quinta-feira, 29 de abril de 2021

Upanishad Kena – A noite silenciosa 3


Os Upanishads
Upanishad Kena – A noite silenciosa


O Espírito não pode ser contido pelos opostos. Essa limitação da consciência humana foi belamente expressada nos seguintes versos do Upanishad:

O que não pode ser expresso em palavras, mas pelo qual as palavras são faladas, saibam que somente isso é Brahman, o Espírito , e não o que as pessoas aqui adoram.

O que não pode ser pensado com a mente, mas pelo qual a mente pode pensar, saibam que somente isso é Brahman, e não o que aqui as pessoas adoram.

O que não pode ser visto com o olho, mas pelo qual o olho pode ver, saibam que somente isso é Brahman, o Espírito, e não o que as pessoas aqui adoram.

O que não pode ser ouvido pelo ouvido, mas pelo qual o ouvido pode ouvir, saibam que somente isso é Brahman, o Espírito, e não o que as pessoas aqui adoram.

Enquanto o Espírito contem o ouvido, o olho, a fala e a mente, esses não podem conter o Espírito. O Espírito é imanente nos órgãos, senão os órgãos seriam mortos. Ele é ao mesmo tempo transcendente, não é exaurido pelo órgão, e nem sofre qualquer diminuição por ser imanente no órgão.

O sol envia seus milhões de raios para iluminar todo o seu sistema, contudo ele não deixa seu lugar, nem diminui por ter enviado seus raios. Tudo no sistema solar é mantido por causa da imanência do sol.

Como pode a folha de grama que existe por causa do sol, conhecer a natureza do sol? Os órgãos funcionam por causa do Espírito, mas não podem conhecer aquele espírito.
Os órgãos conhecem todas as coisas através de seus próprios instrumentos funcionais, o ouvido pode conhecer através da função de ouvir, essa função pode ser refinada e tornada sensível, mas nunca poderá conhecer o que é a audição em si.

A mente pode conhecer o que é o pensamento, mas não pode saber o que é pensar. A qualidade do pensar não pode ser captada no processo do pensamento pelo qual funciona. Pensar é um fluxo, não pode ser captado no pensamento que é estático.

Os versos acima dizem que Brahman ou Espírito permanece intangível para as faculdades funcionais dos órgãos. Os versos dizem que Brahman não é o que as pessoas aqui adoram.

O que o homem adora é o que ele captou com suas faculdades funcionais, ele adora o Imanente, mas esquece que o Espírito não pode ser contido na estrutura do Imanente.

O que mantém o Imanente vivo é o Transcendente, que não pode ser captado pelas faculdades funcionais.


Continua...

Fonte:https://osmirclemente.wordpress.com/upanishad-kena-a-noite-silenciosa/

domingo, 18 de abril de 2021

APÓCRIFO DE JOÃO II


O Livro Secreto de João
A Revelação Secreta de João


E eu perguntei por curiosidade, e ele me disse, "A União é uma monarquia com nada acima dela. É o Deus e Pai do Todo, o sagrado, o invisível, que existe acima do Todo. Aquele que é o Pai de imperecibilidade, existindo como luz pura, dentro da qual nenhum olho consegue olhar.

Ele é o Espírito Invisível. Não é correto pensar Dele como um deus, ou algo similar. Porque Ele supera divindade. É um domínio que não tem nada acima Dele para governá-lo. Porque não há nada existindo antes Dele, nem Ele necessita deles. Ele não necessita de vida. Pois Ele é eterno. Ele não precisa de nada. Ele não pode ser aperfeiçoado, como se Ele fosse deficiente e necessitasse de aprimoramento; pelo contrário, Ele é sempre completamente perfeito. Ele é luz. Ele não pode ser limitado, já que não há nada anterior a Ele para o limitar. Ele é insondável, já que não existe ninguém anterior a Ele para o examinar. Ele é imensurável, porque não há alguém anterior a Ele que possa medí-lo. Ele é invisível, já que ninguém é capaz de visioná-lo. Ele é uma eternidade existindo eternamente. Ele é inefável, já que ninguém foi capaz de compreendê-lo para falar sobre Ele. Ele é inominável, já que não há ninguém anterior a Ele para dar-lhe um nome.

