sábado, 15 de dezembro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 3ª Parte

O CATOLICISMO PATRIARCAL
ESTABELECIMENTO DE UMA “SOCIEDADE DE ORDENS” NO BRASIL

Paulo da Costa Paiva


Durante o século 16 por causa dos perigos causados pela resistência dos índios no interior e dos franceses, ingleses e holandeses no mar, a cultura colonial se limitava a uma estreita faixa litorânea. Sendo os engenhos e as fazendas a marca duradoura desse período, pois não é tanto nos centros urbanos que se deve procurar a grande concentração de vida no Brasil colonial, mas sim nos isolados e rudimentares estabelecimentos rurais. Isso se intensificou com o surgimento de fazenda motivado pelos bandeirantes que explorava o interior brasileiro e a principal característica são a importância da liderança local e o aproveitamento do trabalho escravo totalmente dependente dos senhores das fazendas e dos engenhos, sendo conhecida culturalmente como o período patriarcal. Tudo isso foi criação do governo metropolitano motivada pela questão das terras roubado dos índios pelo reino de Portugal, mas diante disso se via a necessidade de legitimar como terra brasileira como propriedade de justo e por direito da coroa. Baseados em teoria nem tanto portuguesa e sim espanhola, se imaginava que o mundo inteiro seria um grande feudo cujo senhor supremo seria Deus, que tinha como o seu representante na terra o Papa, então dessa forma se criou uma relação senhor - vassalo entre o Papa e o rei, dessa forma também o Rei e o donatário que receberam uma capitania e assim conseqüentemente até chegar ao senhor dos engenhos e fazenda. A religião novamente foi uma ferramenta fundamental diante da população, pois os novos senhores de terras foram sendo conhecidos como nobres numa política de nobilitação e paralelamente junto aos escravos à política era paternalista e tutelar. Conseqüentemente num jogo de interesses mútuo, a própria Coroa portuguesa buscou também notibilitar os bispos do Brasil colonial, sendo convergidos em honras e com os maiores salários da folha eclesiástica.


O CATÓLICISMO PATRIARCAL E SUAS CARACTERÍSTICAS

O catolicismo nesse período colonial tinha como função especifica de sacralizar e perpetuar o poder do estado, a própria instituição no Brasil se tornou uma “Religião Estado”, totalmente inserida e disponível ao interesses escravocratas dos senhores locais e tinha como objetivo impedir o nascimento de uma consciência de comunidade entre trabalhadores nos engenhos, nas fazendas e minerações, os mantendo, mas afastado possível, impedindo uma futura rebelião contra a colônia. A religião buscava orientar e plasmar a religiosidade povo escravo lhe tirando todo dinamismo transformador. O engenho assim como as fazendas se tornou sagrado, conseqüentemente seus senhores também se tornando pessoas iluminadas e sagrada com a benção de Deus para aquela função de apadrinhamento dos seus que se encontrava em suas fazendas e engenhos, já os escravos tinham de total submissão e fidelidade ao seu senhor.  Enquanto na América espanhola o poder era predominantemente centralizado na América portuguesa seguia o caminho totalmente oposto, onde o poder local (engenhos e fazendas) foi praticamente absoluto e incontestável. 
            Nos engenhos e fazendas não somente os escravos eram obedientes ao senhor local, mas os próprios sacerdotes que tinham a função da desobriga como também catequizar no conformismo como forma de expiação de seus pecados para um futuro de consolação junto a Deus, sendo fiel e obediente ao seu senhor e a Igreja. No Brasil só reconheceu um clero livre e independente através dos jesuítas, mas somente entre aqueles que se interessava ao trabalho missionário nos aldeamentos já o restante do clero era ligada aos engenhos e fazendas que se submetiam de bom agrado ao servil do sistema patriarcal. Apesar de tudo isso dentro dos engenhos e fazendas havia certa liberdade de suas tradições religiosa velada e absolvida no sincretismo religioso predominantemente cristão. Dessa forma o catolicismo patriarcal foi duradouro, transformando um catolicismo monacal, puritano e celibatário num avesso sendo sensual e até libertino, que suportava poligamia e promovia namoros nas portas das Igrejas (Festejos de santos casamenteiros), que refletia a realidade de uma cultura rural, patriarcal e escravocrata.

