quinta-feira, 30 de abril de 2020

Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado


Os Upanishads
Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado



Aquilo é o Todo, isto é o Todo. O Todo surge do Todo. Quando tiramos o Todo do Todo, o Todo permanece.

Olhando superficialmente, parece sem sentido, pois viola todas as leis da matemática. Como pode o Todo permanece o Todo quando o Todo lhe é tirado?

A afirmação obviamente fala da Qualidade das coisas. Nenhum processo quantitativo pode alterar a qualidade das coisas. Um fragmento de ouro retirado de uma barra, e este fragmento mantém a qualidade do ouro. Qualidade é algo indivisível. A qualidade é independente do tamanho ou do volume.

O Todo reside mesmo na parte. O Todo não deve ser confundido com a totalidade. Quando partes são colocadas juntas chegamos a uma totalidade, mas o Todo não é feito de partes. O Todo é maior que a soma das partes, é por isso que o aumento ou diminuição quantitativa das partes não afeta o Todo.

Brahman e Atman são idênticos, a natureza de Brahman reside em Atman, não há diferença qualitativa entre os dois. Desde que a qualidade das coisas é indivisível, a qualidade de Brahman reside em todas as coisas. Não ver a qualidade das coisas em tudo que é manifesto, é cair em Maya ou ilusão.

O primeiro verso deste Upanishad diz:

Tudo isso deve ser envolvido por Isha (o senhor)
Todas as coisas moventes que existem no mundo movente.
Renunciando a isso, tu podes desfrutar.
Não cobices a riqueza do outro.

Isha na verdade é o supremo, é Brahman ou Realidade. A realidade a tudo permeia. O mundo ou Samsara está sempre em  movimento. A Realidade está presente até mesmo nesse movimento.


Continua...


domingo, 19 de abril de 2020

Jesus Cristo segundo São João Capítulo 11

5. JESUS É A VIDA DO MUNDO (11,1-12,50)


Ressurreição de Lázaro (Mt 9,18-19.23-26; Lc 7,11-17; 8,40-42.49-56) - 1Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã. 2Maria, cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que tinha ungido os pés do Senhor com perfume e lhos enxugara com os seus cabelos. 3Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado: «Senhor, aquele que amas está doente.»

4Ouvindo isto, Jesus disse: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.» 5Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã e de Lázaro. 6Mas, quando recebeu a notícia de que este estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde se encontrava. 7Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.» 8Disseram-lhe os discípulos: «Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te, e Tu queres ir outra vez para lá?» 9Jesus respondeu: «Não tem doze horas o dia? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque tem a luz deste mundo. 10Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.»

11Depois de ter pronunciado estas palavras, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou lá acordá-lo.» 12Os discípulos disseram então: «Senhor, se ele dorme, vai curar-se!» 13Mas Jesus tinha falado da sua morte, ao passo que eles julgavam que falava do sono natural. 14Então, Jesus disse-lhes claramente: «Lázaro morreu; 15e Eu, por amor de vós, estou contente por não ter estado lá, para assim poderdes crer. Mas vamos ter com ele.» 16Tomé, chamado Gémeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele.»

17Ao chegar, Jesus encontrou-o sepultado havia quatro dias. 18Betânia ficava perto de Jerusalém, a quase uma légua, 19e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para lhes darem os pêsames pelo seu irmão. 20Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria ficou sentada em casa.

21Marta disse, então, a Jesus: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido. 22Mas, ainda agora, eu sei que tudo o que pedires a Deus, Ele to concederá.» 23Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará.» 24Marta respondeu-lhe: «Eu sei que ele há-de ressuscitar na ressurreição do último dia.» 25Disse-lhe Jesus: «Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre. Crês nisto?» 27Ela respondeu-lhe: «Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo.»

28Dito isto, voltou a casa e foi chamar sua irmã, Maria, dizendo-lhe em voz baixa: «Está cá o Mestre e chama por ti.» 29Assim que ela ouviu isto, levantou-se rapidamente e foi ter com Ele. 30Jesus ainda não tinha entrado na aldeia, mas permanecia no lugar onde Marta lhe viera ao encontro. 31Então, os judeus que estavam com Maria, em casa, para lhe darem os pêsames, ao verem-na levantar-se e sair à pressa, seguiram-na, pensando que se dirigia ao túmulo para aí chorar. 32Quando Maria chegou ao sítio onde estava Jesus, mal o viu caiu-lhe aos pés e disse-lhe: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.» 33Ao vê-la a chorar e os judeus que a acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se. 34Depois, perguntou: «Onde o pusestes?» Responderam-lhe: «Senhor, vem e verás.»