Ele é luz imensurável, o puro, que é sagrado e impoluto. Ele é inefável, sendo incorruptivelmente perfeito. Ele não é perfeição, nem bem-aventurança, nem divindade, pois Ele é algo muito superior a estes. Ele não é indelimitado nem delimitado, mas Ele é algo muito superior a estes. Ele não é corpóreo nem incorpóreo. Ele não é grande nem pequeno. Ele não é uma quantidade. Ele não é uma criatura. Nem é possível que alguém o compreenda. Ele não é algo que pertença ao Todo que existe, pelo contrário, Ele é algo que é melhor do que isso. Não que Ele seja simplesmente superior, como se Ele fosse comparável aos outros, mas Ele é algo que pertence a Si próprio.

Ele não participa em um aeon (como parte constituinte dele). O tempo não existe em relação a Ele. Pois qualquer um que participa em um aeon foi criado. O tempo não foi determinado a Ele, já que Ele não recebe nada de outro que estabelece limites. E Ele não necessita de nada. Nada do Todo existe antes Dele. Ele é suficiente para si próprio em sua luz perfeita. Porque a perfeição é majestosa. Ele é mente pura imensurável. Ele é um aeon doador-de-aeon. Ele é vida doadora-de-vida. Ele é uma bem-aventurança doadora-de-bem-aventurança. Ele é sabedoria doadora-de-sabedoria. Ele é bondade dodadora-de-bondade. Ele é piedade e redenção doadores-de-piedade. Ele é graça doadora-de-graça, não porque ele as tem, mas porque Ele doa a luz imensurável e incompreensível.


Continua...

domingo, 11 de abril de 2021

O CAIBALION 06


O CAIBALION
Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia


CÁPÍTULO VI - PARADOXO DIVINO

"Os falsos sábios, reconhecendo a irrealidade comparativa do Universo, imaginaram que podiam transgredir as suas Leis: estes tais são vãos e presunçosos loucos; eles se quebram na rocha e são feitos em pedaços pelos elementos, por causa da sua loucura. O verdadeiro sábio, conhecendo a natureza do Universo, emprega a Lei contra as leis, o superior contra o inferior; e pela Arte da Alquimia transmita aquilo que é desagradável naquilo que é agradável, e deste modo triunfa, O Domínio não consiste em sonhos anormais, em visões, em vida e imagInações fantásticas, mas sim no emprego das forças superiores contra . as inferiores, escapando assim das penas dos pia−nos inferiores pela vibração nos superiores. A Transmutação não é uma denegação presunçosa, é a arma ofensiva do Mestre."

