sábado, 8 de junho de 2019

Corpus Hermeticum VI

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


VI - O BEM EXISTE APENAS EM DEUS E EM NENHUMA OUTRA PARTE.

1 - O Bem não existe, Asclépios, em nada além de Deus ou melhor, o Bem é eternamente o próprio Deus. Assim sendo, o Bem deve ser a Substância de onde procede todo movimento e toda geração (não existe nenhum ser que seja desprovido dela) e que possui, concentrada sobre si mesma uma energia que mantém em repouso, sem deficiência e sem excesso, plena, soberana, poderosa, na origem de todas as coisas. Pois quando digo que este que tudo pode é bom entendo que é absoluta e eternamente bom.
Ora, esta qualidade não pertence a nenhum outro ser senão Deus. Pois não há nada que lhe falte, de modo que nenhum desejo de posse pode torná-lo mau e não há nada entre os seres que possa perder e cuja perda possa amargurá-lo (pois o desgosto é parte do mal) e nada existe que seja mais forte que ele e que possa tratá-lo como inimigo (pois não é coerente à sua natureza receber qualquer ultraje), nem nada que seja mais belo e possa inspirar-lhe amor, nem nada que lhe recuse obediência e contra quem tenha de se irritar, nem nada que possa ser mais sábio e despertar o seu ciúme.
2 Então se nenhuma dessas paixões pertence à Substância, que lhe resta senão o Bem somente? Ora, da mesma forma que nenhum daqueles atributos podem ser encontrados numa substância assim constituída, nenhum dos outros seres possuirá o Bem. Com efeito, todos os outros atributos encontram-se em todos os seres, nos pequenos e nos grandes, em cada um dos seres isoladamente e nesse Vivente que é maior e mais potente de todos: pois tudo que é engendrado está repleto de paixões pois a própria geração implica uma afecção. Ora, onde há sofrimento, não existe lugar para o Bem e onde está o Bem nenhum lugar há para a paixão. Onde está o dia, não há lugar para a noite e onde está a noite não há lugar para o dia. É esta a razão porque o Bem não tem lugar no que veio a ser, mas somente no não engendrado. Todavia como a matéria recebeu por dom a participação em todos arquétipos, recebeu também a participação do Bem. É desta maneira que o mundo é bom, pois produz todas as coisas, de modo que, tendo em vista a sua função de produzir, é bom. Mas para tudo o mais, não é bom: e com efeito, é passível e móvel e produtor de seres passíveis.
3 Quanto ao ser humano, o bem se mede nele por comparação com o mal. Pois o mal que não é grande, é aqui embaixo o bem e o bem daqui embaixo é a menor porção do mal. É impossível portanto, que o bem daqui seja inteiramente desprovido de toda malícia: cá embaixo, de fato, o bem foi tornado mal; ora tendo sido tornado mal, não pode permanecer sendo bom e se não é bom, torna-se mal. Portanto, o Bem só existe em Deus, ou melhor, Deus é o próprio Bem. Entre os homens então, ó Asclépios, do Bem só se encontra o nome, mas na realidade não se o  vê em parte alguma. É efetivamente impossível. Pois não há lugar para ele num corpo material que é tocado pelo mal, pelas penas e sofrimentos, pelas concupiscências e as cóleras, as ilusões e as opiniões insensatas. E o pior de tudo ó Asclépios, é que se confia em cada uma das coisas que acabo de dizer como se fora o maior bem, ainda que seja antes de mais nada o mal insuperável.  A glutoneria é a fautora de todos os males... O engano é aqui a ausência do bem.
4 Por mim, rendo graças a Deus do que pôs em meu intelecto, entre outras coisas, isto ainda relativamente ao conhecimento do Bem, que é impossível que o bem exista no mundo. Pois o mundo é a totalidade do mal, como Deus é a totalidade do Bem ou o Bem a totalidade de Deus. . . Pois se se encontram sem dúvida as excelências das belas coisas na vizinhança da essência divina, aquelas que constituem o próprio Deus parecem por assim dizer mais puras ainda e mais autênticas. É preciso ousar dizer, Asclépios, a essência de Deus, se pelo menos possui ele uma essência, é o belo e é impossível aprender o belo-e-bom em nenhum dos seres que estão no mundo. Com efeito, todas as coisas que caem sob o sentido da visão são simplesmente imagens ilusórias e, de algum modo, silhuetas, mas as coisas que não caem sob esse sentido, e sobretudo a essência do belo e do bem e, da mesma forma que o olho não pode ver a Deus, também não pode ver o belo e o bem. Pois estas são partes de Deus, inteiras e perfeitas, propriedades d'Ele somente, particulares a Ele, inseparáveis de sua essência, soberanamente amoráveis e das quais é preciso dizer que delas é o amor de Deus, ou que elas são amantes de Deus.
5 Se podes conceber Deus, conceberás também o belo-e-bom, o soberanamente luminoso, o soberanamente iluminado por Deus; pois aquela beleza é incomparável e aquela bondade é inimitável, totalmente o próprio-Deus. Portanto, a idéia que fazes de Deus, deves fazer do belo- e-bom, pois, são inseparáveis de Deus, essas coisas são incomunicáveis aos outros viventes que não Deus. Quando pesquisas a Deus, é também à procura do belo que vais. Pois não existe mais que um caminho daqui até o belo, a piedade acompanhada de conhecimento. Logo, aqueles que não possuem conhecimento e que não seguiram a rota da piedade, têm a audácia de dizer que o ser humano é belo e bom, ele que jamais viu, mesmo em sonho, o que pode existir de bom, mas que foi substituído por toda espécie de mal, e que foi levado até a tomar o mal por bem e também emprega o mal sem se satisfazer jamais, temendo ser dele privado, e lutando com todas as suas forças não somente para dele ter possessão como para mais ainda acrescê-lo. Tais são as coisas boas e belas no julgamento dos humanos, ó Asclépios. E não podemos delas fugir nem odiá-las: pois o mais penoso é que temos necessidade delas e viver sem elas, ser-nos-ia impossível.