35Então Jesus começou a chorar. 36Diziam os judeus: «Vede como era seu amigo!» 37Mas alguns deles murmuravam: «Então, este que deu a vista ao cego não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?»

38Jesus, suspirando de novo intimamente, foi até ao túmulo. Era uma gruta fechada com uma pedra. 39Disse Jesus: «Tirai a pedra.» Marta, a irmã do defunto, disse-lhe: «Senhor, já cheira mal, pois já é o quarto dia.» 40Jesus replicou-lhe: «Eu não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?» 41Quando tiraram a pedra, Jesus, erguendo os olhos ao céu, disse: «Pai, dou-te graças por me teres atendido. 42Eu já sabia que sempre me atendes, mas Eu disse isto por causa da gente que me rodeia, para que venham a crer que Tu me enviaste.»

43Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, vem cá para fora!» 44O que estava morto saiu de mãos e pés atados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Jesus disse-lhes: «Desligai-o e deixai-o andar.»


O Conselho decide a morte de Jesus (Mt 26,57-68; Mc 14,53-65; Lc 22,66-71) - 45Então, muitos dos judeus que tinham vindo a casa de Maria, ao verem o que Jesus fez, creram nele. 46Alguns deles, porém, foram ter com os fariseus e contaram-lhes o que Jesus tinha feito.

47Os sumos sacerdotes e os fari- seus convocaram então o Conselho e diziam: «Que havemos nós de fazer, dado que este homem realiza muitos sinais miraculosos? 48Se o deixarmos assim, todos irão crer nele e virão os romanos e destruirão o nosso Lugar santo e a nossa nação.»

49Mas um deles, Caifás, que era Sumo Sacerdote naquele ano, disse-lhes: «Vós não entendeis nada, 50nem vos dais conta de que vos convém que morra um só homem pelo povo, e não pereça a nação inteira.»

51Ora ele não disse isto por si mesmo; mas, como era Sumo Sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. 52E não só pela nação, mas também para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos. 53Assim, a partir desse dia, resolveram dar-lhe a morte. 54Por isso, Jesus já não andava em público, mas retirou-se dali para uma região vizinha do deserto, para uma cidade chamada Efraim e lá ficou com os discípulos.

55Estava próxima a Páscoa dos judeus e muita gente do país subiu a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar. 56Procuravam então Jesus e perguntavam uns aos outros no templo: «Que vos parece? Ele virá à Festa?»

57Entretanto, os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem de que, se alguém soubesse onde Ele estava, o indicasse para o prenderem.



Continua...

sábado, 11 de abril de 2020

Corpus Hermeticum XVII & XVIII

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


XVII ...

Este fragmento, embora ligado ao manuscrito do capítulo precedente, constitui segundo a edição de Flussas (1574), o capítulo XVII.
"Se refletes, ó rei, verás que entre os corpos também existem incorpóreos." "Quais?" diz  o rei. - "Os corpos que aparecem nos espelhos não te parecem incorporais?" -.- "Exato, ó Tat, divinamente pensado", diz o rei. "Mas existem ainda outros incorpóreos: por exemplo, não crês que existem, ainda que incorporais, essas formas que aparecem nos corpos dos seres animados e no dos inanimados?" "Bem o dizes, ó Tat." - Por tanto os incorpóreos refletem-se nos corpos e os corpos nos incorpóreos, isto é, o mundo sensível reflete-se no inteligível e o mundo inteligível no sensível. É esta razão de se adorarem estátuas, pois estas contêm também formas do mundo inteligível."
Nesse momento o rei se levanta e diz: "É tempo, ó profeta, de ocupar-me de meus hóspedes. Mas amanhã continuaremos a teologizar este assunto, em sua seqüência".

