domingo, 13 de setembro de 2020

"Hermes, o três vezes grande"


Hermes Trismegisto


 “O homem nada sabe, mas é chamado a tudo Conhecer.” - Hermes

Hermes Trismegisto (em latim: Hermes Trismegistus; em grego Ἑρμῆς ὁ Τρισμέγιστος, "Hermes, o três vezes grande") era um legislador egípcio, pastor e filósofo, que viveu na região de Ninus por volta de 1.330 a.C. ou antes desse período; a estimativa é de 1.500 a.C a 2.500 a.C. Teve sua contribuição registrada através de trinta e seis livros sobre teologia e filosofia, além de seis sobre medicina, todos perdidos ou destruídos após invasões ao Egito. O estudo sobre sua filosofia é denominado hermetismo.

Hermes Trismegisto foi um misterioso mestre que viveu no Egito uns 2,5 mil anos antes de Cristo. Seu impressionante legado intelectual (centenas de obras sobre teologia e cosmogonia, engenharia e arquitetura sagrada, medicina e filosofia, psicologia e magia, entre outras) perdeu-se ao longo dos séculos, sobrando somente alguns textos, entre os quais a famosa Tábua Esmeraldina e o Corpus Hermeticum e O Caibalion, bases da alquimia árabe e europeia medievais.Estas crenças tiveram influência na sabedoria oculta europeia, desde a Renascença, quando foram reavivadas por figuras como Giordano Bruno e Marsilio Ficino.

A magia hermética passou por um renascimento no século XIX na Europa Ocidental, onde foi praticada por nomes como os envolvidos na Ordem Hermética do Amanhecer Dourado e Eliphas Levi. No século XX foi estudada por Aleister Crowley, entre outros. Hermes é considerado o pai da Alquimia e seu nome do latim, sendo seus outros nomes: Toth em grego e Tehuti ou Dyehuty em egípcio. Os gregos o chamavam de Trismegisto, significando que esse mestre dominava os três graus do Conhecimento: os níveis do Aprendiz, do Companheiro e do Mestre dentro da simbologia maçônica; e as três Montanhas – Iniciação, da Ressurreição e Ascensão – entre os gnósticos. Já os romanos o chamavam de Mercurius ter Maxinus.

Hermes Trismegisto é mencionado primordialmente na literatura ocultista como o maior de todos os sábios egípcios, o grande criador da Alquimia, além de desenvolver um profundo sistema de crenças metafísicas que hoje é conhecido como Hermética. Para alguns pensadores medievais, Hermes Trismegisto foi um profeta pagão que anunciou o advento do cristianismo. E segundo o Islã, esse mestre era o próprio profeta Ídris (Enoch em árabe), mencionado diversas vezes no Alcorão e que viu Deus face a face graças à sua santidade.

Esse mestre, segundo Clemente de Alexandria, escreveu 42 livros sobre a simbologia e os fundamentos alquímicos, os quais os grandes alquimistas medievais árabes e, posteriormente, europeus, estudaram e estabeleceram uma didática característica. Uma das chaves para entender como o Universo funciona nos foi dada por Hermes-Toth, também conhecido como Hermes Trismegistus. Algumas pessoas o consideram um deus, outras um grande iniciado, e algumas ainda acreditam que este nome represente uma das primeiras Ordens Iniciáticas do Antigo Egito e Grécia, cujos trabalhos de seus Iniciados perduram até os dias de hoje, através da ciência conhecida como Hermetismo. Recentes estudos associam a filosofia de Hegel com o hermetismo.

“Hermetismo ou hermeticismo é o estudo e prática da filosofia oculta e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, "Hermes Três-Vezes-Grande", uma deidade sincrética que combina aspectos do deus grego Hermes e do deus egípcio Thoth.”

A divindade de Hermes Trismegisto provêm da introdução do deus Toth na religião grega. Toth é um deus egípcio o qual simboliza a lógica organizada do universo. Ele é relacionado aos ciclos lunares a qual em suas fases expressa a harmonia do universo. E também como deus do verbo e da sabedoria foi naturalmente identificado com Hermes. Como o deus da sabedoria Toth foi atribuído como escritor de uma série de textos sagrados egipcíos os quais descrevem os segredos do universo. Os textos Herméticos antigos podem ser considerados também retentores de ensinamento e de uma base de iniciação a antiga religião egípcia.

Como todos os deuses egípcios o Toth inicialmente era adorado localmente, mas depois a adoração a ele espalhou-se por todo o Egito. Uma das localidades de adoração ao Toth era na Grande Hermópolis. Com o estabelecimento da dinastia ptolomaica naquela região gregos imigraram também para a cidade sagrada de Toth. Desta imigração de gregos advém a identificação de Hermes com Toth.

Thot é um deus egípcio, representado com cabeça de íbis; é o deus do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia. Sua contraparte feminina era Maat, deusa da Justiça, e seu principal templo ficava em Khemennu (que os gregos chamavam de Hermopolis e os árabes de Eshmunen). Mas Toth também tinha templos iniciáticos em Abydos, Hesert, Urit, Per-Ab, Rekhui, Ta-ur, Sep, Hat, Pselket, Tamsis, Antcha-Mutet, Bah, Amen-heri-ab e Ta-kens. Nestes templos, seus discípulos aprendiam as bases do que chamamos de “Livro de Toth”, ou como é conhecido pelos profanos, o Tarot.

As 78 lâminas, também chamada “Espelho da Alma”, são capazes de reproduzir simbolicamente todos os fluxos de energia que permeiam uma situação (as pessoas acreditam que o Tarot serve para “prever o futuro” mas isto não é verdade. Seu uso principal é para autoconhecimento). Ele era considerado o coração e a língua de Rá, assim como a vontade de Rá traduzida para a fala (o Verbo). Dentro do Panteão Egípcio, ele possuía diversas funções muito importantes (entre elas, ensinar a escrita, magia, ciência, astrologia e ajudar no julgamento dos mortos). Toth também é responsável pelo governo dos Planetas e das estações. É chamado de “Senhor das palavras Sagradas” pois foi ele quem inventou os hieroglifos e os números. Por ter sido o primeiro magista, Toth possuía mais poder até mesmo do que Osíris ou Rá.

Evolução durante os anos

Como a origem dos conhecimentos herméticos datam de alguns milhares de anos, é natural que durante tão longo tempo tenha ocorrido grandes transformações, tanto no que diz respeito aspectos organizacionais quando no contexto dos próprio ensinos. Dito isso resultou um grande número organizações no passado assim como no presente intituladas de "Ordem Hermética". Os conhecimentos e a estruturação de algumas são oriundas das Escolas de Mistérios do Antigo Egito. Naturalmente o termo "Ordem" só apareceu depois da decadência do Egito, quando grupos de estudiosos deram nomes às organizações que transmitiam o conhecimento deixados por Thoth.