Este é o Paradoxo do Universo, que resulta do Princípio de Polaridade que se manifesta quando o TODO começa a Criar. É necessário prestar atenção, porque isto estabelece a diferença entre a falsa e a verdadeira sabedoria. Enquanto que para o TODO INFINITO, o Universo, as suas Leis, as suas Forças, a sua Vida e os seus Fenômenos, são como pensamentos presentes no estado de Meditação ou Sonho; para tudo o que é Finito, o Universo deve ser considerado como Real, e a vida, a ação e o pensamento devem ser baseados nele, de modo a concordar com um preceito da Verdade superior; cada qual concordando com o seu próprio Plano e suas Leis. Se o TODO imaginasse−que o Universo era verdadeira Realidade, desgraçado do Universo porque ele não poderia subir do inferior ao superior que a deificação; então o Universo ficaria fixo e o progresso seria impossível.
E se o Homem, devido à falsa sabedoria, considerar as ações, vidas e pensamentos do Universo, como um mero sonho (semelhante aos seus próprios sonhos finitos), então ele o faz tão conveniente para si, e, como um dormidor que está passeando, tropeça sempre num círculo vicioso, sem fazer progresso algum, sendo, por fim, despertado por uma queda terrível, provenIente das Leis Naturais que ele ignora. Conservai sempre a vossa mente nas Estrelas, mas deixai os vossos olhos verem os vossos passos para não cairdes na lama, por causa da vossa contemplação de cima. Lembrai−vos do Paradoxo Divino, que ao mesmo tempo que o Universo NÃO EXISTE, ELE EXISTE. Lembraí−vos sempre dos dois Pólos da Verdade: o Absoluto e o Relativo. Tomai cuidado com as Meias−Verdades.
Aquilo que os Hermetistas conhecem como a Lei do Paradoxo é um aspecto do Princípio de Polaridade. Os escritos herméticos estão cheios de referências ao aparecimento de Paradoxos na consideração dos problemas da Vida e da Existência. Os Instrutores previnem constantemente os seus discípulos contra o erro de omitir o outro lado de cada questão. E as suas admoestações se referem particularmente aos problemas do Absoluto e do Relativo, que deixam perplexos todos os estudantes de filosofia, e que causam muitas idéias e ações contrárias ao que é geralmente conhecido como senso comum. Nós prevenimos a todos os estudantis que fiquem certos de compreender o Paradoxo Divino do Absoluto e do Relativo, para não ficarem atolados na lama da Meía−Verdade. É para este fim que foi escrita esta lição particular. Aprendei−a bem!
O primeiro pensamento que o homem pensador tem, depois que ele compreende bem a verdade que o Universo é uma Criação Mental do TODO, é que o Universo, e tudo o que ele contém, é mera ilusão, irrealidade; idéia contra a qual os seus instintos se revoltam. Contudo esta, como todas as outras grandes verdades, pode ser considerada sob os pontos de vista Absoluto e Relativo. Sob o ponto de vista Absoluto o Universo comparado com O TODO em si é de natureza duma ilusão, dum sonho, duma fantasmagoria. Sempre reconhecemo−lo em nossas vistas ordinárias, porque falamos do mundo como um espetáculo transitório que vai e vem, nasce e morre, por causa do elemento de impermanência e mudança, limitação e insubstancialidade; idéia esta que está em relação com a de um Universo criado, ao passo que contrasta com a idéia do TODO. Filósofos, metafísicos, cientistas e teólogos, todos são concordes sobre este ponto, que é fundado em todas as formas de idéias filosóficas e religiosas, assim como nas teorias das respectivas escolas metafísicas e teológicas.
Assim, as doutrinas herméticas não ensinam a insubstancialidade do Universo com palavras mais altíssonas do que as que vos são familiares, mas, apesar disso, o seu modo de encarar o assunto parecerá uma coisa mais assustadora. Uma coisa que tem um princípio e um fim pode ser considerada, em certo sentido, como irreal e não verdadeira; e, conforme todas as escolas de.− pensamento, o Universo está sob esta lei. No ponto Absoluto de vista, nada há real a não ser o TODO, que não pode ser realmente explicado. Ou o Universo é criado da Matéria, ou é uma criação mental na Mente do TODO: ele é insubstancial, não−duradouro, uma coisa de tempo, espaço e mobilidade. É necessário compreenderdes cabalmente isto, antes de, passardes a examinar as concepções herméticas sobre a natureza mental do Universo. Examinai cada uma das outras concepções e vereis que elas não são verdadeiras.
Mas o ponto de vista Absoluto mostra um só lado do Panorama; o outro lado é o Relativo. A Verdade Absoluta foi definida como sendo as Coisas como a mente de Deus as conhece, ao passo que a verdade Relativa são as Coisas como a mais elevada razão do Homem as compreende. Assim, ao passo que para o Todo o Universo é irreal e ilusório, um simples sonho ou resultado de meditação; para as mentes finitas que fazem parte deste mesmo Universo e o observam através das suas faculdades, ele é verdadeiramente real e assim deve ser considerado. Ao reconhecer o ponto de vista absoluto, não devemos cometer o erro de negar ou ignorar os fatos e fenômenos do Universo do modo como estes se apresentam às nossas faculdades: lembremos que não somos o TODO.
Para dar um exemplo familiar, todos reconhecemos que a Matéria existe para os nossos sentidos, e estaríamos errados a mente finita se o não reconhecêssemos. Mas, sempre a nossa mente finita compreende a afirmação científica que, falando cientificamente, não há nada mais que a Matéria; aquilo que chamamos Matéria é considerado como sendo simplesmente uma agregação de átomos, os quais são um grupo de unidades de forças chamadas elétrons ou íons, que estão em constante vibração e movimento circular. Batemos numa pedra e sentimos o baque; parece ser uma coisa real, mas é simplesmente o que dissemos acima. Mas lembramo−nos que o nosso pé, que sente o baque, também é Matéria, e portanto é constituído de elétrons, porque esta matéria também é nosso cérebro. E, para melhor dizer, se não fosse por causa da nossa Mente, absolutamente não poderíamos reconhecer o pé ou a pedra.
Assim, o ideal do artista ou escultor, que ele tanto esforça para reproduzir na tela ou no mármore, parece verdadeiramente real para ele. Assim se produzem os caracteres na mente do autor ou dramaturgo, o qual procura expressá−los de modo que os outros os possam reconhecer. E se isto é verdade no caso da nossa mente fínita, qual não será o grau de Realidade nas imagens Mentais criadas na Mente do Infinito? õ amigos, para os mortais este Universo de Mentalidade é verdadeiramente real; é o único que sempre podemos conhecer, ainda que subamos de planos a Planos cada vez mais elevados. Para conhecê−lo de outro modo, pela experiência atual, teríamos de ser o TODO mesmo. É verdade que quanto mais alto nos elevamos na escada − alcançamos as proximidades da mente do Pai − as coisas mais visíveis tomam a natureza ilusória das coisas finitas, Mas antes que o TODO nos retire em si a visão atual não desaparece.
Assim, não devemos viver acima das formas da ilusão. Desde que reconhecemos a natureza real do Universo, procuremos compreender as suas leis mentais e nos esforcemos em empregá−las para obtermos melhor resultado no nosso progresso através da vida, ao caminharmos de um plano a outro plano de existência. As Leis do Universo não são as pequenas Leis Férreas, por causa da sua natureza mental. Tudo, exceto o TODO, é limitado por elas. Aquilo que está NA MENTE . INFINITA DO TODO é REAL em grau relativo a esta mesma Realidade que é revestida na natureza do TODO. Não fiquemos, pois, incertos e atemorizados: somos todos FIRMEMENTE CONTIDOS NA MENTE INFINITA DO TODO e nada nos pode prejudicar e nos intimidar. Não há força fora do TODO para agir sobre nós. Podemos, pois, ficar calmos e tranqüilos. Há um mundo de conforto e tranqüilidade nesta realização depois de atingida. Então "calmos e tranqüilos repousaremos, embalados no Berço do Abismo"; ficando sem perigo no seio dc. Oceano da Mente Infinita, que é o TODO. NO TODO, move,remos, viveremos e teremos nossa existência.