Continua...

sábado, 1 de junho de 2019

quinta-feira, 30 de maio de 2019

O Livro Perdido de Dzyan IV

A EVOLUÇÃO CÓSMICA 
NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN
Helena Blavatsky


ESTÂNCIA IV

1. ...Escutai, ó Filhos da Terra. Escutai os vossos Instrutores, os Filhos do Fogo.
Sabei: não há nem primeiro nem último; porque tudo é Um Número que procede do Não-Número.

2. Aprendei o que nós, que descendemos dos Sete Primeiros, nós, que nascemos da Chama Primitiva, temos aprendido de nossos Pais...

3. Do Resplendor da Luz — o Raio das Trevas Eternas — surgem no Espaço as Energias despertadas de novo; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco. Depois o Três, o Um, o Quatro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total. E estas são as Essências, as Chamas, os Construtores, os Números, os Arûpa, os Rûpa e a Força ou o Homem Divino, a Soma Total. E do Homem Divino, a Soma Total. E do Homem Divino emanaram as Formas, as Centelhas, os Animais Sagrados e os Mensageiros dos Sagrados Pais dentro do Santo Quatro.

4. Este foi o Exército da Voz, a Divina Mãe dos Sete. As Centelhas dos Sete são os súditos e os servidores do Primeiro, do Segundo, do Terceiro, do Quarto, do Quinto, do Sexto e do Sétimo dos Sete. Estas Centelhas são chamadas Esferas, Triângulos, Cubos, Linhas e Modeladores; porque deste modo se conserva o Eterno Nidâna — o Oi-Ha-Hou.

5. O Oi-Ha-Hou — as Trevas, o Sem Limites, ou o Não-Número, Âdi-Nidâna, Svabhâvat, .

I. O Âdi-Sanat, o Número; porque ele é Um.
II. A Voz da Palavra, Svabhâvat, os Números; porque ele é Um e Nove.
III. O "Quadrado sem Forma".
E estes Três, encerrados no , são o Quatro Sagrado; e os Dez são o Universo Arûpa. Depois vêm os Filhos, os Sete Combatentes, o Um, o Oitavo excluído, e seu Sopro, que é o Artífice da Luz.

6. ...Em seguida, os Segundos Sete, que são os Lipika, produzidos pelos Três. O Filho excluído é Um. Os "Filhos-Sóis" são inumeráveis.

sábado, 18 de maio de 2019

Rei Mendigo ...

O Orgulho

Paulo da Costa Paiva


Falar sobre orgulho é algo não tão difícil, o difícil seria é em reconhecê-lo dentro de nós, de mim e de você. O orgulho está tão presente no ser humano como o próprio ar que se respira, está presente desde que nasce e se impregna após a morte física como contraparte da alma. O homem desde criancinha é bombardeado de todas as direções por antigas falácias e tradições retrógradas e novidades midiáticas inúteis que torna o humano cada vez mais vazio de si (essência) e lotado ao ponto de estourar de tanto fugacidade e orgulho que o arrasta para os demais pecados capitais e para sua própria perdição, existem diversas forma sintomáticas de orgulho, desde as mais sutis as mais explicitas, e que causam reações das mais diversas possíveis, desde uma chateação a extinção de etnias. A história é a nossa maior delatora da estupidez humana sem limite e tão bestial diante de tantas mortes, dores e lagrimas causado pelo o orgulho. O orgulho que nos acompanha desde criancinha, revela que nunca estamos satisfeitos com a nossa situação no mundo tanto externo como interno, para se sentir melhor é necessário se sentir superior ao outro, e jamais podemos esquecer que esse outro é o nosso semelhante independente de situação social, étnica, religiosa ou ideologia política. O coração orgulhos não mede conseqüências, independente em que situação ele se encontre sendo um rei ou um mendigo. Pegando como exemplo um mendigo, que pode se sentir-se melhor (superior) do que outro mendigo, só porque ter um cobertor, mas colorido e quente e conseqüentemente se achando no direito de menosprezar e humilhar o outro em situação menos favorável, e por ai vai inúmeras situações em diversas camadas da sociedade. 