Sempre existiram muitas organizações que se intitularam de Sociedade, ou de Ordem Hermética, e também na atualidade. Muitas trazem ensinamentos autênticos, embora algumas atribuam o nome "hermética" a conceitos de grupos ou meras fantasias. Ordens herméticas que ficaram consagradas ao longo dos séculos foram a Ordem dos Cavaleiros Templários, a Maçonaria e a Ordem Rosa-cruz. A Ordem Hermética da Aurora Dourada é uma ordem nova comparada com as anteriores,ela surgiu na década de 1880.



domingo, 6 de setembro de 2020

Reflexão Casual XCVII



"O fanático religioso e o ateu extremista refletem os dois lados da mesma moeda, com suas soberbas verdades dogmáticas de tudo definir na sua mediocridade irrelevância perante a infinitude do cosmo."

Paulinopax

sábado, 29 de agosto de 2020

Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado 5


Os Upanishads
Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado 5


É na Aceitação do que é dado que descobrimos o Espírito ou qualidade das coisas.

O  4º e 5o verso deste Upanishad dá uma descrição do que é o espírito, cuja negligencia leva os homens às regiões da escuridão total:

O Espírito sem se mover, é mais rápido do que a mente;
Os sentidos não O podem alcançar, Ele está sempre além deles.
Estando imóvel, Ele ultrapassa aqueles que correm.
Ele se move. Ele não se move,
Ele está distante e Ele está próximo,
Ele está dentro de tudo,
E Ele está fora de tudo.

Acima vemos mais um grande paradoxo dos Upanishads. Como pode o Espírito ser movente e imóvel? Distante e próximo? Se somarmos todos os tributos do Espírito o resultado seria Nada, com os opostos cancelando um ao outro. Portanto a qualidade é realmente Nada. A qualidade é indivisível.

O Nada permanece Nada sob quaisquer circunstancias, porém sem a presença do Nada toda a manifestação deve parecer morta, seria um mal monstruoso. Os Upanishads se ocupam  com o mistério da Nada.

Este Upanishad diz que o Espírito é incorpóreo, invulnerável, incorruptível, não nascido e imanifesto. Ele contém todas as formas, nenhuma forma O contém, Ele permanece sem forma em sua verdadeira natureza.

Ele é invulnerável, pois para atacar algo é preciso agarrar e prender esta coisa, ou seja, quando existe no tempo e no espaço. Ele é intangível, fora do alcance da mente e dos sentidos.

Sua força advém do fato de que Ele jamais pode ser possuído, e isso o torna incorruptível. O que corrompe é a posse, tanto o possuidor como o possuído.

O possuidor é corrompido porque se torna insensível pelo ato da posse, enquanto o possuído se torna corrupto porque a posse é possível somente quando isolamos algo de seu contexto vivo, portanto está morto e se decompõe.

Continua...


sábado, 15 de agosto de 2020

Jesus Cristo segundo São João Capítulo 15

JOÃO 15


Alegoria da videira e dos ramos (Is 5,1-7; Ez 15,2-8) - 1«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. 2Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. 3Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado.

4Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. 5Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. 6Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem.

7Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. 8Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»


O mandamento do amor - 9«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. 11Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa.

12É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. 13Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai.

16Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. 17É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.»


Ódio do mundo aos discípulos - 18«Se o mundo vos odeia, reparai que, antes que a vós, me odiou a mim. 19Se viésseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, como não vindes do mundo, pois fui Eu que vos escolhi do meio do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. 20Lembrai-vos da palavra que vos disse: o servo não é mais que o seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós. Se cumpriram a minha palavra, também hão-de cumprir a vossa.

21Mas tudo isto vos farão por causa de mim, porque não reconhecem aquele que me enviou. 22Se Eu não tivesse vindo e não lhes tivesse dirigido a palavra, não teriam culpa, mas, agora, não têm escusa do seu pecado. 23Quem me odeia a mim odeia também o meu Pai. 24Se, diante deles, Eu não tivesse realizado obras que ninguém mais realizou, não teriam culpa; mas agora, apesar de as verem, continuam a odiar-me a mim e ao meu Pai. 25Tinha, porém, de se cumprir a palavra que ficou escrita na sua Lei: Odiaram-me sem razão.»


Terceira promessa do Espírito - 26«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, Ele dará testemunho a meu favor. 27E vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio.»



Continua...

sábado, 8 de agosto de 2020

Corpus Hermeticus - Tábua de Esmeralda

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto

TÁBUA DE ESMERALDA 


Alegoria alquímica da Tábua de Esmeralda do século 17

"É verdadeiro, completo, claro e certo. O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é igual ao que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa. Ao mesmo tempo, as coisas foram e vieram do Um, desse modo as coisas nasceram dessa coisa única por adoção. O Sol é o pai, a Lua a mãe, o vento o embalou em seu ventre, a Terra é sua ama; o Thelema do mundo está aqui. Seu poder não tem limites na Terra. Separarás a Terra do Fogo, o sutil do espesso, docemente com grande perícia. Sobe da Terra para o céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores. Desse modo obterás a glória do mundo e as trevas se afastarão. É a força de toda força, pois vencerá a coisa sutil e penetrará na coisa espessa. Assim o mundo foi criado."

Esta é a fonte das admiráveis adaptações aqui indicadas. Por esta razão fui chamado de Hermes Trismegistos, pois possuo as três partes da filosofia universal. O que eu disse da Obra Solar é completo.


INTRODUÇÃO


“O que está em baixo é como o que está em cima”



Este é, sem dúvida, o axioma mais citado nas obras ocultistas, principalmente as que versam temas alquímicos, reportando-se os seus autores à Tábua de Esmeralda ou a Hermes Trismegisto, porém  pouco ou nada mais adiantando sobre estas origens. Nestas condições,  parece curial perguntar:

-         O que é a Tábua de Esmeralda?

-         O que está ali escrito?

-         Quem é, ou foi,  Hermes Trismegisto?

São as respostas possíveis a estas perguntas que vou procurar dar, uma vez dizerem respeito a matérias que se situam no campo da Filosofia Rosacruz e o axioma em causa ser frequentemente lembrado por Max Heindel; são as respostas possíveis, disse, pois tudo está envolto em mitos e símbolos, o que dá origem a diversas versões do texto e a opiniões divergentes sobre o seu autor.