XVIII - DOS ENTRAVES ACARRETADOS À ALMA PELO QUE SUCEDE AO CORPO

1 Para os músicos que prometem a harmonia de um canto que oferece todas as variedades de música, se, durante o concerto, a desarmonia dos instrumentos entrava-lhes o ardor, eis sua empreitada tornada ridícula. Pois assim que seus instrumentos mostram-se fracos para o que querem fazer, os músicos são necessariamente apupados pelos espectadores.
Indubitavelmente produziram a sua obra com inquebrantável boa vontade, mas acusa-se a fraqueza dos instrumentos. Aquele que efetivamente é músico por natureza, e que não somente produz a harmonia dos cantos, mas ainda envia o ritmo da melodia apropriada até cada instrumento em particular, e é infatigável, é Deus, pois que não é de Deus fatigar-se.
2 Se um artista deseja dar um grande concerto musical, quando os trombeteiros expressaram o seu talento, os flautistas exprimiram as finezas da melodia, a lira e os arcos acompanharam o canto, não se acusa a inspiração do músico, atribui-se-lhe a estima que merece a sua obra; mas lamenta-se o instrumento cujo desafinamento perturbou a melodia e impediu aos ouvintes o degustar de sua pureza.
3 No que nos concerne é preciso que nenhum dos espectadores venha acusar de maneira ímpia, pela fraqueza de nosso corpo, nossa raça, mas deve saber que Deus é um Sopro infatigável, sempre nas mesmas relações relativamente à ciência que lhe é própria, saboreando felicidades contínuas, sempre em condições de usar seus benefícios que permanecem os mesmos. 4 Se, em particular, a matéria da qual Fidias, o escultor, se utilizou não lhe tivesse obedecido para conduzir a obra de arte à sua perfeita complexidade e se o cantor cumpriu a sua parte com o melhor de suas forças, não é a ele que devemos considerar, mas é a corda que falhou, ou por falta ou por excesso de tensão, dando uma nota mais grave ou mais aguda,
fazendo desaparecer o ritmo do belo canto.
5 Ora, não se pode culpar o músico pelo acidente sucedido ao instrumento, mas, quanto mais os espectadores conhecerem o instrumento, mais glorificaram o músico, ainda que, freqüentemente, a corda tendo desferido o tom certo... e os ouvintes são então apenas mais apaixonados pelo músico e apesar de tudo, não lhe guardam rancor. Dest'arte, Mui Honoráveis Príncipes, afinai por vossa vez, para o Divino Músico, vossa lira interior.
6 Ora, vejo que ele chega mais freqüentemente que um artista, mesmo sem o auxílio da lira, se deseja executar um dia qualquer nobre tema, tendo tomado a si mesmo de alguma forma como instrumento e promovendo por meios secretos o movimento da corda, de forma a tornar seu expediente objeto de glória pela estupefação dos espectadores. Diz-se de um citarista que tornara-se propício ao deus que preside à música, que um dia em ele tocava cítara num concurso, a ruptura de uma corda impedia-o de continuar a contenda, o favor do Ser supremo substituiu a corda e deu-lhe a graça do sucesso: para substituir a corda, pela providência da Divindade, uma cigarra veio a colocar-se sobre a cítara a fim de completar o acorde, ocupando o lugar da corda, e assim o citarista, consolado de sua pena pelo remédio à falta de corda, alcançou a honra da vitória.
7 E foi isto que senti ocorrer comigo, Mui Honoráveis Príncipes. Recentemente, parecia- me que padecia de fraqueza, e sentia-me doente, e todavia, socorro proveniente do céu completou meu canto ao rei. Tenho a impressão de cantar pela potência do Ser supremo. Desde então, a conclusão de meu serviço será a glória dos reis e são os seus troféus que inflamam o  zelo de meu discurso. Adiante: este é o voto do músico. Apressemo-nos: tal é o desejo do músico e é por isto que plange sua lira. E seu canto será tanto mais melodioso, sua execução tanto mais agradável quanto o sujeito a ser tratado requeira um canto melhor.
8 Para os reis sobretudo o músico plangeu sua lira, tomou o tom dos panegíricos e deu- lhes por fito o elogio dos reis, mas anima-se agora a cantar o mais alto Rei do universo, o Deus bom, e tendo assim preludiado seu canto pelo céu, desce para saudar em segundo lugar àqueles que detêm o cetro à imagem do Deus supremo, pois isto é uma coisa que agrada aos próprios reis, que o canto advenha do céu para descer em seguida degrau por degrau e que seja do lugar mesmo de onde a vitória lhe foi dada que derivem, em justa sucessão, nossas esperanças.
9 Que da mesma forma que o músico se volta para o Rei supremo do universo, Deus, que é imortal, que, eterno, possui seu império por toda eternidade, primeiro glorioso vencedor de quem derivam todas as vitórias posteriores daqueles que receberam de si, em sucessão, a Vitória.
10 É para elogiá-los que volta meu discurso e se coloca entre os reis, árbitros da segurança e da paz universais, que Deus supremo, há já longo tempo, conduziu ao poder absoluto, a quem a vitória foi dada proveniente da direita de Deus, para quem os prêmios da luta foram preparados antes mesmo que fossem ganhos pela sua superioridade nas guerras, de que os troféus são a parte da disputa; aqueles que foram destinados a ser reis e prevalecer em tudo, aqueles que expandem o terror entre os Bárbaros antes mesmo de cclocar em marcha sua  armada.