Continua...

domingo, 4 de abril de 2021

Reflexão Casual CIV



Podemos nos enganar pelas paixões, motivada por fortes emoções, sendo arrastado pelos vazios e carências de nossa alma, mas quando se experimenta amar de verdade de forma profunda e concreta, jamais se engana e nunca se arrepende mesmo na dor do abandono, pois na dinâmica do amor tudo se vale à pena, se eterniza.

Paulinopax

quinta-feira, 25 de março de 2021

Upanishad Kena – A noite silenciosa 2


Os Upanishads
Upanishad Kena – A noite silenciosa


Os Upanishads descrevem essa Qualidade como Espírito.

Ali o olho não vai, nem as palavras, nem a mente. Não conhecemos, não podemos compreender, como então podemos explicar o que Isso é?

Não se chega a Qualidade separando e examinando cada parte minuciosamente, embora a parte se torne viva pelo toque da Qualidade. O Espírito ou Qualidade está acima do conhecido e também do desconhecido. Aquilo que é conhecido é o produto conceitual da mente.

Um pensamento é a cristalização do pensar, e o pensar tem uma qualidade fluente e viva, contudo permanece isolado da qualidade viva do pensar, portanto não tem a Qualidade da vida em si. Um pensamento é algo sem vida. O Espírito não pode ser conhecido pelo pensamento.

A mente que declara algo como desconhecido faz isso apenas através do instrumento do pensamento. O conhecido e o desconhecido são apenas rótulos do pensamento, são apenas os opostos do pensamento.


Continua...

Fonte:https://osmirclemente.wordpress.com/upanishad-kena-a-noite-silenciosa/

segunda-feira, 22 de março de 2021

Igreja Católica: História Divinamente Humana

Divinamente Humana?

Paulo da Costa Paiva 

       Acredito que Deus se manifesta e age inicialmente de forma misteriosa e confusa para mexer e remexer com nossa alma até no mais profundo de nosso coração, para nos forçar a mergulhar no íntimo do amor divino... Sei que já peguei muito pesado em criticar a RCC como também a TL(Teologia da libertação). No caso da TL, acredito que praticamente não existe mais como movimento de massa dentro da Igreja, diminuiu consideravelmente nas últimas décadas teve sua importância histórica, onde a Igreja estava sendo profeta para aqueles que não tinha voz e vez... Mas com a queda dos governos ditatoriais, o movimento se limitou exclusivamente a idéias marxista e esvaziando-se da essência evangélica.