AS ORIGENS



            Nada há que permita estabelecer, com alguma segurança, a origem real, não da tábua propriamente dita - que, de resto, ninguém jamais viu - mas do texto que se diz ter sido ali gravado. Tudo quanto se sabe é que a referência mais antiga que se conhece, encontra-se num escrito árabe dos fins do século VIII, atribuído a Geber (ou Jabir) ibn Hayyan; no mundo cristão, Santo Alberto Magno (1200-1280) conhecia a sua versão em latim. Segundo o professor Georg Luck, a versão árabe pode reflectir um original grego que se perdeu, e a versão latina poderá ter sido feita a partir da árabe [1].

Desde então a Tábua de Esmeralda ou, para ser mais preciso, o seu texto, tornou-se famoso nos meios ocultistas em geral e nos alquimistas em particular, por ser considerado, essencialmente, uma fórmula alquímica relativa, quer à transmutação dos metais básicos, quer à divina regeneração humana. Daí que, com o correr dos tempos, a versão inicial em latim fosse sendo substituída por sucessivas traduções em línguas modernas, algumas das quais da autoria de nomes famosos como Isaac Newton, H.P.Blavatsky e Fulcanelli.

Há, no entanto, duas versões e dois autores que, por serem aceites pela maioria dos estudiosos, iremos apresentar: a primeira – e que reúne o maior consenso -  afirma que o texto foi escrito, em caracteres fenícios, por Hermes Trismegisto; a segunda, cuja defesa está quase confinada à Maçonaria, pretende que o texto - que, aliás,  pouco difere do anterior - foi escrito, em caracteres caldaicos, por Chiram, ou Hiram, ou ainda Hiram Abiff, o construtor do Templo de Salomão.

Há, ainda, uma terceira e inevitável opinião sobre textos, caracteres e autores, a dos críticos materialistas para os quais tudo não passa de uma fraude dos primeiros tempos da Idade Média; não percamos mais tempo com ela ...



A VERSÃO DE HERMES TRISMEGISTO


Na versão mais consensual, o texto começa com a frase Palavras secretas de Hermes, e antes de terminar diz ... por isso sou chamado Hermes Trismegisto, porque possuo as três partes da sabedoria de todo o mundo; daí que se atribua a sua autoria a Hermes Trismegisto, embora não se saiba, com um mínimo de segurança, quem foi esta personagem, nem se existiu, sequer.



O AUTOR



Hermes sobre Typhon, JAKnaap.

Hermes,como a personificação da Sabedoria Universal está aqui representado com o pé sobre o dorso de Typhon, o dragão da ignorancia e da perversão. Para os Iniciados Egípcios, vencer o dragão devorador das almas  era se libertar da necessidade de renascer.



Na mitologia grega,  Hermes, filho de Zeus e da ninfa Maia, era o mensageiros dos deuses; calçava sandálias com asas e usava um capacete também com asas; empunhava, sempre, o célebre caduceu, uma vara onde se entrelaçavam duas serpentes, encimada por um par de asas. Mas Hermes era mais do que isto: era o condutor das almas dos mortos ao mundo subterrâneo e tinha poderes mágicos sobre o sono e os sonhos; era o deus do comércio e o protector dos negociantes e dos rebanhos; era o deus dos atletas e o protector de ginásios e estádios; e era, ainda, o responsável pela boa sorte e riqueza. Apesar destas virtuosas características, era velhaco, impostor e ladrão; logo no dia em que nasceu roubou o gado do seu irmão Apolo e ocultou o rasto fazendo com que os animais andassem para trás; ao ser confrontado, negou tudo. Os irmãos acabaram por se reconciliar quando Hermes ofereceu a Apolo um seu novo invento, a lira.

Hermes Trismegisto será o aspecto humano do deus grego, e Thoth (ou Toth) o seu equivalente egípcio; Thoth significa Serpente, e a serpente era o símbolo do Conhecimento, da Sabedoria; o epíteto Trismegisto, Três Vezes Grande, vem do facto de Thoth ser o maior filósofo, o maior sacerdote e o maior rei.

A Hermes Trismegisto é atribuída, também, a autoria de tratados eclécticos do século I d.C, sobre filosofia mística do helenismo, onde se fundem elementos platónicos, estóicos, órficos e neopitagóricos, e que defendem a salvação através do conhecimento de Deus, cuja manifestação visível é o Sol. Estes tratados, transmitidos sob o nome de Hermética, exerceram grande influência na Idade Média e no Renascimento, nomeadamente nos domínios da alquimia e magia.

Há uma outra versão, deveras curiosa, da autoria de Doreal, uma personagem que se diz relacionada com a Grande Loja Branca e que em 1925 foi autorizada a ir à Grande Pirâmide buscar, não a Tábua, mas as doze Tábuas de Esmeralda, copiá-las e voltar a colocá-las no mesmo sítio; acrescenta que só agora teve autorização de tornar público parte do seu conteúdo,  para o que se serve ... da Internet.

Para Doreal, Thoth, o seu autor, era um rei-sacerdote atlante que, cerca do ano 50.000 a.C. e antes da Atlântida desaparecer no mar, fundou uma colónia no antigo Egipto que governou até 36.000 a.C. Quando chegou o tempo de partir, construiu a Grande Pirâmide sobre a entrada dos Grandes Vestíbulos (por onde as almas passam a caminho do julgamento), onde guardou as doze Tábuas de esmeralda verde, uma substância criada por transmutação alquímica, imperecível e indestrutível.

             

O TEXTO

A maioria das traduções em línguas ocidentais apresenta algumas diferenças, pelo que achei por bem integrá-las na versão que se segue:


Palavras secretas de Hermes:

É verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro.
O que está em baixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está em baixo, para realizar os milagres de uma coisa única.
Assim como todas as coisas foram e procedem do Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas nasceram desta coisa única, por adaptação.
O Sol é seu pai, a Lua é sua mãe, o vento o trouxe no seu ventre; a Terra o alimenta; o pai de tudo, o Thelesma [3] de todo o mundo, está aqui.
A sua força permanece inteira quando se converte em terra.
Separarás a terra do fogo, o subtil do espesso, suavemente e com grande habilidade; subirá da terra ao céu e de novo descerá à terra, deste modo recebe a força das coisas superiores e inferiores.
Por este meio obterás a glória do mundo e toda obscuridade se afastará de ti.
É a força forte de toda força, pois vencerá toda coisa subtil e penetrará toda coisa sólida .Assim foi criado o mundo.
Disto se farão admiráveis adaptações cujo meio está aqui.
Por isso sou chamado Hermes Trismegisto, porque possuo as três partes da sabedoria de todo o mundo.O que eu disse sobre a operação do Sol está completo.