Acerca do louvor ao Ser supremo - Elogio do rei.

11 Todavia meu discurso anseia acabar seu curso como começou, a concluir pelo louvor ao Ser supremo, depois aos reis divinos, soberanos árbitros, que nos dão a paz de que gozamos. Pois da mesma forma como começamos pelo Ser supremo e a Potência do alto, também nossa conclusão, refletindo o começo, será voltada para o Ser supremo. E da mesma forma que o sol, que alimenta os germes das plantas, é o primeiro a recolher desde que se levanta as primícias, usando para essa colheita os seus raios como mãos imensas - pois são mãos para eles esses raios que colhem em primeiro lugar os mais suaves perfumes das plantas? - da mesma forma devemos, nós originários do Ser supremo, que recebemos o eflúvio de sua sabedoria, que lhe consumimos toda a substância por essas plantas supra-celestes que são nossas almas, dirigir nossos louvores a Ele, que por seu lado, encherá de rócio nosso caminho.
12 A esse Deus perfeitamente isento de mistura e que é o pai de nossas almas, é conveniente que miríades e miríades de bocas e de vozes louvem, mesmo que não seja possível louvá-lo segundo seus méritos, pois nossos discursos não possuem força para igualá-los. Pois estes recém-nascidos não podem louvar seu pai condignamente, mas por fazê-lo como o podem recebem toda a indulgência. E isto é uma glória para Deus, que seja maior que seus próprios filhos, e que o prelúdio, o início, o meio e o final de nossos louvores sejam o confessar a infinita potência e a ilimitação de nosso Pai.
13 Que seja assim também para um Rei. Pois se nos pertence por natureza o louvar a Deus, pois somos como partes saídas dele, é necessário pedir também sua indulgência, mesmo que a maior parte das vezes esta indulgência nos seja concedida pelo pai antes que a peçamos. Pois, como um pai não pode descuidar-se de seus filhos recém-nascidos devido à sua impotência, mas contrariamente rejubilar-se de ser reconhecido por eles, também o conhecimento do Todo, conhecimento que dá a todos a vida e este louvor a Deus que Deus mesmo nos fez presente, ainda que sendo indignos de Deus, ele nos estima pois somos suas crianças. 14 Deus, que é sempre bom e brilhante, que encontra só em si mesmo o limite de sua eterna excelência, que é imortal e envolve em si mesmo o domínio sem fim que lhe pertence, nesta aspersão inesgotável de energia celeste no mundo cá de baixo, nos oferece sua mensagem por um louvor salvador. . . Lá não existe discórdia entre uns a outros. Não há também inconstância, mas todos têm um único pensamento, uma única previsão, pois possuem apenas um espírito, o Pai, uma mesma faculdade de sensação que, opera neles e o filtro que os une, é um mesmo amor que produz neles a única harmonia do conjunto.
15 Portanto, louvemos a Deus. Mas também desçamos em seguida, para aqueles que, de Deus, receberam o cetro. É necessário depois de ter começado pelos reis, aplicando-nos a louvá- lo, colocarmo-nos em forma para os panegíricos, cantar a piedade relativa ao Ser supremo, em seguida, ofertando a Deus a primeira parte de nossos louvores, ensaiar nossas forças, depois exercê-las por Ele, a fim de exercermos de uma única vez, a piedade para Deus e os louvores para os reis.
16 Pois é justo que paguemos esta dádiva, a eles que nos deram a abundância de uma tão grande paz. A virtude do rei, que digo eu, somente o nome do rei confere a Paz. Pois o rei (basileus) recebe este nome porque se apóia em um leve pé (basiléia) sobre o poder supremo e porque é o mestre da palavra que faz a paz e porque nasceu para ostentá-la sobre a realeza dos bárbaros, de sorte que somente o nome do rei é símbolo de paz. É por esta razão que somente o nome do rei é de natureza a fazer recuar o inimigo, imediatamente. Além do que, as próprias imagens do rei são portos de paz para os homens frente às mais fortes tempestades: e somente pela aparição da imagem real foi produzida a vitória e afastado todo o temor e ferimento dos que se encontravam próximos a ela.

