o mais próximo ao descrever Jesus historicamente. Escrito, aproximadamente entre os anos de 65 - 70 d.C., e provavelmente em Roma, pois se percebe expressões marcante de origem latina em seus escritos. Sobre o autor é identificado pelo nome de Marcos, onde existem relatos sobre sua presença principalmente no livro dos Atos dos Apóstolos, onde se fala de Marcos com o cognome de João Marcos (At 12, 12) e se fala que Ele também seria primo ou sobrinho de Barnabé (At 15, 37). O Evangelho segundo são Marcos, ficou muita das vezes deixada de lado comparando com os outros Evangelhos na sua importância, principalmente na liturgia da Igreja romana, em que no lecionário festivo, era apenas recorrido  quatro vezes. Considerado o parente pobre dos outros Evangelhos, se acreditava que o Evangelho escrito por Marcos seria apenas uma síntese do Evangelho segundo Mateus, e outra questão importante que foi levantada precipitadamente, era que os escritos de Marcos, se resumiria apenas numa síntese da vida do Apóstolo Pedro , sendo descrito como pessoa ideal e sem mácula, apesar de seus vacilos.

            Mas a partir do documento "Divino Afflante Spiritu", o Evangelho segundo Marcos  toma a sua devida importância. No ano de 1943, mas precisamente no mês de setembro,  foi publicada a nominada encíclica  sobre os estudos bíblicos. Onde se expõe as normas que  devem ser observada no uso da Sagrada Escritura. Então diante desse contexto, surgiu o questionamento sobre o devido escritos de Marcos: Por qual motivo este aparente esquecimento do Evangelho segundo Marcos? Sendo que posteriormente no Concílio Vaticano II, se reconheceria a grande importância de seus escritos , tanto por sua primazia que serviu de fonte aos outros Evangelistas como também sua originalidade rústica literária. Sobre o autor denominado Marcos, era de costume autores anônimos escolherem nomes referenciados,  para receberem os créditos necessários, pois era de estranhar que um judeu (discípulo de cristo) que segundo os tradicionalista, sendo ele Palestino, estaria  em certos momentos em contradição na geografia, como também nos costume e principalmente sobre o  calendário judaico, mostrando uma certa desinformação sobre suas próprias raízes. Mas segundo um estudo mais aprofundado tudo indica que era um convertido do judaísmo, que realmente seria  parente de Barnabé, e teve uma estreita relação com Pedro (tradição narrativa) como também posteriormente com Paulo(tradição querigmática). Escrevendo aos gentios, não via uma urgência necessaria em se aprofundar na cultura judaica, sendo essencialmente o anuncio de Cristo ao gentios, sua prioridade.
            A comunidade de Marcos  é bem provável que seja localizada em Roma, principalmente pela forte presença da escrita latina em seus textos, apesar de algumas colocações em aramaico também presente em seus escritos. Na comunidade em sua maioria é formada por étnico-cristãos como também por judeus-cristãos, por isso o motivo das explicações de certas colocações em aramaicas, como também explicações mesmo superficiais sobre os costumes judaicos. Se percebe no Evangelho segundo Marcos que ele não tinha o objetivo especifico de escrever somente a sua comunidade, mas ao contrario, com um forte fervor querigmático aspirava aos confins do mundo o anuncio de Jesus ressuscitado a todos os povos. observa-se claramente que a comunidade está aberta para missão através do anuncio mediado por uma evangelização intensiva, de casa em casa. No contexto histórico o período se faz apresentar numa época de grande perseguição, como ocorrida em Israel na  revolta judaica (66-70 d.C.)e não exclusivamente aos judeus como também aos cristão que para os romanos seriam semelhantes. Sobre o conteúdo se ver um pouco de aprofundamento se incidindo principalmente através da vida e missão de Jesus, onde se convida toda a comunidade a reinterpretar através de suas próprias vidas na luz da vida de Cristo.
Pax!

sábado, 8 de março de 2014

Deserto... (2ª Parte)