INTERPRETAÇÃO


            Se tudo quanto se refere à Tábua de Esmeralda é nebuloso, então a interpretação do texto está ainda mais envolta em nuvens, a não ser, naturalmente, para um verdadeiro alquimista.

            Apesar de tudo, vamos apresentar a explicação que nos é dada por outra personagem misteriosa, Hortulano, ou Jardineiro, assim chamado por causa dos jardins marítimos, diz ele! Há quem pretenda que o seu verdadeiro nome seja Joanes Grasseus e que viveu no século XV. A. E. Waite, em A Irmandade Rosa-Cruz, menciona um alquimista parisiense do século XIV, de nome Ortholanus, autor de uma Alquimia Prática e de uns comentários à Tábua de Esmeralda, e Julius Évola, em A Tradição Hermética, cita um Ortulano e os seus Comentários à Tábua Esmeraldina. Seja como for, a explicação da Tábua de Esmeralda, feita por Hortulano, é a que se segue.



PREFÁCIO


Louvor, honra e glória lhe sejam dadas para sempre, ó Senhor Deus Todo Poderoso! Com vosso querido filho Jesus Cristo, nosso Salvador, verdadeiro Deus e único Homem Perfeito, e com o Santo Espírito Consolador - Trindade Santa -, Vós que sois o único Deus. Dou-vos graças porque, havendo conhecido as coisas passageiras deste mundo, inimigo nosso, vós me retirastes dele, por vossa misericórdia, para que eu não fosse pervertido por suas enganosas voluptuosidades. E, como vejo muitos que trabalham nessa arte não seguirem o recto caminho, suplico-vos, meu Senhor e meu Deus, que, se assim vos aprouver, eu possa desviar do erro, pela ciência que me destes, todos meus queridos e bem amados, a fim de que, conhecendo a verdade, possam louvar vosso santo Nome, que seja eternamente bendito. Assim, pois, eu, Hortulano, - isto é, Jardineiro -, assim chamado por causa dos jardins marítimos, indigno como sou de ser chamado discípulo da Filosofia, movido pela amizade que devo aos meus amados, quis deixar escrita a declaração e explicação das palavras de Hermes, pai dos Filósofos, ainda que sejam obscuras, aclarando sinceramente toda a prática da verdadeira Obra. Certamente, de nada serve que os Filósofos queiram esconder a ciência nos seus escritos quando está operando a doutrina do Espírito Santo.



CAPÍTULO I :

  A ARTE DA ALQUIMIA É CERTA E VERDADEIRA



O Filósofo disse: "é verdade", referindo-se a que a arte da Alquimia nos foi dada. "Sem mentira", disse, para convencer quem diz que a ciência é mentirosa ou falsa. "Certo", isto é, experimentado, pois tudo o que foi experimentado é muito certo. E "muito verdadeiro", pois o muito verdadeiro Sol é procriado pela arte. Disse "muito verdadeiro" no modo superlativo porque o Sol engendrado por esta arte ultrapassa a todo Sol natural em todas suas propriedades, tanto medicinais como outras.



 CAPÍTULO II:

 A PEDRA  DIVIDIR-SE-Á EM DUAS PARTES



Continuando sua exposição, trata da operação da pedra, dizendo que "o que está em baixo é igual ao que está em cima". Disse isso porque, pelo Magistério, a pedra divide-se em duas partes principais: a superior, que vai para cima, e a inferior, que permanece em baixo, fixa e clara. E, sem dúvida, estas duas partes são semelhantes em virtude de ter dito: "o que está em  cima é como o que está em baixo". Certamente esta divisão é necessária. "Para fazer os milagres de uma só coisa", isto é, da Pedra, pois a parte inferior é a Terra, a nutriz e o fermento; a parte superior é a Alma que vivifica toda a Pedra e a ressuscita. Por isso, uma vez realizadas a separação e a conjunção, aparecem os "numerosos milagres" na Obra secreta da Natureza.



   CAPÍTULO III

A PEDRA POSSUI, EM SI MESMA, OS QUATRO ELEMENTOS



E "do mesmo modo que todas as coisas são e vêm do Uno por mediação do Uno". Aqui o Filósofo exemplifica dizendo que todas as coisas "são e vêm do Uno", isto é, de um globo confuso ou de uma massa confusa, "por mediação", quer dizer, pelo pensamento e pela criação do Uno, ou seja, de Deus todo poderoso. Assim, todas as coisas nasceram, ou saíram, desta coisa única, que é uma massa confusa, "por adaptação", unicamente pelo mandado e milagre de Deus, assim, a nossa Pedra nasce e surge de uma massa confusa, que contém em si todos os elementos e que foi criada por Deus, e por seu milagre a  nossa Pedra sai dali e nasce.



CAPÍTULO IV

A PEDRA TEM PAI E MÃE, QUE SÃO O SOL E A LUA



Do mesmo modo que vemos um animal gerar naturalmente outros animais com ele parecidos, assim o Sol gera artificialmente o Sol, pela virtude da multiplicação da pedra, e por isso continua: "o Sol é seu Pai" - o Ouro dos Filósofos. E, dado que em todas as gerações naturais tem de haver um lugar próprio para receber as sementes com uma certa conformidade de semelhança entre as partes, assim também é preciso que, nesta geração artificial da Pedra, o Sol tenha uma matéria que seja a matriz adequada para receber o seu esperma e a sua tintura. E isto é a Prata dos Filósofos, por isso continua dizendo: "a Lua é a sua mãe".



CAPÍTULO V

A CONJUNÇÃO DAS PARTES É A CONCEPÇÃO E A GERAÇÃO DA PEDRA



Quando ambos se recebem um ao outro na concepção da Pedra, esta é engendrada no seio do Vento, e isto é dito em seguida: "o Vento a trouxe em seu seio". Sabe-se que o Vento é o ar, e o ar é vida, e a vida é a alma, que, como já foi dito antes, vivifica a Pedra. Assim, pois, é necessário que o Vento traga toda a Pedra e a transporte, gerando o Magistério. Disso se infere que a Pedra deva receber o alimento de sua nutriz, a Terra. Disse ainda o Filósofo: "a Terra é sua nutriz". Pois, como a criança que sem o alimento que recebe de sua mãe jamais cresceria, assim também a nossa Pedra jamais chegaria a existir sem a fermentação da Terra, e o fermento chama-se alimento. Deste modo, por conjunção do pai com a mãe se geram os filhos, semelhantes aos pais, e que, se são submetidos a um demorado cozimento, tornar-se-ão semelhantes à mãe e terão o peso do pai.