Continua...

sábado, 4 de abril de 2020

Reflexão Casual XCII



" Não tem como dá uma de esperto por muito tempo na vida, se hoje tira vantagem em cima de alguém, amanhã a própria vida te cobrará em dobro pois essa é a lei cósmica do universo da ação e reação, que a partir de suas próprias escolhas será arrastado para o seu o fim merecido com os seus afins."

Paulinopax

sábado, 28 de março de 2020

Os Upanishads


Os Upanishads


Introdução

Os Upanishads surgiram como comentários sobre os Vedas, sua finalidade e essência, sendo conhecidos como Vedanta (o fim do Veda).

O termo Upanishad deriva das palavras sânscritas upa (perto), ni (embaixo) e chad (sentar), representando o ato de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber instrução.

Existem 108 Upanishads, divididos em Rig Veda, Sukla-Yajur Veda, Krisna-Yajur Veda, Sama Veda, Atharva Veda e Outros Upanishads.

Os Upanishads são parte das escrituras Shruti hindus, que discutem principalmente meditação e filosofia, e são consideradas pela maioria das escolas do hinduísmo como instruções religiosas. Contêm também transcrições de vários debates espirituais.

A maior herança deixada pela Índia, com certeza se encontra nos Grandes Upanishads.

O ensinamento dos Upanishads deu clara ênfase às perspectivas espirituais da vida, fazendo uma clara distinção entre conhecimento e sabedoria. Até mesmo os Vedas são considerados conhecimento inferior.

Os videntes e sábios que criaram os Upanishads afirmavam que o mero conhecimento não teria utilidade alguma, e que deveriam ser inspirados pela sabedoria, porém cuidaram para que a chama do conhecimento se mantivesse viva de modo que o aprendizado dos pupilos nunca chegasse ao fim, e indicavam que a luz do conhecimento servia apenas para “tornar visível a escuridão”.

A preocupação dos Upanishads com os aspectos práticos da vida pode ser vista no próprio tema de Brahman e Atman que forma o substrato de toda a sua filosofia.

Brahman e Atman tratam os aspectos Objetivo e Subjetivo da vida, e não podemos compreender um sem o outro. A natureza de Brahman reside em Atman, e que sem conhecer o subjetivo, o conhecimento do objetivo é incompleto e inadequado.

O mistério do mundo objetivo pode ser desvelado somente pela compreensão do segredo que está oculto no subjetivo.

Os instrutores dos Upanishads não apresentaram aos seus discípulos sistemas mecânicos de pensamento, que eles pudessem memorizar. Voaram aos pontos mais altos e convidaram os discípulos a escalar a altura que tinham atingido.

Eles passaram de ideia a ideia, deixando os passos intermediários para serem preenchidos pelos próprios estudantes.

Os ensinamentos parecem esparsos para aqueles que só veem os ápices do pensamento, somente elaborando os passos intermediários podemos descobrir a harmonia, a totalidade na sublime filosofia dos Upanishads.

A menos que cubramos os abismos que separam um ápice do outro, não podemos ver sua totalidade. Quando elaboramos os passos intermediários entre os ápices, os Upanishads não parecem esparsos e desconjuntados, descobrimos sua totalidade, e aquilo que parecia impraticável mostra-se inteiramente pratico.

Esses passos intermediários precisam ser elaborados por um intelecto agudo e uma imaginação sem limites, mas isso não é suficiente, pois precisam ser inspirados por um insight intuitivo.

O misticismo é o próprio âmago dos Upanishads. É significativo observar que a despeito das obscuras predições acerca do mundo e seu futuro, há uma linha luminosa que nos enche de esperança e alegria com relação a civilização do amanhã.

Esta linha de luz está na nova mudança que ocorre no pensamento religioso e filosófico do mundo, claramente na direção do misticismo.

É na visão da vida dado pelos Upanishads que o homem pode encontrar a filosofia fundamental do viver criativo, uma filosofia que pode servir como um farol iluminador mesmo no meio da escuridão, uma filosofia que pode nos levar do irreal para o real, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade.



sábado, 14 de março de 2020

Jesus Cristo segundo São João - Capítulo 10

JOÃO 10


Alegorias da porta e do pastor (Sl 23; Jr 23,1-8; Ez 34) - 1«Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outro lado, é um ladrão e salteador. 2Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre-a e as ovelhas escutam a sua voz. E ele chama as suas ovelhas uma a uma pelos seus nomes e fá-las sair. 4Depois de tirar todas as que são suas, vai à frente delas, e as ovelhas seguem-no, porque reconhecem a sua voz. 5Mas, a um estranho, jamais o seguiriam; pelo contrário, fugiriam dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.»