       Já a RCC, que em cima de fato não tinha como  argumentar, surgiu por influência protestante no meio pentecostais, que desde do início do século XX  já orava em línguas, repousava no espírito como outros diversos dons carismáticos, manifestados através do suposto batismo no espirito. O pentecostalismo penetrou dentro da Igreja Católica após o Concílio Vaticano II, sendo um fato inquestionável, por mais que queiram ocultar, não tem como... Mas, dando a mão a palmatória, reconheço que esse movimento pentecostal católico, frutificou  e arrastou multidões, principalmente jovens para dentro da Igreja. Surgindo inúmeras vocações e consequentemente novas comunidades, missões e pastorais. 


      Como então explicar essa origem que veio de nossos irmãos protestante? Se dizermos que sua origem é bíblica, porque então desapareceu ou adormeceu  com o decorrer dos séculos? Eu não sei a resposta, mas desejo muito ter uma compreensão  convincente sobre essa situação ainda velada da grande manifestação carismática , que veio inicialmente com os protestante(50 anos antes) mas que se firmou e frutificou principalmente dentro da Igreja Católica.


Paz e Bem!

domingo, 21 de março de 2021

APÓCRIFO DE JOÃO


O Livro Secreto de João
A Revelação Secreta de João

 

E aconteceu um dia, quando João, irmão de Tiago (que são os filhos de Zebedeu), ele havia subido ao templo, e um Fariseu chamado Arimanes o aproximou e disse, "Onde está seu mestre a quem você seguia?" E João respondeu, "Ele retornou para o lugar de onde ele veio." O Fariseu disse a ele, "Este Nazareno os enganou com ilusão, ele encheu suas orelhas com mentiras, fechou seus corações e desviou vocês das tradições dos seus pais."

Quando eu, João, ouvi estas coisas, eu abandonei o templo e fui para um lugar deserto. E eu fiquei muito angustiado em meu coração, dizendo, "Como então o salvador foi escolhido? Por que ele foi enviado ao mundo pelo Pai dele? Quem é o Pai dele que o enviou? De que tipo é aquele aeon para o qual nós deveremos ir? Pois o que ele quis dizer quando ele nos falou, 'Este aeon para o qual vocês irão é do tipo de aeon imperecível', mas ele não nos ensinou sobre este último."

Enquanto eu estava contemplando estas coisas, imediatamente, veja, os céus se abriram e a criação que está abaixo de todos os céus brilhou, o mundo inteiro estremeceu. Eu tive medo, no entanto, veja, na luz eu vi uma criança que ficou diante de mim. Enquanto eu observava, ele se tornou um homem velho. E ele mudou sua aparência novamente, se tornando um jovem. Não eram vários diante de mim, mas sim uma aparência com múltiplas formas na luz. E uma aparência surgia através da outra. A aparência tinha três formas.

Ele me disse, "João, João, por que você duvida, ou por que você está assustado? Esta imagem não é estranha para você, é? - portanto, não seja medroso! - Eu sou aquele que está com vocês sempre. Eu sou o Pai, eu sou a Mãe, eu sou o Filho. Eu sou o inviolado e impoluto. Agora eu vim para te ensinar sobre o que é, o que foi, e o que será, para que você conheça tanto as coisas que estão invisíveis quanto aquelas que estão visíveis, e te ensinar a respeito da raça inabalável do Homem perfeito. Agora, em vista disso, levante seu rosto, para que você possa receber as coisas que eu irei te ensinar hoje, e possa contar para aqueles espíritos que são seus companheiros da raça inabalável do Homem perfeito."


Continua...

domingo, 14 de março de 2021

O CAIBALION 05


O CAIBALION
Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia


CAPÍTULO V –  O UNIVERSO MENTAL

"O Universo é Mental: ele está dentro da mente d’O TODO.