CAPÍTULO VI

A PEDRA É PERFEITA SE A ALMA SE FIXA NO CORPO



Continua: "o pai de tudo, o Telesma de todo o mundo está aqui". Isto é, na obra da Pedra há uma via final. E nota que o Filósofo chama a operação  o "pai de tudo", o "Telesma", ou seja,  todo o tesouro ou segredo de todo o mundo, ou ainda,  toda Pedra que se tenha encontrado neste mundo. "Está aqui", como se dissesse: "aqui te mostro". Pois o Filósofo disse: "Queres que te mostre quando está acabada e perfeita a força da Pedra? Será quando ela se tenha transformado e convertido na sua Terra", por isso disse: "a sua força e potência serão completas, isto é, perfeitas, se se converte e se transforma em Terra". Isto é, se a alma da Pedra (da qual antes se fez menção, dizendo que a alma é chamada Vento ou Ar e que nela está toda a vida e força da Pedra) se transforma em Terra da Pedra e se fixa, de tal maneira que toda a substância da Pedra esteja de tal modo unida à sua nutriz (a Terra) que toda a Pedra se transforme em fermento. De igual modo, quando se faz pão, um pouco de levedura nutre e fermenta uma grande quantidade de massa, mudando assim toda a substância da pasta em fermento; da mesma maneira, o Filósofo indica que a nossa Pedra terá de ser fermentada de modo a servir, ela mesma, de fermento para a  sua própria fermentação.



CAPÍTULO VII

A PURIFICAÇÃO DA PEDRA



Continuando, ensina como se há-de multiplicar a Pedra, mas antes faz referência à purificação da mesma e à separação das suas partes, dizendo: "Separarás a Terra do Fogo, o subtil do espesso, suavemente e com grande perícia". "Suavemente", ou seja, pouco a pouco e sem violência, ou melhor, com espírito e habilidade, e por meio do excremento ou esterqueiro filosofal. "Separarás", isto é, dissolverás, pois a dissolução é a separação das partes. "A Terra do Fogo, o subtil do espesso", isto é, a sujeira e a imundície do Fogo, do Ar, da Água e de toda a substância da pedra, de modo que permaneça, na sua totalidade, sem mancha alguma.



CAPÍTULO VIII

A PARTE NÃO FIXA DA PEDRA HÁ  DE SEPARAR-SE  DA PARTE FIXA  ELEVAR-SE



Assim preparada, a Pedra já pode ser multiplicada. Por isso, aqui coloca a multiplicação e fala da fácil liquefacção ou fusão desta por aquela, virtude que tem de ser penetrante nos corpos densos e subtis, dizendo: "Subirá da Terra ao Céu e de novo descerá à Terra". Aqui, há que indicar que, ainda que a nossa Pedra, durante a sua primeira operação, se divida em quatro partes - os quatro elementos -, existem nela duas partes principais, como já se disse antes: uma que sobe, chamada não fixa ou volátil, e outra que permanece fixa em baixo, chamada Terra ou fermento. Mas há que se ter uma grande quantidade da parte não fixa para se dar à Pedra quando esta estiver limpa e sem manchas, e terá de ser dada por meio do Magistério tantas vezes quantas as necessárias, até que, por virtude do Espírito, ao sublimá-la e fazê-la subtil, toda a Pedra seja levada para cima. Disto fala o Filósofo quando diz: "Sobe da Terra ao Céu".



CAPÍTULO IX

LOGO TERÁ DE SER FIXADA A PEDRA VOLÁTIL



Feito tudo isso, há que se incinerar esta pedra (assim exaltada e elevada ou sublimada), com o azeite extraído dela mesma durante a primeira operação, chamado água da Pedra. E far-se-á que retorne amiúde, sublimando-a, até que, pela virtude da fermentação da Terra (com a Pedra elevada ou sublimada), toda a Pedra desça ao seio da Terra por reiteração, permanecendo fixa e fluida. É isso que disse o Filósofo: "...e descerá de novo à Terra, deste modo recebe a força das coisas superiores", sublimando, "e das inferiores", descendo, isto é, o corporal se tornará espiritual durante a sublimação e o espiritual se tornará corporal durante a descida, quer dizer, quando se reveste de matéria.



CAPÍTULO X

DA UTILIDADE DA ARTE E DA EFICÁCIA DA PEDRA



"Por esse meio, terás a glória do mundo", isto é, com esta Pedra, assim composta, terás a glória de todo o mundo e "toda a obscuridade se afastará de ti", quer dizer, toda pobreza e enfermidade. "É a força forte de toda força", pois não há comparação entre a força desta Pedra e as outras forças deste mundo, "pois vencerá toda coisa subtil e penetrará toda coisa sólida". "Vencerá", ou seja, ao vencer e ao elevar-se, transformará e mudará o mercúrio vivo, congelando-o, por mais subtil e brando que seja, e penetrará os demais metais, que são corpos duros, sólidos e firmes.



CAPÍTULO XI

O MAGISTÉRIO IMITA A CRIAÇÃO DO UNIVERSO



Continuando, o Filósofo dá um exemplo da composição de sua Pedra, dizendo: "Assim foi criado o mundo". Assim, temos que a nossa pedra se faz da mesma maneira que foi criado o mundo, pois as primeiras coisas de todo o mundo, e tudo o que no mundo tenha havido, foi previamente uma massa confusa, sem ordem, um caos, como dito antes. E, depois, por artifício do soberano Criador, essa massa confusa, após ter sido admiravelmente separada e rectificada, foi dividida em quatro elementos; e, devido a tal separação, são feitas diversas e diferentes coisas. Assim também se pode fazer diversas e diferentes coisas pela produção e disposição da nossa Obra e pela separação dos elementos dos diversos corpos. "Disso sairão admiráveis adaptações", isto é, se separares os elementos, far-se-ão as admiráveis composições próprias da nossa Obra, na composição da nossa Pedra, por conjunção dos elementos rectificados. Das quais, isto é, destas coisas admiráveis e adequadas a tal fim, o "meio", quer dizer, o meio de proceder "está aqui".



CAPÍTULO XII

DECLARAÇÃO ENIGMÁTICA DA MATÉRIA DA PEDRA



"Por isso sou chamado Hermes Trismegisto", isto é, Mercúrio três vezes muito grande. Depois de haver mostrado a composição da Pedra, o Filósofo declara, de modo enigmático, de que é feita nossa Pedra, nomeando-se a si mesmo. Em primeiro lugar, para que os seus discípulos, quando chegarem a esta ciência, se recordem sempre do seu nome. Sem dúvida, aquilo com que se faz a Pedra é tratado a seguir quando ele diz "porque tenho as três partes da Filosofia de todo o mundo", que estão, as três, contidas na nossa Pedra, isto é, no Mercúrio dos Filósofos.