6Jesus propôs-lhes esta comparação, mas eles não compreenderam o que lhes dizia.


Jesus, Porta e Bom Pastor das ovelhas - 7Então, Jesus retomou a palavra: «Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. 8Todos os que vieram antes de mim eram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não lhes prestaram atenção. 9Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem. 10O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

11Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. 12O mercenário, e o que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as, 13porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas. 14Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, 15assim como o Pai me conhece e Eu conheço o Pai; e ofereço a minha vida pelas ovelhas.

16Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil. Também estas Eu preciso de as trazer e hão-de ouvir a minha voz; e haverá um só rebanho e um só pastor. 17É por isto que meu Pai me tem amor: por Eu oferecer a minha vida, para a retomar depois. 18Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente. Tenho poder de a oferecer e poder de a retomar. Tal é o encargo que recebi de meu Pai.»

19Estas palavras tornaram a provocar desentendimento entre os judeus. 20Muitos deles comentavam: «Ele tem demónio e está louco. Porque lhe dais ouvidos?» 21Outros diziam: «Estas palavras não são dum possesso. Como é que um demónio pode dar vista aos cegos?»


Auge da controvérsia messiânica: identidade de Jesus com o Pai - 22Em Jerusalém celebrava-se, então, a festa da Dedicação do templo. Era Inverno. 23Jesus passeava pelo templo, debaixo do pórtico de Salomão.

24Rodearam-no, então, os judeus e começaram a perguntar-lhe: «Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente.»

25Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que Eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho a meu favor; 26mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. 28Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. 29O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos Um.»

31Então, os judeus voltaram a pegar em pedras para o apedrejarem. 32Jesus replicou-lhes: «Mostrei-vos muitas obras boas da parte do Pai; por qual dessas obras me quereis apedrejar?» 33Responderam-lhe os judeus: «Não te queremos apedrejar por qualquer obra boa, mas por uma blasfémia: é que Tu, sendo um homem, a ti próprio te fazes Deus.»

34Jesus respondeu-lhes: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus - e a Escritura não se pode pôr em dúvida - 36a mim, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, como é que dizeis: ‘Tu blasfemas’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’? 37Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim; 38mas se as faço, embora não queirais acreditar em mim, acreditai nas obras, e assim vireis a saber e ficareis a compreender que o Pai está em mim e Eu no Pai.»

39Por isso procuravam de novo prendê-lo, mas Ele escapou-se-lhes das mãos. 40Depois, Jesus voltou a retirar-se para a margem de além-Jordão, para o lugar onde ao princípio João tinha estado a baptizar, e ali se demorou. 41Muitos vieram ter com Ele e comentavam: «Realmente João não realizou nenhum sinal milagroso, mas tudo quanto disse deste homem era verdade.» 42E muitos ali creram nele.



Continua...

sábado, 7 de março de 2020

Reflexão Casual XCI



" A humanidade a cada dia que passa se torna mais insensível a sua própria semelhança, envenenada pelo ódio que ofende por prazer e se alegra em presenciar a dor e a desgraça do próximo... O futuro me assusta! Onde vamos parar com essa pandemia do desamor? "

Paulinopax

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Corpus Hermeticum XV & XVI

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


XV ...

Este tratado foi perdido. Existem alguns fragmentos dispersos em citações, mas cujo sentido é tão pouco interessante que não vale o trabalho de coletá-los.

XVI - AS DEFINIÇOES; ASCLÉPIOS AO REI AMMON

Acerca de Deus, da matéria, sobre o mal, a fatalidade, o sol, a substância inteligivel, sobre a essência divina, sobre o ser humano, a disposição do pleroma, os sete astros e sobre o ser humano segundo a imagem.
1 Eu te envio, ó rei, um importante discurso que é como o coroamento e o complemento de todos os outros, não foi concebido conforme as idéias da massa, contrariamente as refuta em mais de um ponto. Perceberás nele mesmo algumas discordâncias relativas aos meus próprios discursos. Hermes então, meu mestre, nos freqüentes diálogos que tinha como que em sua casa, privadamente; quer em presença de seu filho Tat, tinha o costume de me dizer que aqueles que lerão meus livros acharão a composição simples e clara, enquanto que, obscuro e oculto o significado das palavras e que será ainda mais obscuro quando os Gregos, mais tarde, traduzirem-nos de nossa língua para a sua, o que conduzirá a uma completa distorção do texto e  a uma total obscuridade.
2 - Por outro lado, expresso em nossa língua original, esse discurso conserva com toda clareza o sentido das palavras: e na verdade a particularidade mesmo do som e da entonação dos vocábulos egípcios retém neles mesmos a energia das coisas que se dizem.
Enquanto esteja sob teu poder, ó rei - e tudo podes - preserva bem este discurso de toda tradução a fim de que tão grandes mistérios não cheguem aos Gregos e que a orgulhosa elocução dos mesmos, com a sua falta de sensibilidade e com o que se poderia dizer falsas graças, faça