O TODO é ESPÍRITO! Mas que é Espírito? Esta pergunta não pode ser respondida, porque a sua definição seria praticamente a do TODO, que não pode ser explicado nem definido. Espírito é um simples nome que os homens dão às suas mais elevadas concepções da Infinita Mente Vivente; esta palavra significa a Essência Real; significa a Mente Vivente, tão superior à Vida e à Mente tais como as Conhecemos, quanto estas últimas são superiores à Energia mecânica e à Matéria. O Espírito é superior ao nosso entendimento, e só empregamos este termo para podermos falar do TODO. No juízo dos pensadores e inteligentes estamos justificados falando do Espírito como Infinita Mente Vivente, e reconhecendo que não Podemos compreende−Ia, quer raciocinando sobre ela, quer estudando a matéria na sua totalidade. Façamos agora uma consideração sobre a natureza do Universo, quer no seu todo, quer nas suas partes. Que é o UniverSO? Dissemos que nada há fora do TODO. Então o Universo é O TODO? Não; não o é; porque o Universo parece ser formado de MUITOS, e está constantemente mudando, ou, por outras palavras, ele não pode ser comparado com as idéias que estabelecemos a respeito do TODO. Então, se o Universo não é o TODO, ele é o Nada; tal é a conclusão inevitável da mente à primeira idéia. Mas esta não satisfaz a questão, porque sentimos a existência do Universo. Ora, se o Universo não é O TODO, nem o Nada, que será então? Examinemos a questão. Se verdadeiramente o Universo existe, ou parece existir, ele procederá diretamente do TODO, poderá ser uma criação do TODO. Mas como poderá alguma coisa sair do nada, de que O TODO a teria criado? Vários filósofos responderam a esta pergunta, dizendo que TODO criou o Universo de si MESMO, isto é, da existência e substância do TODO. Mas isto não pode ser, porque o TODO não pode ser dividido ou diminuído, como já vimos, e se isto fosse verdade, cada partícula do Universo não poderia deixar de conhecer o seu ente − O TODO; o TODO não perderia o conhecimento próprio, nem SE TORNARIA atualmente um átomo, uma força cega ou uma coisa de vida humilde. Com efeito, alguns homens, julgando que o TODO é exatamente TUDO, e reconhecendo também que eles, os homens, existem, aventuraram−se a concluir que eles eram idênticos ao TODO, e atroaram os ares com os seus clamores de "EU SOU DEUS!" para divertimento da multidão e sorriso dos sábios. O clamor do corpúsculo que dissesse: "Eu sou Homem!", seria mais modesto em comparação. Mas, que é, pois, o Universo, se não for o TODO separando a si mesmo em fragmentos? Que outra coisa poderá ser? De que coisa poderá ser feito? Esta é a grande questão. Examinemo−la bem. Reconhecemos que o Princípio de Correspondência (vide a primeira lição) vem em nosso auxílio aqui. O velho axioma hermético "o que está em cima é como o que está embaixo", pode ser empregado com êxito neste ponto. Permiti− nos fazer uma rápida hipótese sobre os planos elevados,’examínando−os em nós mesmos. O Princípio de Correspondência aplica−se a este como a outros problemas. Vejamos, pois! No seu próprio plano de existência, como cria o Homem? Primeiramente, ele pode criar, fazendo alguma coisa de materiais exteriores. Mas assim não pode ser, porque não há materiais exteriores ao TODO, com os quais ele possa criar. Em segundo lugar, o Homem procria ou reproduz a sua espécie pelo processo da geração que é a própria multiplicação por meio da transformação de uma parte da sua substância na da sua prole. Mas, assim também não pode ser, porque o Todo não pode transferir ou subtrair uma parte de si mesmo, assim como reproduzir ou multiplicar a si mesmo: no primeiro caso haveria uma revogação da lei, e no segundo, uma multiplicação ou adição do TODO, idéias totalmente absurdas. Não há nenhum outro meio pelo qual O HOMEM cria? Sim, há; ele CRIA MENTALMENTE! E deste modo, não emprega materiais exteriores, não reproduz a si mesmo, e, apesar disso, o seu Espírito penetra a Criação Mental.
Conforme o Princípio de Correspondência, temos razão de considerar que O TODO CRIA MENTALMENTE o Universo, de um modo semelhante ao processo pelo qual o Homem cria as Imagens mentais. Este é o testemunho da Razão, que concorda perfeitamente com o testemunho do Iluminado, como ele o manifesta pelos seus ensinos e escritos. Assim são os ensinamentos do Sábio. Tal era a doutrina de Hermes. O TODO não pode criar de outro modo senão mentalmente, sem empregar qualquer material (nada há para ser empregado),, e nem reproduzir a si mesmo (o que é também impossível). Não se pode escapar desta conclusão da Razão, que, como dissemos, concorda com os mais elevados preceitos do Iluminado. justamente como vós podeis criar um Universo de vós mesmos na vossa mentalidade, aSSiM O TODO cria Universo na sua própria Mente. Mas o vosso Universo é criação mental de uma Mente finita, enquanto que o do TODO é criação de uma Mente Infinita. Ambos são análogos em natureza, mas infinitamente diferentes em grau. Vamos examinar cuidadosamente como fazemos nos processos de criação e manifestação. Mas antes de tudo é preciso fixardes as vossas mentes nesta frase: O UNIVERSO, E TUDO O QUE ELE CONTÉM, É UMA CRIAÇÃO MENTAL DO TODO. COM efeito, O TODO É MENTE!