Escrevendo esse texto me veio à compreensão que orgulho mata o amor, o amor próprio, através do veneno do orgulho que nasce do egoísmo, e que cega e destrói tudo ao redor. E mata também a caridade, que poderia experimentar que de tão divino és, nessa dinâmica amorosa junto ao próximo, que contagia e cura o nosso coração, a nossa alma. O orgulho dependendo em que grau se encontra, aborta toda possibilidade de caridade e comunhão com Deus, pois um simples orgulho pode se fortalecer juntos com outros afins orgulhosos formando um grupo (égregora), e conseqüentemente podendo alimentar o ódio irracional a aqueles que são diferenciados, causando perseguições, humilhações, torturas e mortes. O ódio pode surgir tanto do orgulhoso como da vitima que se assemelha pelo rancor, causando orgulho ferido e dessa forma disseminando o mal, pois ambos estão adormecidos pela ignorância e pela ingenuidade tola, motivando conflitos, chegando às grandes guerras onde muitos morrem e outros levam consigo cicatrizes profundas por toda a vida. Por fim todos saem perdendo pelo orgulho, orgulho esse que está presente no coração de todos nós desde sempre, desde os primórdios onde o homem se entende como gente (ser racional). 

É necessário despertar, deixar cair por terra todas as mascara entre elas uma das mais nocivas, que se chama orgulho, e todos têm, é fundamental se reconhecer que temos misérias e que nos causam mal como também machucam os outros, assim como temos virtudes que devemos desenvolver, devemos também diagnosticar o germe do mau presente em nós, buscando a luz do divino que bate a porta para nos libertar. Claro que isso não é tão rápido e sem dor, é um processo doloroso e exaustante de muita vigilância e oração, é preciso silenciar ouvir o coração, de inicio não é nada fácil, pois silenciar nos faz pensar e pensar para muitos que são acostumados a se condicionar por terceiros é algo torturante, porque o silenciar da alma nos mostra como somos realmente e nem sempre somos tão belos por dentro, o feio dar repulsa, e fugir das misérias para viver de ilusões é mais cômodo, vivendo uma eterna mentira num mundo de faz de conta, mas que um dia vai ter que encarar essa dura realidade de ilusões, e a verdade nessa situações é bastante dolorosa. Somente em vigilância da alma, numa vida pratica de estudos, meditações e orações é que podemos nos trabalhar e ter o domínio da fera presente em nós, mas não como um adestrador carrasco, mas como amigo e irmão da fera que se torna uma companheira da alma.

Paz e Bem!

sábado, 11 de maio de 2019

Corpus Hermeticum V

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


V - DE HERMES A SEU FILHO TAT

Que Deus é ao mesmo tempo inaparente e o mais aparente.