empalidecer e desaparecer a gravidade, a solidez, a virtude eficaz dos vocábulos de nossa língua. Pois os Gregos, ó rei, possuem apenas discursos vazios, bons para o efeito de demonstrações: e é isto que é toda a filosofia dos Gregos, um rumor de palavras. Quanto a nós, não nos servimos de simples palavras, mas de sons repletos de eficácias.
3 Começarei dest'arte meu discurso, por uma invocação à Deus, o mestre, criador, pai e envoltório do universo inteiro, aquele que sendo o Um é tudo e que sendo tudo é Um. Pois o pleroma de todos os seres é um e está no Um, não que o Um se desdobre, mas os dois conjuntamente perfazem apenas a unidade. Guarda este modo de pensar, ó rei, durante todo o decurso de minha exposição. Pois se alguém tenta separar do Um, tomando a palavra, tudo, no sentido de uma pluraridade e não de uma totalidade, o que parece ser tudo e um e mesmo, acaba, coisa impossível, por ter separado o Todo do Um, por destruir o Todo. É necessário, verdadeiramente que tudo seja um, se pelo menos existe um Um - ora existe e jamais deixa de ser um - para que o pleroma não seja dissolvido.
4 Eis então, que na terra, nas suas partes mais centrais, jorram muitas fontes d'água e de fogo e que desta forma podemos ver juntas no mesmo lugar as três naturezas do fogo, da água e da terra, dependentes de uma mesma raiz. O que leva a acreditar que existe um mesmo depósito que, de um lado, provê ao fornecimento de matéria e por outro recebe de volta a substância que vem do alto. 5 É desta forma que o demiurgo, quero dizer, o Sol, conjunta o céu e a terra, enviando para baixo a substância e elevando a matéria, levando para perto de si e para si as coisas e fazendo sair de si e dando tudo a todos e espargindo sobre todos, liberalmente, a luz: pois ele é aquele cujas boas energias penetram não somente no céu e no ar, mas também na terra, até o golfo mais profundo e no abismo.
6 Por outro lado, se existe também alguma substância inteligível, ela é o volume do Sol e a luz do Sol poderia ser dita o receptáculo dessa substância. Agora, do que se compõe ou de onde é proveniente esta substância, apenas o próprio Sol o sabe e para sabê-lo seria necessário ser-lhe próximo ou do lugar ou da natureza.
7 Quanto à visão do Sol, esta não é objeto de conjectura, mas o raio solar envolve com seu próprio brilho mais rutilante o mundo inteiro e a parte que está embaixo é a parte que está em cima: pois o Sol está estabelecido no meio do mundo, portando o mundo como uma coroa e como um bom conduto assegurou o equilíbrio do carro do mundo, subiu, e ele com medo que este fosse colocado em um curso desordenado. As renas são a vida, a alma, o sopro, a imortalidade e a geração. Deixou de tanto sofrear as renas para que o mundo pudesse conduzir seu curso não longe dele, mas para dizer a verdade, com ele, 8 e é desta maneira que as coisas são continuamente criadas, dando aos seres imortais a duração eterna e alimentando com a parte de sua luz que se dirige para o alto, isto é, com os raios projetados pela sua face voltada para o céu, as partes imortais do mundo, enquanto que, com a luz que está aprisionada no mundo e que banha com seu brilho, inteiramente, a concavidade da água, da terra e do ar, vivifica e põe em movimento, pelos nascimentos e metamorfoses, os seres viventes que subsistem nestas partes do mundo, remodelando-os e transformando-os uns nos outros como numa espiral - a mudança de uns nos outros operando uma troca contínua de gênero a gênero e de espécie - logo, exercendo sobre esta parte do mundo a mesma atividade criadora que sobre os grandes corpos. Pois de todo corpo a duração é mudança: do corpo imortal uma mudança sem dissolução, do corpo mortal uma mudança acompanhada de dissolução. E esta é precisamente a diferença do imortal relativamente ao mortal e do mortal com o imortal.
10 Da mesma forma que o Sol expande sem cessar sua luz, também continua indefinidamente a criar a vida sem jamais interromper o seu trabalho, nem quanto ao lugar, nem quanto à produção. E efetivamente, o Sol tem ao seu redor numerosos coros de daimons, semelhantes a grupos armados de forma diversa, que convivem com os mortais sem perder a imortalidade e que após terem recebido como sua parte a região dos homens, velam sobre seus negócios. E executam o que lhes é ordenado pelos deuses, por meio de tempestades, de ciclones, de maremotos, de vicissitudes no elemento ígneo, terremotos e fome e guerra, castigando a impiedade. 11 Este é realmente o maior pecado dos homens contra os deuses: pois aos deuses