" O TODO cria na sua Mente infinita inumeráveis Universos, que existem por eons de Tempo; e contudo, para O TODO, a criação, o desenvolvimento, o declínio e a morte de um milhão de Universos é como que o tempo do pestanejar dum olho." 

"A Mente Infinita d’O TODO é a matriz dos Universos."

O Princípio de Gênero (vide lição primeira e seguintes) é manifestado em todos os planos de vida, quer materiais, mentais ou espirituais. Mas, como já dissemos, Gênero não significa Sexo; o sexo é simplesmente uma manifestação material do, gênero. Gênero significa relativo à geração ou criação. Em qualquer lugar, em qualquer plano, em que uma coisa é criada ou gerada, o Princípio de Gênero se manifesta. E isto é verdade mesmo na criação dos Universos. Mas, não se deve concluir disto que ensinamos haver um Deus ou Criador macho e fêmea. Esta idéia é um desvio dos antigos preceitos sobre este assunto. O verdadeiro ensinamento é que o TODO em si mesmo está fora do Gênero, assim como de qualquer outra Lei, mesmo as do Tempo e do Espaço. Ele é a Lei de que todas as Leis procedem e não está sujeito a elas. Contudo, quando O TODO se manifesta no plano de geração ou criação, os seus atos concordam com a Lei e o Princípio, porque se realizam num plano inferior de existência. E, por conseguinte, ele manifesta no Plano Mental o Princípio de Gênero, nos seus aspectos Masculino e Feminino.
Esta idéia poderá causar admiração a alguns de vós, que aprendem−na pela primeira vez, mas todos vós aceitaste−a passivamente nas vossas concepções diárias. Falais na Paternidade de Deus e na Maternidade da Natureza; de Deus, o Pai divino e da Natureza, a Mãe universal; logo, reconheceis instintivamente o Princípio de Gênero no Universo. Não é verdade? Mas a doutrina hermética não exprime uma dualidade real: O TODO é um; os dois aspectos são simplesmente aspectos de manifestação. O ensinamento é que o Princípio Masculino manifestado pelo TODO só impede a destruição da concepção atual do Universo. Ele projeta o seu Desejo no Princípio Feminino (que se chama Natureza), ao mesmo tempo que este último começa a obra atual da evolução do Universo, desde os simples centros de atividade até o homem, e subindo cada vez mais de acordo com as bem−estabelecidas Leis da Natureza. Se dais preferência aos velhos modos de expressão, podeis considerar o Princípio Masculino COMO DEUS, o Pai, e o Princípio Feminino COMO a NATUREZA, a Mãe Universal, em cuja matriz toclas as coisas foram geradas. Isto não é simplesmente uma ficção poética de linguagem; é uma idéia do processo atual de criação do Universo. Mas é preciso não esquecer que O TODO é um, e que o Universo é gerado, criado e existe na sua Mente Infinita. Isto vos permitirá fazer uma idéia de vós mesmos, se quiserdes aplicar a Lei de Correspondência à vossa própria mente e a vós mesmos. Sabeis que a parte de Vós que chamais Eu. em certo sentido, sustenta e prova a criação de Imagens mentais na vossa própria mente. A parte da vossa mente em que é realizada a geração mental pode ser chamada o eu inferior, distinto do Eu. que sustenta e examina os pensamentos, as idéias e as imagens do eu inferior. Reparai bem que "o que está em cima é como o que está embaixo", e que os fenômenos de um plano podem ser empregados na solução dos enigmas de planos superiores ou inferiores.
Será para admirar que Vós, os filhos, sintais esta instintiva reverência pelo TODO, sentimento que chamamos religião; esta reverência e este respeito para com a MENTE− PAI? Será para admirar que, ao considerar as obras e as maravilhas da Natureza, fiqueis dominado por um grande sentimento que tem sua origem fora do vosso íntimo ser? É a MENTE−MÃE que vos estreita, como a mãe estreita seu filho ao seio.
Não deveis cometer o erro de crer que o pequeno mundo que vedes ao redor de vós, a Terra, que é simplesmente um grão de areia em comparação com o Universo, seja o próprio Universo. Existem milhões de mundos semelhantes e maiores. Há milhões e milhões de Universos iguais em existência dentro da Mente Infinita do TODO. E mesmo no nosso pequeno sistema solar há regiões e planos de vida mais elevados que os nossos, −e entes, em comparação aos quais nós, míseros mortais, somos como as viçosas formas viventes que habitam no fundo do oceano, comparadas ao Homem. Há entes com poderes e atributos superiores aos que o Homem sonhou ser possuído pelos deuses. Não obstante, estes entes foram como vós e ainda inferiores, e, com o tempo, vós podeis ser como eles ou superiores a eles; porque, como diz o Iluminado, tal é o Destino do Homem.
A Morte não é real, ainda mesmo no sentido relativo; ela é simplesmente o Nascimento a uma nova vida, e continuareis sempre de planos elevados de vida a outros mais elevados por eons e eons de tempo. O Universo é vossa habitação e estudareis os seus mais distantes a@,essos antes do fim do Tempo, Residis na Mente Infinita do TODO, e as vossas potencialidades e oportunidades são infinitas mas somente no tempo e no espaço. E no fim do Grande Ciclo de EONS, O TODO recolherá em si todas as suas criações; porém, vós continuareis alegrernente a vossa jornada, porque então querereis preparar−vos para conhecer a Verdade Total da existência em Unidade com O TODO.
E, quando estiverdes na metade do caminho, estareis calmos e serenos; sois seguros e protegidos pelo Poder Infinito da MENTE−MÃE. "Dentro da Mente Pai−Mãe, o filho mortal está na sua morada." 