Caminhada ao Deserto Interior
Paulo da Costa

         Escritura nos revela que logo após que Cristo sente fome se inicia um diálogo com o tentador, ele surgiu sutilmente se aproveitando da situação para poder dar o bote nos momentos de fragilidade humana. Assim é a manifestação do mal no nosso dia a dia. Na primeira tentação ele se apresenta como o emergencial e efêmero em troca do essencial, propondo se vender por coisas insignificante como um simples saciar-se de algo por um momento e logo após se vê no vazio com sentimento de fracasso, O pão que simplesmente sacia fome jamais se compararia com o pão que vem do céu (Jo 6, 31-35). A segunda tentação se observa a questão de tentar a fidelidade de Deus, vê a relação com o divino como uma troca (comércio), isso é um grande risco e muito corriqueiro nas igrejas, onde se buscar a Deus por troca de favores, uns somente no momentos diríeis e em troca se faz uma promessa, tendo o êxito logo se afastar de Deus e vive novamente uma vida medíocre na total libertinagem, outros piores ainda se sente melhores do que seu semelhante por viverem toda a sua vida diariamente na Igreja ou no seu grupo e pastoral, se sentem na autonomia de jugar-se melhor dos que os outros como também de condena-los e no absurdo direito de cobrar de Deus êxitos particulares por causa de sua total dedicação ao reino de Deus. Como o próprio Cristo Falou não devemos tentar ao seu nosso Deus, tudo que façamos seja espontaneamente por amor sem querer nada em troca a não ser o bem comum na humildade de filhos e servos de Deus.

A terceira e última tentação o tentador propôs a Cristo, todos os reinos e riquezas desse mundo, se ele prostrar-se diante dele e o adorasse. Assim, hoje se observa como a humanidade continua idolatra, se vendendo por tão pouco suas almas que são tão preciosa para Deus, se tornando escravos (vícios e ideologias) e totalmente dependentes de coisas mais tolas e fúteis (drogas, jogos, sexualidade desregrada e etc.) que possam existir, sem falar dos absurdos dos idolatras de seu próprio semelhante que chegam ao ponto de divinizá-los, fazendo todo tipo de loucuras para se aproximar de seu deus de araque... Tudo isso jamais levará a uma verdadeira alegria a eterna felicidade, isso não passa de uma efêmera ilusão que após do fugas gozo vem as frustrações melancólicas de total vazio, sem deixar se quer um norte a seguir totalmente perdido na vida. Nada se consegue sem esforço a própria natureza nos ensina que se um rebento não reagir logo após seu nascimento morrerá de fome assim é o ser humano, se não buscar o sumo bem(Deus) continuará morto e morto viverá por toda eternidade. Cristo na sua autoridade expulsa o tentador, rompe o diálogo com o mal, nós devemos sempre evitar está próximo das oportunidades que nos leve a perdição, se tens consciência de suas limitações e inclinações não dê chance para que ocorra sua ruína, pois bastar um simples descuido por um momento, para desgraçar toda a sua vida. Busquemos as coisas do alto como Cristo Jesus, que logo após a tentação foi servido pelos Anjos, e que nós também sendo fiel as coisas do alto sejamos frutificados pelo Santo Espirito.

Na liturgia Católica esse texto sobre o deserto se relaciona ao período mais precisamente da quaresma, um tempo de penitência que leva a reflexão através do jejum, da oração e da caridade. A Igreja convida seus fiéis a experimentar o tempo da graça através da reconciliação com Deus e o irmão (próximo). O exercício da conversão não está somente relacionado a esse período, mas sim ao seu cotidiano por toda vida. Buscando sempre ser sal e luz para o mundo na humildade de servo de Deus, é necessário combater a cultura de morte que sempre é liderada pelo egoísmo, que leva a vaidade e a hipocrisia que mascara e deforma a nossa imagem que deveria ser sempre semelhante a Deus. Então não perca tempo vai ao deserto! Se esvazie de tudo que te perturbe e que te afasta do teu Senhor, busque se preencher ao ponto de transbordar das coisas do alto, de sua paz e sabedoria na essência do amor divino, enfim em comunhão plena com o Pai pelo filho através de seu Espirito.

         Pax

quarta-feira, 5 de março de 2014

Deserto...