CAPÍTULO XIII

POR QUE SE DIZ QUE A PEDRA É PERFEITA



Diz-se que essa Pedra é perfeita porque tem, em si, a natureza das coisas minerais, vegetais e animais, daí ser chamada tríplice e também triuna, isto é tríplice e única, que possui em si quatro naturezas, isto é, os quatro elementos, e três cores: o negro, o branco e o vermelho. Também é chamada "Grão de trigo", que, se não morre, fica sozinho; porém, se morre, (como antes se disse quando se falou da conjunção) trará muitos frutos, assim que se cumpram as operações de que temos falado. Ó amigo leitor! Se já sabes a operação da Pedra, verás que te disse a verdade; se não a sabes, não te disse nada. "O que foi dito da Operação do Sol está cumprido e acabado". O que se disse da operação da Pedra de três cores e de quatro naturezas que estão em uma única coisa, a saber, no Mercúrio Filosofal, está cumprido e acabado.”



A  VERSÃO DE CHIRAM


Segundo Manly P. Hall, a misteriosa Tábua de Esmeralda causou muita celeuma. Um viajante, que a tinha visto em exposição, em Heliópolis, escreveu: "É   uma pedra preciosa, como uma esmeralda, onde caracteres são representadas em baixo relevo, não gravados. É estimada acima de 2.000 anos de antiguidade. Teria sido derretida como o vidro e fundida em um molde, dotando-a o artista de  rara beleza e durabilidade."
Manly P. Hall, eminente ocultista e grande admirador de Max Heindel, apresenta na sua monumental obra The Secret Teachings of All Ages (Los Angeles, CA, Philosophical Research Society, 1977, pp. CLVII e CLVIII ), uma versão da Tábua de Esmeralda  que evoca a antiga Maçonaria, mas também a Ordem Rosacruz, uma vez que Hiram Abiff é uma anterior encarnação de Lázaro, que mais tarde reencarnou como Christian Rosenkreuz, e que consta de uma colecção de manuscritos alquímicos do Dr. Sigismund Bacstrom.

Bacstrom (sec. XVIII – XIX) foi um dos mais importantes eruditos em Alquimia dos últimos tempos. Pouco se sabe da sua vida a não ser que era natural da Escandinávia, que viajou por  todo o mundo como médico a bordo de um navio, e que em 12 de Setembro de 1794, nas Ilhas Maurícias  foi iniciado na Sociedade da Rosa Cruz pelo conde Louis de Chazal, na altura um venerável ancião de 96 anos, que lhe ensinou a Grande Obra. Mais tarde instalou-se em Londres e criou um centro de estudos de Alquimia onde se traduziram inúmeros documentos alquímicos antigos, cuja proveniência permanece em mistério e aos quais Madame Blavatsky teve acesso.

Dr. Sigismund Bacstrom descreve a Tábua de Esmeralda de Hermes da seguinte forma: "o sentido da Tábua  é mais do que suficiente para convencer-nos que o autor estava bastante familiarizado com as operações secretas da Natureza,  e com o segredo do Trabalho Filósofico;  ele mesmo bem conhecia e acreditava no verdadeiro Deus.

Em sua obra, First Principles of Philosophy, Manly P. Hall escreve: "Através da filosofia podemos viver sabiamente. Aqueles que buscam a perfeição na sabedoria, são chamados duplamente-nascidos,  pois encontram na sabedoria um novo nascimento, afastando-se de sua velha vida de incertezas e limitações acercando-se  a uma nova existência illuminada pelo Amor da esfera dos sabios. Aqueles que aprenderam a amar em sua vida mais profunda e mística sentem-se ter escapado da servidão do medo, vivendo em paz com todas as coisas."

O AUTOR

Quando  Salomão empreendeu a construção do célebre templo, pediu ao rei de Tiro, Hiram [4], que lhe fornecesse cedros do Líbano em troca de produtos agrícolas. Hiram rejubilou com tal pedido e, para além da madeira, enviou-lhe um artífice chamado, também, Hiram, ou Huran-Abi,  filho de uma viúva da tribo de Neftali e de um homem de Tiro,  um artista dotado de grande saber, inteligência e habilidade para fazer toda a espécie de trabalhos em ouro, prata, bronze, ferro, madeira, púrpura e linho (1º Rs, 5 e 2ª Cron, 2).

A lenda maçónica vai mais longe e diz que o verdadeiro construtor do célebre monumento foi Hiram Abiff [5], o único homem que conhecia os segredos de um Mestre Maçon, incluindo o maior de todos os segredos, a Grande Palavra Maçónica, o nome de Deus, o nome inefável.

Na construção do templo trabalharam, durante sete anos, mais de 85.000 homens, tendo sido prometido que aos mais laboriosos, os companheiros maçons, seria conferido o grau de Mestre Trabalhador, ou Maçon, no fim da obra.  Porém, houve quinze companheiros que quiseram ser recompensados mais cedo, mas Hiram Abiff recusou; então três deles, Jubela, Jubelo e Jubelum, esperaram que o Mestre saísse do Santo dos Santos, onde ia sempre ao meio dia prestar culto e preparar os planos de trabalho para o dia seguinte, e, sucessivamente, exigiram que lhes fosse revelado o segredo. Hiram foi recusando, mas o terceiro matou-o com um golpe do seu malho. Os três rufias, como ficaram conhecidos na lenda maçónica, enterraram o corpo longe da cidade, assinalaram a sepultura com um ramo de acácia e fugiram. Ao notar a falta do Mestre, os restantes doze companheiros maçons confessaram a Salomão o que se tinha passado e o rei, perante o seu juramento de inocência, mandou-os, em grupos de três, em perseguição dos fugitivos que acabaram por ser capturados e justiçados. Entretanto, ao ver o ramo de acácia, um dos grupos descobriu o corpo e tentou retirá-lo da sepultura, mas não conseguiu; Salomão foi ao local e com o aperto de mão de Mestre Maçon, o Forte Aperto de Mão da Pata do Leão, não só levantou o corpo como o restituiu à vida. A partir de então, a Grande Palavra Maçónica foi passada, apenas, de Mestre  para Mestre Maçon.
      
O TEXTO


            Da obra The Secret Teachings of All Ages tirou-se este texto que Bacstrom afirma ser o  original da Tábua de Esmeralda, bem como a transcrição dos seus manuscritos e as explicações dadas por Manly. P. Hall, que chama a atenção para o facto de os textos originais irem escritos em letras maiúsculas; na tradução, essencialmente literal, respeitei os caracteres em itálico, as iniciais maiúsculas e os parêntesis curvos e rectos.


            “A Tábua de Esmeralda, o Mais Antigo Monumento dos Caldeus relativo ao Lapis Philosophorum (a pedra dos filósofos).

