sábado, 19 de novembro de 2016

O homem como o sujeito de sua própria história...

Homem, Imagem e semelhança de Deus
           Paulo da Costa Paiva, OFS

         O homem como o sujeito de sua própria história, interagindo com o mundo em suas diversas épocas, em inúmeras regiões e contextos deixou sua contribuição no decorrer dos séculos com um legado que nem sempre é positivo, mas que nunca se omitiu em deixar a sua marca (característica) na história. O homem que desde os primórdios se mostra inquieto no que se refere aos mistérios inalcançáveis de Deus necessita-se da fé para aceitar e buscar algo além de sua compreensão, buscando articular um contato, uma relação próxima com essas divindades. Nesse processo histórico se observa as variadas formas de manifestações na relação humana com o divino, sempre tendo como ponto de partida a  experiência do homem com Deus. O Homem em sua totalidade como o centro (sujeito) de estudo cientifico no processo histórico, acredita-se que deu seus primeiro passos durante a Revolução iluminista (Séc. XVIII) como também segundo algumas correntes pode ter sido desenvolvido bem antes, por séculos que remotos na Antiguidade Clássica. No contexto religioso, mas precisamente no cristianismo não se existia um documento especifico de forma relevante sobre o homem em sua totalidade, apesar de existir em praticamente todos escritos da literatura e do magistério cristã referências ao homem. No concílio Vaticano II mas precisamente na constituição pastoral Gaudium et spes é apresentada uma síntese da atual  sociedade de grande valor antropológico, tendo como o essencial a consideração do homem em sua unidade como também a sua totalidade em suas diversas dimensões, que tem como objetivo iluminar a humanidade diante das problemáticas contemporâneas e existenciais que atormenta e muitas das vezes à deixa sem norte.
            A Constituição Gaudium et spes se inicia falando das verdades fundamentais do homem desde sua criação, passando pela infidelidade da desobediência que o levou a pecar, mostrando a imaturidade diante da liberdade concebida por Deus e as conseqüência de suas escolhas. Apresenta também,  o homem em sua totalidade constituída (Corpo e alma), com a sua dignidade, inteligência e princípios morais. Mostrando sua relação com Deus, sua vocação ao dialogar  e colocar seus questionamentos diante de uma sociedade que se afasta cada vez mais do transcendente, problematizando uma ateísmo crescente na contemporaneidade, e diante disso como a Igreja responde essa situação iluminando a partir do próprio evangelho ao destino ultimo do homem. Na dimensão antropológica a maior contribuição que a Gaudium et spes nos apresenta como importante e original, é o modelo por excelência de homem apresentado por Cristo que sendo Deus(verbo - Filho) ao encarnar, se manifesta o mistério inesgotável do amor de Deus(Pai)por toda humanidade. Apresenta a vocação de cada um de nós de sermos assim como seu Filho novos cristos, pois assim como Ele (Deus) se fez humano quis nos mostrar que a humanidade pode também ser divina (Imagem e semelhança). Como o novo Adão supera toda a realidade do homem velho (Adão) preso as sua misérias (pecados) que ameaçavam totalmente sua dignidade original de filhos de Deus, a partir de seu testemunho como homem se manifestava sua atitude divina que libertava e renova-va a esperança e a dignidade de todos que acolhia suas palavras (semente do reino de Deus) em seus corações
        Não se deve imaginar que Gaudium et spes se limita somente numa dimensão teológica pois vai muito além , tendo a partir dessa afirmação o principio  que fundamentalizará a antropologia teológica, que revela por intermédio de Cristo a novidade que é a boa nova para toda humanidade, onde a nossa dignidade foi restaurada por intermédio de seu filho que manifesta o Pai por seu infinito amor , redimindo-nos no madeiro da cruz como consequência ultima de sua obediência ao sumo bem. Somente na luz dos evangelhos tendo por modelo a pessoa de Cristo é que viveremos a vocação humana em plenitude, mostrando que é através da nossa própria humanidade assim como fez Jesus, que poderemos manifestar a perfeição divina que há em nós, mesmo de uma forma utópico por nossas limitações, Cristo nos mostra que não é tão distante e nem impossível se assemelharmos a sua Pessoa, nos apresentando dessa forma que o mistério do homem se esclarece no mistério do verbo encarnado. Não se pode confirma com precisão que os documentos teológicos referente ao homem antes do concílio e desenvolvido na Gaudium et spes estejam pronto e definidos, isso seria incoerente pois permanece ainda um grande abismo na sua formação, que assim como homem é um ser sempre em desenvolvimento inesgotável, pois é uma ser inacabável assim se tornar também para teologia como para antropologia. Mas o concílio aponta o caminho a seguir para solidificação da antropologia teológica que tem como sujeito e referencia primordial o homem Jesus que manifestou na sua própria humanidade a sua divindade.


Paz e Bem!

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