1 - Eis ainda uma doutrina, ó Tat, que eu quero expor totalmente, a fim de que não permaneças não iniciado nos mistérios d'Aquele que é muito grande por ser chamado Deus. Perceba como o ser que parece à maioria inaparente vai tornar-se para ti o mais aparente. Com efeito, ele não poderia existir sempre se não fosse inaparente; pois tudo o que é aparente foi engendrado, pois apareceu um dia. Contrariamente o inaparente existe sempre pois não tem necessidade de aparecer: é eterno, com efeito, e é ele que faz aparecer todas as outras coisas sendo ele mesmo inaparente pois existe sempre. Fez aparecer todas as coisas, mas não aparece, engendra, mas não é engendrado, não nos oferece uma imagem sensível, mas dá uma imagem sensível às coisas. Pois não há apresentação em imagem sensível além daquela dos seres engendrados: efetivamente vir a ser é aparecer aos sentidos. É portanto evidente que o único não engendrado é ao mesmo tempo não suscetível de se apresentar numa imagem sensível e inaparente, mas que, como ele dá uma imagem sensível às coisas, aparece através de todas e em todas e aparece sobretudo àqueles aos quais quis aparecer. Portanto, ó meu filho Tat, ora ao Senhor, Pai e Único, e que não é o Um mas fonte do Um, para que se mostre propício, a fim de que possas alcançar pelo pensamento esse Deus que é tão grande, para que ele faça luzir nem que seja apenas um de seus raios sobre a tua inteligência. Somente, com efeito, o pensamento vê o inaparente, pois é também inaparente. Se o podes, ele aparecerá então aos olhos de teu intelecto, ó Tat, pois o Senhor se manifesta em plena liberdade através do mundo inteiro. Podes ver teu pensamento, alcançá-lo com tuas próprias mãos e contemplar a imagem de Deus? Mas se mesmo o que está em ti, te é inaparente, como Deus se manifestará a ti através de teus olhos carnais?
3 Se desejas ver a Deus, considera o sol, considera o curso da lua, considera a ordem dos astros. Quem é que os mantém em ordem? Toda ordem supõe, de fato, uma delimitação quanto ao número e ao lugar. O sol, deus supremo entre os deuses do céu, a quem todos os deuses celestes cedem passagem como a seu rei e dinasta, sim, o sol com seu talhe imenso, ele que é maior que a terra e o mar, suporta ter acima de si cumprindo suas revoluções os astros menores que ele. A que reverencia ou teme, meu filho? Todos esses astros que estão no céu não cumprem, cada um deles, um curso semelhante ou equivalente? O que determinou para cada um deles o modo e a amplitude do curso?
4 Veja a Ursa, que gira ao redor de si mesma, arrastando na sua revolução o céu inteiro: que é que possui este instrumento? Que é que encerrou o mar em seus limites? Que estabeleceu a terra em seus fundamentos? Pois existe alguém, ó Tat, que é o criador e o mestre das coisas. Não poderia efetivamente o lugar, ou o número, ou a medida serem observados com cuidado se não existisse alguém que os tivesse criado. Toda boa ordem com efeito supõe um criador, somente a ausência de lugar e de medida não o supõe. Mas esta ausência mesmo, possui mestre, meu filho. E com efeito, se o desordenado é deficiente, não obedece menos ao mestre que não impôs ainda a boa ordem à ausência de lugar e de ordem.
5 Apraz aos céus que te fosse dado asas e o voar, e colocado ao meio da terra e do céu, ver a massa sólida da terra, as ondas imensas do mar, os cursos fluentes dos rios, os movimentos livres do ar, a penetração do fogo, o curso dos astros, a rapidez do céu, seu circuito em redor dos mesmos pontos! Ah que esta vista é a mais feliz, criança, quando se contemplam de uma só vez todas essas maravilhas, o imóvel posto em movimento, o inaparente tornando-se aparente através das obras que criou.
Tal é o ordenamento deste mundo e tal a bela ordem deste ordenamento.
6 Se quiseres contemplar a Deus através dos seres mortais, desses que vivem sobre a terra e desses que vivem no abismo, considera, meu filho, como o ser humano é gerado no ventre materno, examina com cuidado a técnica dessa produção e aprenda que esta que produz esta bela imagem, esta divina imagem que é o homem. Quem traçou o círculo dos olhos? Quem fez o buraco das narinas e das orelhas? Quem fez a abertura da boca? Quem esticou os músculos e os prendeu? Quem conduziu os canais das veias? Quem solidificou os ossos? Quem recobriu toda a carne de pele? Quem separou os dedos? Quem alargou a planta dos pés? Quem perfurou os cóndutos? Quem fez o coração em forma de pirâmide? Quem conjuntou os nervos? Quem ampliou o fígado? Quem fez as cavidades do pulmão? Quem construiu este amplo receptáculo  do baixo ventre? Quem fez as partes nobres bem em evidência e escondeu as reservadas?
7 Veja, quantas técnicas diferentes aplicadas a uma matéria, quantas obras de arte reunidas em uma única figura, e todas admiravelmente belas, todas exatamente medidas, todas diferentes umas das outras. Quem criou todas essas coisas? Qual mãe, qual pai senão o Deus, o Deus invisível que pela sua própria vontade tudo fabricou? Ninguém afirma que uma estátua ou uma pintura possam existir sem escultor ou pintor e esta Criação existiria sem Criador? Oh! cúmulo de cegueira, cúmulo de impiedade, oh! cúmulo de irreflexão! Não separa jamais, meu filho Tat, as obras criadas de seu Criador... Antes, ele é ainda maior que o que implica o nome de Deus: tal é a grandeza do pai de todas as coisas; pois em verdade, ele é o único que é pai e isso constitui sua função própria: ser pai.
9 E mesmo, se me forças a dizer qualquer coisa ainda mais ousada, sua essência, é criar e produzir as coisas e pelo fato de que sem produtor nada pode vir a ser, da mesma forma Deus não poderia existir sempre, se não criasse sempre todas as coisas, no céu, no ar, na terra, no abismo, em toda região do mundo, no todo do Todo, no ser e no nada. Pois, nesse mundo inteiro, nada existe que não seja ele próprio. Ele é ao mesmo tempo as coisas que são e as coisas que não são. Pois as coisas que são ele as faz aparecer e as que não são contém em si mesmo. Ele é um Deus muito grande por ter um nome, é inaparente e muito aparente; ele que contempla o intelecto, que vê os olhos; é incorporal, multiforme, e mais claramente omniforme. Nada existe que não seja Ele também: pois tudo que é, é Ele. E portanto tem todos os nomes porque todas as coisas nascem desse único pai; e portanto também daí advém o fato de não possuir nenhum nome, porque é o pai de todas as coisas.
Quem então poderá te bendizer, falando de ti ou dirigindo-se a ti? Para onde dirigir o meu olhar quando quero te bendizer, para cima, para baixo, para dentro, para fora? Nenhuma via, nenhum lugar ao meu redor, nem absolutamente nenhum ser: tudo está em ti, tudo vem de ti. Tudo dás e nada recebes: pois tu possuis todas as coisas e nada existe que não possuas.
11 - Quando eu to cantarei? Pois não posso conceber nem estação nem tempo que te sejam concernentes. E por que cantaria? Pelas coisas que criaste ou pelas coisas que  não criastes? Pelas coisas que fizeste aparecer ou que escondeste? Por qual razão eu te cantarei? Como pertencente a mim mesmo, como tendo qualquer coisa de próprio, como sendo outro que tu? Pois tu és tudo o que sou, tu és tudo o que eu faço, tu és tudo o que eu digo. Pois és tudo e nada existe além de ti, e até o que não existe é igual a Ti. És tudo que veio a ser e tudo que não veio a ser, tu és pensamento enquanto pensando, pai, fazendo o mundo, Deus, como energia em ato, bom, pois criou todas as coisas.