pertence fazer o bem, aos humanos serem pios, e aos daimons ajudar aos deuses. Todos os outros pecados que os humanos ousam cometer por estupidez, temeridade ou pela coerção que se chama Destino, ou ainda por ignorância, todos esses pecados não são levados em conta pelos deuses: somente a impiedade cai sob os golpes do julgamento.
12 O Sol é, portanto, o conservador e a nutriz de toda espécie de seres e da mesma forma que o mundo inteligível envolvendo o mundo sensível, preenche este de todas as formas com a infinita diversidade de suas figuras, o Sol envolvendo tudo o que está no mundo, dá seu volume a todos os seres que nascem e os fortifica, ainda que os absorva em si mesmo quando estes morrem.
13 Ora, sob as ordens do Sol, foi posto o coro de daimons, ou melhor, os coros: pois são numerosos e diversos, colocados sob os comandos dos quadrados dos astros. Dispostos desta forma servem próximos a cada um dos astros, bons ou maus quanto à sua natureza, isto é, quanto às suas atividades - pois a essência de um daimon é a atividade - existem alguns entre eles que são uma mistura de bem e de mal.
14 Todos esses demônios receberam pleno poder sobre os sucederes da terra e sobre as desordens que aí se produzem e provocam toda espécie de problemas, em geral para as cidades e povos e particularmente para cada indivíduo. Pois buscam remodelar nossas almas segundo seu interesse a excitá-las, instalado em nossos músculos e medula, em nossas veias e artérias, em nosso cérebro e penetrando até nas nossas entranhas.
15 Pois, tendo cada um de nós nascido e sido animado, foi tomado a cargo dos daimons que estavam de serviço sob as ordens de cada um dos astros. Pois os daimons se substituem de instante em instante: os mesmos não permanecem em função mas em rodízio. Esses daimons após terem penetrado no corpo nas duas partes da alma, atormentam-na, cada um no sentido de sua própria atividade. Somente a parte racional da alma escapando à soberania dos daimons, permanece estável, pronta a tornar-se receptáculo de Deus.
16 Se então, na parte racional de sua alma, um ser humano recebe a luz do raio divino através do Sol (esses humanos são poucos entre todos) os daimons ficam reduzidos à impotência, pois nenhum dos demônios, nem dos deuses possui poder contra um único raio de Deus. Quanto aos outros humanos são levados a torto e a direito, corpos e almas, pelos daimons e amam, acariciam essas atividades dos daimons neles. É a razão, não o amor que é ao mesmo tempo a vítima e a causa do dissabor. Desta forma o governo de nossa vida terrestre está inteiramente no poder dos daimons, pelo intermédio de nosso corpo: é a este governo que Hermes chamou Destino.
17 Bem, o mundo inteligível depende de Deus, o mundo sensível do inteligível e o Sol através do mundo inteligível e do mundo sensível recebe de Deus, por sua providência, o influxo do Bem, isto é, a ação criadora. Por outro lado, em torno do Sol gravitam as oito esferas, dependendo do Sol, e dos astros fixos, as seis esferas dos planetas e a esfera única que envolve a terra. É dessas esferas que dependem os daimons, e dos daimons, os homens: e desta maneira tudo e todos estão na dependência de Deus.
18 É por isto que Deus é o Pai, das coisas, o Sol é o criador e o mundo o instrumento desta ação criadora. O céu é governado pela substância inteligível, governa por sua vez os deuses e os daimons colocados sob as ordens dos deuses, governam os humanos: é desta maneira que está disposta e armada dos deuses e dos daimons. 19 Deus criou as coisas por si só, por seu intermédio e as coisas são partes de Deus: ora se são partes de Deus, Deus é seguramente tudo. Criando então as coisas Deus criou a si mesmo e é impossível que cesse de criar pois não pode deixar de ser.
E do mesmo modo que Deus não tem fim, também sua atividade criadora não tem começo nem fim.

Continua...