Caminhada ao Deserto Interior
Paulo da Costa

"Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome." (Mt 4,1-2)
         Jesus ao ser batizado por João Batista seguindo as tradições proféticas foi levado pelo Espírito ao deserto, tinha plena consciência o que deveria enfrentar na sua missão se confirmando tudo o que aprendera em seus tempo de silêncio no povoado onde vivia na simplicidade de um judeu como qualquer outro numa vida de trabalho, família e oração. Cristo foi ao deserto longe de tudo e de todos na experiência mística do profundo silêncio num zelo impecável do jejum e de atividade intensa de oração. Logo após esses quarenta dias, sentiu fome e foi tentado pelo diabo em três situações distinta, primeiramente que transformasse pedras em pão pois já que estava com fome deveria sacia-la mas o responde que não só de Pão vive o homem, mas de toda palavras que provem da boca de Deus. Novamente o faz tentar a Deus o levando ao mais alto do Templo e pedindo para se jogar, pois os anjos os socorreriam como está nas escrituras, mas novamente o responde também partir das Sagradas Escrituras que não tentarás o senhor seu Deus. O diabo o levou para o monte muito alto e lhe apresentou todos os reinos do mundo oferecendo-lhe em troca se fores prostrado diante dele e adorado, mas Cristo o repreende e diz a partir das Escrituras que somente ao Senhor teu Deus o adorarás e somente a ele prestará culto.
         Cristo só foi inicialmente tentado quando sentiu fome, isso mostra claramente a sua humanidade se manifestando assim como a cada ser humano que senti fome, sede, frio e outras diversas necessidades, o diabo estava próximo esperando o momento oportuno para se manifestar. Jesus teve fome e foi tentado a comer o pão, Já Eva no paraíso mesmo não sentido fome, se viu atraída em comer a maçã ao ser convencida pela serpente e tudo começou pelo diálogo com o tentador. O diferencial é que Cristo é o próprio verbo de Deus e rebateu sua frívolas colocações a partir das Escrituras, mostrando que além da fugacidade do tempo (Fome = emergente) devemos se preparar para eternidade, buscando o pão que veio do céu (Jesus Cristo) e não se vender por nada efêmero, o que é tão precioso, se não própria é vida resgatada a preço de sangue no madeiro. Novamente o diabo o tenta ao pedi-lo para se jogar do alto do Templo agora baseado nas Escrituras, mas cai por terra sua tentação pois Cristo sendo o verbo encarnado no meio de nós não perderia seu tempo provando nada sobre si e muito menos tentando a Deus. O diabo era insistente e o tentara pela última vez, oferecendo-lhe toda suas riqueza se adorado fosse, mas Cristo tinha plena consciência de sua missão na terra e de sua autoridade ao expulsa-lo de sua presença, como também da comunhão eterna, sublime e amorosa com o Pai.
         A ida de Cristo ao deserto por um período de quarenta dias numa experiência mística de jejum e oração, e levado posteriormente a um confronto diante do tentador, quer nos mostrar que cada um de nós devemos ter também essa comunhão com o Cristo em unidade plena com o Pai por intermédio do Santo Espirito. Como é relatado no evangelho, Jesus foi levado ao deserto pelo Espirito (Mt 4, 1) e essa intimidade aflorada com o divino só é possível numa vida de oração, de apostolado pela fé e principalmente pela caridade que se culmina na eucaristia. E todos que chegam essa maturidade espiritual, se transfigura também a todas as suas dimensões humana, levando a uma superação de suas limitações e despertando para uma vida nova. Esse convite ao deserto é o exercício de interioridade que deve levar a um autoconhecimento diante das misérias e inclinações, como também das qualidades e potencialidades de cada ser humano que caminha ao grande encontro que é ao Sacrário humano (templo Senhor), na busca da conversa íntima e sincera com Cristo que se faz presente dentro de nós (1Cor 3, 16-17). O deserto quer nos mostrar as pelejas humanas diante das dificuldades que cada cristão deve encara no seu cotidiano, num mundo onde Cristo não foi acolhido, mas ao contrario foi perseguido até a morte, e morte de cruz. Nós como servos de Deus, nunca seremos melhores que o Senhor e consequentemente seremos perseguidos por toda vida, quando fiel a vontade do Pai.
Continua...
Pax

domingo, 2 de março de 2014

Reflexão Casual XVIII


“É melhor uma vida simples e incerta com alguns momentos felizes, que te levará a boas lembranças por toda vida, do que uma vida aparentemente cheia de certeza, proporcionada pelo orgulho ferido que te atormentará pela eternidade.”

Paulinopax