Continua...

sábado, 4 de maio de 2019

Reflexão Casual LXXX‏‏I‏


“ Se não há respeito e tolerância se manifesta então a estupidez, refletindo a mediocridade latente que existe em cada ser humano dentro de uma sociedade demente.”

Paulinopax

quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Livro Perdido de Dzyan III

A EVOLUÇÃO CÓSMICA 
NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN
Helena Blavatsky


ESTÂNCIA III

1. ...A última Vibração da Sétima Eternidade palpita através do Infinito. A Mãe entumece e se expande de dentro para fora, como o Botão de Lótus.

2. A Vibração se propaga, e suas velozes Asas tocam o Universo inteiro e o Germe que mora nas Trevas; as Trevas que sopram sobre as adormecidas Águas da Vida.

3. As Trevas irradiam a Luz, e a Luz emite um Raio solitário sobre as Águas e dentro das Entranhas da Mãe. O Raio atravessa o Ovo Virgem; faz o Ovo Eterno estremecer, e desprende o Germe não Eterno, que se condensa no Ovo do Mundo.

4. Os Três caem nos Quatro. A Essência Radiante passa a ser Sete interiormente e Sete exteriormente. O Ovo Luminoso, que é Três em si mesmo, coagula-se e espalha os seus Coágulos brancos como o leite por toda a extensão das Profundezas da Mãe: a Raiz que cresce nos Abismos do Oceano da Vida.

5. A Raiz permanece, a Luz permanece, os Coágulos permanecem; e, não obstante, Oeaohoo é Uno.

6. A Raiz da Vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade, e o Oceano era Luz Radiante, que era Fogo, Calor e Movimento. As Trevas se desvaneceram, e não existiram mais: sumiram-se em sua própria Essência, o Corpo de Fogo e Água, do Pai e da Mãe.

7. Vê, ó Lanu! o Radiante Filho dos Dois, a Glória refulgente e sem par: o Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço,, que surge das Profundezas das Grandes Águas Sombrias. É Oeaohoo, o mais Jovem, o***. Ele brilha como o Sol. É o Resplandecente Dragão Divino da Sabedoria. O Eka152 é Chatur, e Chatur toma para si Tri, e a união produz Sapta, no qual estão os Sete, que se tornam o Tridasha, as Hostes e as Multidões. Contempla-o levantando o Véu e desdobrando-o de Oriente a Ocidente. Ele oculta o Acima, e deixa ver o Abaixo como a Grande Ilusão. Assinala os lugares para os Resplandecentes,  e converte o Acima num Oceano de Fogo sem praias, e o Uno Manifestado nas Grandes Águas.
 (152 Eka = Um, Chatur = Quatro, Tri = Três, Sapta = Sete. Tri x Dasha (dez) = Tridasha = três dezenas, ou uma hoste.)

8. Onde estava o Germe, onde então se encontravam as Trevas? Onde está o Espírito da Chama que arde em tua Lâmpada, ó Lanu? O Germe é Aquilo, e Aquilo é a Luz, o Alvo e Refulgente Filho do Pai Obscuro e Oculto.

9. A Luz é a Chama Fria, e a Chama é o Fogo, e o Fogo produz o Calor, que dá a Água — a Água da Vida na Grande Mãe.

10. O Pai-Mãe urde uma Tela, cujo extremo superior está unido ao Espírito, Luz da Obscuridade Única, e o inferior à Matéria, sua Sombra. A Tela é o Universo, tecido com as Duas Substâncias combinadas em Uma, que é Svabhâvat.

11. A Tela se distende quando o Sopro do Fogo a envolve; e se contrai quando tocada pelo Sopro da Mãe. Então os Filhos se separam, dispersando-se, para voltar ao Seio de sua Mãe no fim do Grande Dia, tornando-se de novo uno com ela. Quando esfria, a Tela fica radiante. Seus Filhos se dilatam e se retraem dentro de Si mesmos e em seus Corações; elas abrangem o Infinito.

12. Então Svabhâvat envia Fohat para endurecer os Átomos. Cada qual é uma parte da Tela. Refletindo o "Senhor Existente por Si Mesmo" como um Espelho, cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.

sábado, 20 de abril de 2019

Retornando ao Pai...

“ A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA 
NO CAMINHO ESPIRITUAL "

Paulo da Costa Paiva


A disciplina no caminho espiritual é algo muito essencial para quem ser quer despertar para transcendência em unidade com cosmo, mas para se chegar a essa profunda intimidade e êxito com o divino é necessário autodisciplina, Mas essa disciplina não se deve ser imposta por se torna um fardo e conseqüentemente está fadado ao fracasso que foi motivado exclusivamente pela própria pessoa que por sua imaturidade culpa a todos e nunca a si mesmo. Mas essa revolução e evolução se devem partir da própria pessoa como uma chave que se abre de sua alma (consciência) para o infinito do cosmo na eternidade que se origina todas as vidas em todos os seus reinos, nas diversas evoluções em retorno ao Pai.  Como o despertar também é algo processual, acontece gradativamente podendo ser mais lentamente ou rapidamente, dependendo ou não diretamente da pessoa, isso vai levar em conta sua dedicação, disciplina e entrega a sua missão que se revela na intimidade do ser em unidade com o divino, claro que raríssima vezes pode ser revelado diretamente como algo excepcional e extraordinário, mas normalmente isso acontece com muita peleja de erros e acertos para que com o tempo se compreenda seus talentos e objetivos na terra para dar continuidade a sua missão como também a sua evolução para a eternidade.