"Não há nenhum órfão de Pai ou de Mãe no Universo."

Continua...

domingo, 7 de março de 2021

Reflexão Casual CIII



“O Mal que se pratica, levará as conseqüências de suas escolhas, pois do mesmo modo que optou pelo gozo do ilusório poder que te faz matar seu semelhante, inúmeras oportunidades haveria também de fazer o bem... Pode até tardar o mal que se faz, mas ela retorna na mesma violência que se originou e cobrará até a última gota de sangue no zelo cósmico da vida."

Paulinopax

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Upanishad Kena – A noite silenciosa


Os Upanishads
Upanishad Kena – A noite silenciosa


Em nenhum dos Upanishads o instrutor fala com um ar definitivo, ele encoraja seus alunos para que façam tantas perguntas quanto possível. Um estado de investigação é saudável para a mente humana, mas devemos distinguir entre curiosidade e investigação.

A curiosidade surge de uma mente superficial, a investigação emerge das profundezas da consciência humana. Uma investigação profunda se ocupa com três questões: Como, Porque e O quê.

Toda investigação cientifica física ou oculta relaciona-se com o “Como”. A filosofia com o “Porque” e o misticismo com “O quê” está por trás de todos os padrões e motivações do comportamento.

Quem envia a mente a vagar na distancia? Quem pela primeira vez conduz a vida para iniciar sua jornada? Quem nos impele a proferir essas palavras? Quem é o Espírito por trás do olho e do ouvido?

O questionador não está preocupado com o “Como”e o “Porque”. A resposta do instrutor é iluminadora:
É o ouvido do ouvido, O olho do olho, a palavra das palavras,
a mente da mente e a vida da vida.

Trata-se da força propulsora, é o ouvido do ouvido que impele o ouvido a ouvir, e assim por diante. Há algo mais do que meramente o ouvido, o olho, a fala, ou a mente que impele estes órgãos a desempenhar suas funções.

O instrutor indica que é a Qualidade do ouvir que impele o ouvido a ouvir, até a Qualidade do pensamento que impele a mente a pensar.

A ciência física propõe que o “órgão precede a função”, o que levou a ciência a um beco escuro. Os Upanishads propõem o contrario, “a função precede o órgão”, é a função que impele o órgão. A função pode e trás a existência uma variedade de órgãos.

A função busca criar instrumentos de expressão cada vez mais refinados. A função se expressa através do órgão e ainda assim, está por trás do órgão.

Cientista algum pode encontrar a Qualidade do ouvido dissecando o ar, o mesmo com os outros órgãos.

A fala não é apenas uma coleção de palavras, senão ela nunca se tornaria inteligente, há uma Qualidade que confere “vida”às palavras, outra Qualidade que dá aos pensamentos aquele fator que os torna vivos. Essa força propulsora é a Vida da Vida. Há uma diferença entre Vida e mera existência.

Aquilo que transforma a existência em vida é a Qualidade do viver, e é sua presença que torna tudo vivo.

A beleza de um poema não está só na gramática, está na qualidade viva que foi transmitida em palavras.


Continua...

Fonte:https://osmirclemente.wordpress.com/upanishad-kena-a-noite-silenciosa/