            “A Tábua de Esmeralda fornece a origem da história alegórica do Rei Hiram (Chiram, de preferência). No que respeita a Chiram, Caldeus, Egípcios e Hebreus foram buscar os seus conhecimentos à mesma e única fonte; Homero, que relata esta história de maneira diferente, seguiu esse original e Virgílio seguiu Homero, como Hesíodo aproveitou o assunto para a sua Teogonia, e que Ovídio tomou depois para modelo da sua Metamorfoses. O conhecimento das operações secretas da Natureza constitui o principal sentido de todos estes antigos escritos, mas a ignorância extraiu deles essa mitologia exterior e velada que as classes mais baixas do povo passaram a idolatrar.

            “A genuína tradução do Original e Muito Antigo Caldeu é a seguinte:

             “OS TRABALHOS SECRETOS DE CHIRAM, UM EM ESSÊNCIA, MAS TRÊS EM ASPECTO.

“(As duas primeiras letras grandes significam Trabalho Secreto)

“(A segunda linha de letras grandes diz Chiram Telat Mechasot, ou seja Chiram o Agente Universal, Um em Essência mas três em aspecto)

            “É VERDADE, SEM MENTIRA, CERTO E PARA CONTAR. O SUPERIOR CORRESPONDE AO INFERIOR, E O INFERIOR AO SUPERIOR PARA FAZER AQUELE VERDADEIRAMENTE MARAVILHOSO TRABALHO. COMO TODAS AS COISAS DEVEM A SUA EXISTÊNCIA À VONTADE DO ÚNICO UM, ASSIM TODAS AS COISAS DEVEM A SUA ORIGEM À UMA ÚNICA COISA, A MAIS OCULTA, POR DISPOSIÇÃO DE O ÚNICO DEUS. O PAI DESSA UMA ÚNICA COISA É O SOL, A SUA MÃE É A LUA. O VENTO TRANSPORTOU-A NO SEU VENTRE, MAS A TERRA ESPIRITUAL DEU-LHE O ALIMENTO. ESSA UMA ÚNICA COISA (conforme Deus) É O PAI DE TODAS AS COISAS NO UNIVERSO. O SEU PODER É PERFEITO  DEPOIS DE TER SIDO UNIDO À TERRA ESPIRITUAL.

            “(Processo: Primeira Destilação) SEPARA ESSA TERRA ESPIRITUAL DO DENSO OU GROSSEIRO POR MEIO DE UM CALOR BRANDO COM MUITA ATENÇÃO.

            “(Último Cozimento) EM GRANDE QUANTIDADE ISSO SOBE DA TERRA AO CÉU E DESCE OUTRA VEZ, RENASCIDA, NA TERRA, E O SUPERIOR E O INFERIOR AUMENTAM EM PODER.

O Azoth sobre da Terra desde o fundo do Copo e, voltando a descer por Veios, cai na Terra e por esta circulação contínua o Azoth fica mais e mais subtilizado, Volatilizes Sol, e trás consigo os átomos Solares volatilizados e por isso torna-se Azoth Solar, isto é, o nosso terceiro e genuíno Mercúrio Sófico,  e esta circulação do Azoth Solar tem de continuar até parar por si mesmo e a Terra o tenha sugado todo, altura em que se transforma na matéria negra escura, o Sapo [as substâncias na retorta alquímica e também os elementos mais baixos do corpo humano] , que representa  a completa putrefacção, ou  a Morte do Composto.

            “POR ISTO PARTILHARÁS DAS HONRAS DE TODO O MUNDO.

Sem dúvida, como a matéria escura, negra, tem necessidade de se transformar em Branca e Vermelha, e tendo sido o Vermelho levado à perfeição, medicinalmente e para os Metais, é então completamente capaz de preservar mentem sanam in corpore sano até o período natural da Vida, e assegurar-nos amplos meios, multiplicáveis até o infinito, para ser benevolente e caridoso sem nenhuma diminuição dos nossos inesgotáveis recursos naturais, pelo que isso bem pode ser chamado a Glória [Honras] de Todo o Mundo, como verdadeiramente o estudo e a contemplação do L.P [Lapis Philosophorum], harmonizado com as Divinas Verdades, eleva a mente até Deus, nosso Criador e misericordioso Pai, e se Ele nos permitir possui-lo, a Avareza, Inveja e Más Inclinações são praticamente erradicados, e os nossos corações fundem-se em gratidão para com Ele que tão bondoso tem sido para connosco! Por isso os Filósofos dizem com grande Verdade que o L.P. encontra um homem bom ou o faz.

            “E A ESCURIDÃO FUGIRÁ DE TI.

Revigorando os Órgãos e usando-os para comunicar com os objectos exteriores, a Alma deve adquiri grandes poderes, não só para conceber mas também para reter, e, por isso, se desejamos obter ainda mais conhecimento, os órgãos e as fontes secretas da vida física, sendo maravilhosamente fortalecidas e revigoradas, a Alma adquire novos poderes para conceber e reter, especialmente se pedirmos o conhecimento a Deus e confirmarmos as nossas orações com a fé, toda a Obscuridade tem de ser varrida. Se isto não foi o caso de todos os possuidores, a falta foi sua por se contentaram meramente com a Transmutação dos Metais.

            “ESTE É O FORTALECIMENTO DE TODOS OS PODERES.

È uma figura muito forte, o indicar que o L.P. possui todos os Poderes ocultos na Natureza, não para a destruição, mas para a exaltação e regeneração da matéria nos três Departamentos da Natureza.

            “COM ISTO SERÁS CAPAZ DE VENCER TODAS AS COISAS, A TRANSMUTAR TUDO O QUE É FINO  E O QUE É GROSSEIRO.

É claro que isso conquistará todas as Coisas subtis, como fixará o mais subtil Oxigénio na sua própria Natureza ardente, e isso com mais poder, penetração e virtude, na proporção de um para dez em toda a multiplicação, e cada vez num período mais curto, até o seu poder se tornar incalculável, que o poder multiplicado também penetrará [vencerá] todas as Coisas Sólidas, tais coisas invencíveis Ouro e Prata, ao invés o inalterável Mercúrio, Cristais e Vidro Fundente, aos quais é capaz de dar dureza natural e firmeza, como Philaletha reconhece, e se prova com o Diamante artificial, nos tempos do meu pai, na posse do Príncipe de Lichtenstein em Viena, avaliado em Quinhentos Mil Ducados, preparado pelo Lápis [Pedra dos Filósofos].