A disciplina espiritual mexe com toda a realidade, nas diversas dimensões do ser humano, do físico, perpassando pelo psíquico até atingir sua própria transcendência em alma e espírito. Da forma de se alimentar até como lidarmos com o semelhante, tudo conta do mais simples observar do cantar dos pássaros como salvar a vida de alguém. É profundamente essencial se autoconhecer para poder dominar o animal humano para a sim atingir o objetivo necessário no processo evolutivo em parceria com os grandes mestres espirituais deixando dessa forma legados (setas) para contribuição no processo evolutivo da humanidade tanto coletiva como pessoal das futuras gerações. Um dos frutos da disciplina espiritual é o senso existencial temporal e atemporal, tendo a consciência do “eu sou”, sabendo que existe uma fagulha divina dentro de si, mesmo continuando sua vida na simplicidade sem jamais se ensoberbecer, lendo e relendo tudo que se passa no cotidiano de sua vida como também aos fatos históricos de sua época buscando a compreensão e as respostas para o que se passa no interior de sua alma em unidade com o todo, que se passa com seus semelhantes, com a natureza e o cosmo, numa verdadeira harmonia existencial.  

Para que se frutifique o caminho espiritual com certeza se deve disciplina, mas não sumariamente, pois não se deve se escravizar pela rotina e nem pelos costumes, sendo que a vida deve estar à cima de tudo, sempre, pois o objetivo da oração é a comunhão com o transcendente e fazer acontecer à vontade divina como se fosse nossa própria numa única vontade em um único coração. Existem situações que nos impossibilita de não concluir nossos hábitos de orações, estudos e meditações, como por exemplos doenças, contratempos na família, no trabalho e na faculdade apesar do ideal é conciliar dentro das tribulações, mas nem sempre é possível, pois se torna inviável, ai se ver na necessidade de escolher entre a vida e o instrumento. O perigo que pode existir é do resfriamento espiritual e deixando de lado o processo evolutivo, retornando as trevas dos caprichos da alma preguiçosa que só quer viver na soberba da carne, sendo escravo e compulsivo feito um bicho irracional sempre no cio ou na total libertinagem da alma de porco que se envaidece de suas podridões existenciais. O ideal deve ser sempre buscar o caminho do meio, do bom senso, fugindo sempre do radicalismo e do fundamentalismo, que torna o belo em feio, o prazer e o gozo em dor e sofrimento que busquemos sempre a luz que é eterna e nuca que se apaga, e que fujamos sempre das trevas e das fagulhas mentirosas que seduzem para a perdição.   
                                                  
Paz e Bem!