A DUPLA MORAL DO CATÓLICISMO PATRIARCAL

                        A ambigüidade moral é explicitamente identificável no cotidiano patriarcal e católico na colônia brasileiro do reino Portugal, pois prega uma moral para os proprietários e outra mora para os escravos. E essa moral vivenciada pelos senhores se baseia numa sacralização do assistencialismo junto aos pobres já a outra moral relacionada ao escravo e pobre se torna possível sua santificação pelo conformismo de sua realidade como designo de Deus. A colonização portuguesa na terra de Santa Cruz foi vivida numa contextualização medieval e seus dirigentes como verdadeiros nobres onde o assistencialismo e o paternalismo são predominantes e considerados virtude. Mas não bastava se limitar somente em dar esmola, era fundamental se ouvir o clamor do pobre, e não se refugiar num ato que primeiramente poderia ser bom e nobre, mas se concretiza como uma fuga, pois os considerados herdeiros vindos do reino de Portugal eram na realidade, os invasores que se comportavam se comportavam diante dos nativos (índios) como os legítimos donos da terra. Os proprietários têm consciência que estão errados, mas conseguem reprimir isso dentro de si, e a esmola se torna uma maneira (ou fuga/desculpa) para se criar uma consciência tranqüila velada deturpadamente nas exigências do evangelho.  Os que defendiam ou pelo menos se importavam com os pobres seria os jesuítas principalmente junto aos índios, já junto aos escravos africanos era tão desesperador de que única forma de se amenizar as dores dos negros escravos seria na comparação com as dores de Cristo em sua paixão ao levar a cruz, que se conforma com todas as dores e humilhação por amor ao Pai e a humanidade para remissão dos pecados e a salvação de todos. O negro assim como o Cristo Jesus na sua dolorosa obediência era convidado a amenizar suas dores, tudo suportando em sua vida tão dura e difícil, no martírio da vossa imitação (Cristo), numa esperança que não se faz presente aqui, mas nos Céus.

O CATOLICISMO MINEIRO

            O catolicismo mineiro foi predominante em toda América desde o início, tanto por espanhóis como por portugueses, só que os hermanos espanhóis encontraram ouro e prata bem antes, já na época do descobrimento do novo continente. Na colônia portuguesa, Foi através das entradas e bandeiras pelo interior brasileiro que encontraram ouro no Brasil, como também prata e cobre e pedras preciosas como diamantes e esmeraldas. O objetivo dos reinos de Portugal e Espanha não era outro se não explorar as riquezas das terras virgem do novo mundo principalmente o ouro e a prata, pois eram fundamentais para o comercio intercontinental, desde a descoberta do novo mundo até pouco antes do século 19, onde o ouro que alimentou a Europa veio principalmente da América Latina. Diante dessa grande realidade econômica cooperou na formação de um tipo de religião que estava a serviço da exportação do ouro. Duas classes estavam profundamente interessadas em manter o catolicismo mineiro como ferramenta de seus interesses, que são os funcionários do governo e os comerciantes de ouro, esses homens exercem nas minas o mesmo papel religioso e paternal que os senhores dos engenhos e fazendas fazem em suas localidades, contribuindo para as construções e o sustento de magníficas igrejas, como também para os brilhos de festas e de procissões, sempre mantendo as pregações moralizantes junto aos produtores de minérios, proprietários e escravos.
            Grande parte do ouro (pois havia os extravios) ia para o Reino de Portugal, mas precisamente durante reinado de Dom João V que sofria de “Mania devota”, grande parte foram gasto em construção e reconstrução de igrejas e conventos em Portugal, como também numerosas indulgência à Santa Sé assim como diversas bênçãos papais. Era tanto ouro que deu impressão de que já não sabia mais o que fazer com tanta riqueza vinda do Brasil, se mostrando incapaz de trazer prosperidade para o seu povo que ficou pobre como antes. Isso refletia aqui também no Brasil a total mediocridade dos Vice-reis, governadores, capitães e donos terras mostrando sua incapacidade nos gasto com as riquezas em mãos, que só servia para ostentação e gastavam em construções religiosas e compra de títulos honoríficos. Enquanto uma minoria esbanjava as riquezas provindas dos minérios brasileiros, uma grande parte da parcela dos habitantes vivia em total miséria, vivendo sobre a mão de ferro do império que mantinha total vigilância contra as tentativas de contrabando de ouro e dos riscos de contestação por parte de religiosos, seguindo a cartilha da igreja secularizada a serviço do reino de Portugal que a mantinha e financiava, mas é na própria igreja onde também se encontrava refugio de esperança e o lazer provindo das festas santas. Enquanto as minas brasileiras fazem crescer a circulação de ouro na Europa, paralelamente a isso no Brasil não circulava dinheiro e conseqüentemente surgem às dívidas externa e já não se pode dizer que Portugal é dono do País, pois a metrópole se tornar dependente do reino britânico.


Paz e Bem!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Reflexão Casual LXXVI


“O sono é o ensaio diário para a morte, assim como o despertar é o exercício constante para eternidade."

Paulinopax