            “ASSIM FOI CRIADO O MUNDO; OS ARRANJOS PARA SEGUIR ESTE CAMINHO ESTÃO OCULTOS. POR ESTA RAZÃO SOU CHAMADO CHIRAM TELAT MECHASOT, UM EM ESSÊNCIA MAS TRÊS EM ASPECTO. NESTA TRINDADE ESTÁ OCULTA A SABEDORIA DE TODO O  MUNDO (isto é, em Chiram e no seu Uso].

Diz-se que Hermes foi Moisés ou Zoroastro, Hermes significa uma Serpente e a Serpente costumava ser um Emblema do Conhecimento ou da Sabedoria. A Serpente encontra-se por todo o lado entre os Hieróglifos dos antigos Egípcios, assim é o Globo com Asas, o Sol e a Lua, Dragões e Grifos, por onde quer que os Egípcios mostraram os seus sublimes conhecimentos do Lápis Philosophorum, de acordo com Suídas, as alusões na Escrituras e mesmo com De Non onde fala dos santuários dos antigos templos egípcios.

            “ACABA AGORA O QUE DISSE SOBRE OS EFEITOS DO SOL. FIM DA TÁBUA ESMERALDA.

O que disse ou ensinei do Trabalho Solar está agora acabado. A Semente Perfeita adequada para a multiplicação. “Isto eu sei que é reconhecido ser a genuína Tábua de Esmeralda de Hermes”



CONCLUSÃO


            Parafraseando o Jardineiro dos jardins marítimos, diria que o que se disse da Tábua de Esmeralda, está cumprido e acabado, já que, seja na versão fenícia de Hermes Trismegisto, seja na caldaica de Chiram, dei a conhecer o texto em que se insere o célebre axioma alquímico



“O que está em cima é como o que está em baixo” ...



António Monteiro
Outubro de 2005



[1] In Arcana Mundi,, John Hopkins University Press, 1985, p. 368

[2] Heinrich Khunrath, ou Kunrath, (c. 1560 – 1605), médico alemão e alquimista, autor de uma obra célebre, Amphitheatrum sapientiae aeternae. O seu motto era  “Was helffn Fackeln, Liecht oder Brilln, Wann die Leute nicht sehen wölln?" (Para que servem tochas, luz ou óculos aos que não vêem?)

[3] Thelesma, ou Thelesme, ou ainda Telesmi, palavra difícil, enganosa, que aparece traduzida por estudiosos como coisa completa, expressão que se julga a mais próxima da ideia original.

[4] Hiram, rei de Tiro no século X a.C., foi uma figura histórica.

[5] Abiff é uma expressão hebraica de respeito, que quer dizer pai.

 Fonte: http://www.christianrosenkreuz.org/am_atde.htm

sábado, 1 de agosto de 2020

Reflexão Casual XCVI



"Pior do que o rico que trata o pobre como sub raça, é o próprio pobre que se torna indiferente e soberbo com os seus."

Paulinopax
"

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado 4


Os Upanishads
Upanishad Ishavasya – O Véu Dourado 4


Na aceitação descobrimos o Repouso infinito, e encontramos a qualidade de nosso próprio Ser, Atman, cuja qualidade é igual à de Brahman.

Aceitar aquilo que nos é designado não é procrastinação. A maioria das pessoas adota a atitude de aceitar seu destino na esperança de que o futuro lhe traga felizes novidades. Isso não é aceitação é submissão.

Aceitar o que é dado, é comprometer-se com a correta percepção. Muitas vezes o homem recusa o que lhe é dado porque não vê o que é. Quando percebemos acertadamente, vemos na coisa dada a qualidade da verdade, beleza, a qualidade do próprio Brahman. A experiência da felicidade vem com a própria percepção.

O Upanishad diz “Desfrute o que lhe é designado”, ele não diz “suporte o que lhe é dado”. Aceitar o que é dado é perceber a qualidade de nosso próprio Ser. Com essa correta percepção, o processo do “vir a ser” é livre de tristeza e frustração.

Trabalhando assim, um homem pode desejar uma vida de cem anos, dessa maneira e não de outra maneira suas ações não o aprisionarão.

São as frustrações da mente que fazem o homem parecer mais velho do que é, é a preocupação que esgota suas energias, levando-o à morte prematura ou à velhice.

Aceitando o que nos é dado, ficamos livres de todos os fatores que causam frustrações, e descobrimos nossa vocação (Svadharma).

Cobiçar a riqueza do outro é esquecer nossa própria vocação, e nos envolver na profissão do outro, isso é Paradharma. Não é a ação, mas a reação que aprisiona o homem, pois as reações são fenômenos em cadeia. As reações surgem da pratica da cobiça, o desejo de ter o que o outro tem.

Aquele que faz da aceitação a base da ação é livre de toda servidão aqui e agora. Tal homem pode viver tanto tempo quanto queira, pois adquiriu o controle do movimento do próprio tempo, não é a mente, mas o Espírito que se move nele.

O Upanishad diz “Todo aquele que negligencia o Espírito vai para as regiões da escuridão total”. O Espírito é negligenciado quando no processo do “vir a ser” perde-se o toque vital e vívido do Ser.


Continua...



domingo, 19 de julho de 2020

Jesus Cristo segundo São João Capítulo 14

JOÃO 14


Jesus, caminho para o Pai 1Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? 3E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. 4E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.»

5Disse-lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?» 6Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. 7Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.»

8Disse-lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!» 9Jesus disse-lhe: «Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, ‘mostra-nos o Pai’? 10Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim?

As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras. 11Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, 13e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. 14Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.»


Primeira promessa do Espírito - 15«Se me tendes amor, cumprireis os meus mandamentos, 16e Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco, 17o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; vós é que o conheceis, porque permanece junto de vós, e está em vós.»


Jesus promete voltar - 18«Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós! 19Ainda um pouco e o mundo já não me verá; vós é que me vereis, pois Eu vivo e vós também haveis de viver. 20Nesse dia, compreendereis que Eu estou no meu Pai, e vós em mim, e Eu em vós. 21Quem recebe os meus mandamentos e os observa esse é que me tem amor; e quem me tiver amor será amado por meu Pai, e Eu o amarei e hei-de manifestar-me a ele.»

22Perguntou-lhe Judas, não o Iscariotes: «Porque te hás-de manifestar a nós e não te manifestarás ao mundo?» 23Respondeu-lhe Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada. 24Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou.»


Segunda promessa do Espírito - 25«Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; 26mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.»


Jesus deixa a sua paz - 27«Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. 28Ouvistes o que Eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós.’ Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. 29Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer.

30Já não falarei muito convosco, pois está a chegar o dominador deste mundo; ele nada pode contra mim, 31mas o mundo tem de saber que Eu amo o Pai e actuo como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui!»



Continua...