sábado, 13 de abril de 2019

Corpus Hermeticum IV

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


IV - DE HERMES A TAT: A CRATERA OU A MÔNADA

1 Desde a criação deste mundo pelo Demiurgo, não com as mãos, mas pela palavra, concebeu-o como presente e sempre existente e tendo tudo feito e sendo Um-Único, tendo formado os seres pela sua própria. Pois eis seu verdadeiro corpo, que não se pode tocar, nem ver, nem medir, que não possui dimensão, que não é semelhante a nenhum outro corpo. Pois não é fogo, nem água, nem ar, nem sopro, mas as coisas provém de si. Ora, como ele é bom, não quis dedicar essa oferenda a si somente, nem para si unicamente ornar a terra, mas enviou para cá, como ornamento desse corpo divino, o ser humano, vivente mortal, ornamento do vivente imortal. E se o mundo o situou sobre os vivos pela eternidade da vida, o ser humano situou-o acima do mundo pela razão e pelo intelecto.
O homem, com efeito, tornou-se o contemplador da obra de Deus e prostou-se maravilhado, aprendendo a conhecer o Criador.
3 A razão então, oh! Tat, Deus distribuiu-a em partilha a todos os humanos, mas não fez o mesmo quanto ao intelecto.
Não que ele tenha provado alguns pela inveja, pois a mesma não deriva do alto, mas é aqui embaixo que ela se forma nas almas dos humanos que não possuem intelecto. - Por que então, pai, Deus não estendeu a todos o intelecto? - É que ele pretendeu, meu filho, que o intelecto fosse dado às almas como um prêmio que quisessem conquistar.
4 E onde ele o colocou? - Encheu uma grande cratera que havia enviado à terra e ordenou a um arauto que proclamasse ao coração dos homens estas palavras: "Mergulha-te, tu que o podes, nesta cratera, tu que crês que subirás para Aquele que enviou à terra a cratera, tu que sabes porque vieste a ser."
Todos aqueles que atentaram à proclamação e que foram batizados neste batismo de intelecto, tomaram parte no conhecimento e tornaram-se seres humanos perfeitos porque receberam o intelecto. Aqueles que negligenciaram a escuta da proclamação, aqueles são os "logikoi" porque não adquiriram o intelecto e ignoram porque nasceram e quais os autores disto.
5 As sensações desses homens são todas vizinhas daquelas dos animais sem razão e, como seu temperamento permanece num estado de paixão e de cólera não admiram as coisas dignas de contemplação, fixam-se apenas nas volúpias e apetites corporais e crêem que é para estas coisas que o ser humano veio a ser. Contrariamente todos aqueles que tiveram parte no dom vindo de Deus, aqueles, oh! Tat, quando se comparam as suas obras com as da outra classe, são imortais e não mais mortais, pois atingiram a todas as coisas pelo seu próprio intelecto, as da terra, as do céu e o que se pode encontrar ainda acima do céu. Tendo-se elevado a uma tal altura, viram o Bem e tendo-o visto, consideraram a permanência cá embaixo como uma infelicidade. Então, tendo desprezado todos os seres corporais e incorpóreos, desejam o UM-Único.
6 Tal é, oh! Tat, a ciência do intelecto, possessão em abundância das coisas divinas e a compreensão de Deus, pois a cratera é divina. - Eu também quero ser batizado, ó pai. - Se não desprezas o teu corpo, meu filho, não podes amar a ti mesmo. Mas se amas a ti mesmo possuirás o intelecto, e possuindo o intelecto terás também parte na ciência. - Como dizes isto, ó pai? - impossível, meu filho, prender-se ao mesmo tempo a essas duas coisas, às coisas mortais e às coisas divinas. Pois como há duas espécies de seres, o corpóreo e o incorpóreo, e que essas duas categorias dividem o mortal e o divino, resta apenas escolher uma ou outra, caso se queira
escolher: pois não é possível tomar ao mesmo tempo a uma e a outra; e quando só resta escolher, o defeito de uma mostra a potência ativa da outra.
7 Portanto, a escolha do melhor não somente mostra sua existência para aquele que a fez, a mais gloriosa, mas ela diviniza o ser humano, e manifesta ainda a piedade para Deus. Ao contrário a escolha do pior acarretou a perda do ser humano e por outro lado, se não foi, de resto, uma ofensa a Deus, recaiu pelo menos nisto: como as procissões avançam no meio da turbamulta sem serem capazes de produzir coisa alguma por si mesmas, mas não sem oprimir a marcha dos outros, estes seres humanos verossimilhantemente a elas nada mais fazem que procissionar no mundo, arrastados que são pelas volúpias corporais.
8 Já que é assim, ó Tat, nós tivemos e teremos sempre à nossa disposição o que vem de Deus: mas que aquilo que vem de nós lhe corresponda e não seja falto, pois Deus, não é responsável, nós é que somos responsáveis pelos nossos males naquilo em que os preferimos aos bens. Vês, meu filho, quantos corpos nos é necessário atravessar, quantos coros demoníacos, e que sucessão contínua e quais cursos de astros para nos lançarmos ao Um-Único? Pois o Bem é intransponível, sem limite e sem fim e relativamente a si próprio, sem princípio também, ainda que para nós pareça ter um quando o conhecemos. Apossemo-nos portanto desse começo e percorramo-lo. com todo desejo: pois é uma via tortuosa abandonar os objetos familiares e presentes para arrepiar caminho para as coisas antigas e primordiais. Com efeito, isto que aparece aos olhos faz nossas delícias enquanto que o inaparente desperta a nossa dúvida. Ora, as coisas más são mais aparentes aos olhos, o Bem, contrariamente, é invisível aos olhos visíveis. Não possui efetivamente nem forma, nem figura. É por isso que é semelhante a si mesmo e é dissemelhante de tudo o mais, pois é impossível que um incorporal torne-se aparente a um corpo. 10 Tal é a diferença entre o semelhante e o dissemelhante e a deficiência que afeta o dissemelhante considera particularmente o semelhante. Ora, a mônada, sendo princípio de todas coisas, existe em todas as coisas, enquanto raiz e princípio. Ora nada existe sem princípio. Quanto ao próprio princípio, não sai de nada, a não ser de si mesmo, pois é com efeito o princípio de tudo o mais. Sendo então princípio, a mônada compreende todo número, sem ser compreendida em nenhum deles. E engendra todo número sem ser engendrada por nenhum outro número.
11 Efetivamente tudo o que é engendrado é imperfeito e divisível, extensível e redutível, ora, nada disso afeta o perfeito. E se o que é extensível deriva sua extensão da mônada, sucumbe por outro lado à sua própria fraqueza quando não é mais capaz de conter a mônada.
Tal é portanto, ó Tat, a imagem de Deus, que desenhei para ti com o melhor de minhas forças: se a contemplas como é, e a representas com os olhos do coração, creia-me, criança, encontrarás o caminho que leva às coisas do alto. Ou, antes, é a própria imagem que te mostrará a rota. Pois a contemplação possui uma virtude própria: àqueles que uma vez já a contemplaram, toma em sua posse e os atrai a si como, diz-se, o ímã atrai o ferro.

Continua...

sábado, 6 de abril de 2019

Reflexão Casual LXXX‏‏


" Os vícios se manifestam quando dominados plenamente pelos impulsos que os levam a atos irracionais em conivência de uma razão corrompida e pervertida." 

Paulinopax

sexta-feira, 29 de março de 2019

O Livro Perdido de Dzyan II

A EVOLUÇÃO CÓSMICA 
NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN
Helena Blavatsky


ESTÂNCIA II

1. ...Onde estavam os Construtores, os Filhos Resplandecentes da Aurora do Manvantara?...Nas Trevas Desconhecidas, em seu Ah-hi Paranishpanna. Os Produtores da Forma, tirada da Não-Forma, que é a Raiz do Mundo, Devamâtri e Svabhâvat, repousavam na felicidade do Não-Ser.

2. ...Onde estava o Silêncio? Onde os ouvidos para percebê-lo? Não; não havia Silêncio nem Som: nada, a não ser o Incessante Alento Eterno, para si mesmo ignoto.

3. A Hora ainda não havia soado; o Raio ainda não havia brilhado dentro do Germe; a Matripâdma ainda não entumecera.

4. Seu Coração ainda não se abrira para deixar penetrar o Raio Único e fazê-lo cair em seguida, como Três em Quatro, no Regaço de Mâyâ.

5. Os Sete não haviam ainda nascido do Tecido de Luz. O Pai-Mãe, Svabhâvat, era só Trevas; e Svabhâvat jazia nas Trevas.

6. Estes Dois são o Germe, e o Germe é Uno. O Universo ainda estava oculto no Pensamento Divino e no Divino Seio.


sábado, 23 de março de 2019

Resenha: Vida para Consumo


VIDA PARA CONSUMO:
 A TRANSFORMAÇÃO DAS PESSOAS EM MERCADORIA

Paulo da Costa Paiva


    Zygmunt Bauman é sociólogo, natural da Polônia nascido em 19 de novembro de 1925,é autor de vários livros relacionado sobre os diversos aspectos da sociedade e suas problemáticas como a liberdade, trabalho, ética, identidade, comunidade e outros assuntos que também se destacam por total complexidade, como o amor e o medo. Bauman nesta obra faz uma leitura critica de todo esse processo nas diversas dimensões da vida humana, tanto na sua esfera política e econômica, como também no cotidiano com toda a sua bagagem cultural diante de todas as problemáticas vivida. Diante desse contexto atual nos revela um novo conceito de realidade, de uma sociedade estável (liquida), onde toda essa estrutura social montada em torno da relativa fixidez moderna se dilui, transformando todas e quaisquer relações voláteis diante dos parâmetros sociais já estabelecidos, apresentando o dramático contexto que a sociedade hoje vive, numa realidade consumista, onde o individuo é transformado em uma mera mercadoria e que as relações que podem ser desfeitas com a mesma facilidade que é estabelecida, assim como um produto qualquer numa prateleira de supermercado sendo descartando posteriormente.

     O autor nos apresenta em sua obra, três tipos de analise fundamental dessa modernidade liquida, que seria o do consumidor, que aborda sobre a exposição do individuo em ambientes públicos se tornando uma sociedade confessional; A da sociedade de consumidores, que apresenta uma seletividade prioritária de clientes que e feita majoritariamente pelo sistema tecnológico; e por fim a da cultura consumista, nos revelando da mesma forma que são tratados os produtos são também o ser humano no momento que a seleção segue a regra do comercial na hora de escolher o perfil desejado do mercado com os melhores e mais capacitado. Essas idéias proposta na obra são na realidade possibilidades de construção de referencia de seus elementos principais e de sua representação com o objetivo de tornar mais compreensível essas evidencias das problemáticas sociais e existenciais, que não são uma simples descrição de uma realidade social, mas uma instrumentação de sua analise de forma critica e inteligível. 
      
     Bauman nos apresenta em sua obra, três tipos de analise fundamental dessa modernidade liquida, que seria o do consumidor, que aborda sobre a exposição do individuo em ambientes públicos se tornando uma sociedade confessional; A da sociedade de consumidores, que apresenta uma seletividade prioritária de clientes que e feita majoritariamente pelo sistema tecnológico; e por fim a da cultura consumista, nos revelando da mesma forma que são tratados os produtos são também o ser humano no momento que a seleção segue a regra do comercial na hora de escolher o perfil desejado do mercado com os melhores e mais capacitado. Essas idéias proposta na obra são na realidade possibilidades de construção de referencia de seus elementos principais e de sua representação com o objetivo de tornar mais compreensível essas evidencias das problemáticas sociais e existenciais, que não são uma simples descrição de uma realidade social, mas uma instrumentação de sua analise de forma critica e inteligível.

      No primeiro capitulo nos apresenta a problemática do “consumismo versus consumo” a partir da explosão da chamada revolução consumista, que aconteceu no momento que, o ato de consumir se tornou o sentido da existência para a maioria dos seres humanos, abraçando como propósito de vida sustentar seus desejos insaciados e cada vez mais compulsivos, conseqüentemente comprometendo o convívio humano e os tornando cada vez mais egoístas e interesseiros, vendo em tudo, uma forma de comercializar nas diversas dimensões humanas e sociais, do simples ato de comprar um pãozinho na padaria até o desumano ato de pagar para manusear e usufruir de um ser semelhante com único objeto de saciar seus gozos.  A obsessão de se adequar e de sintonizar com a nova liquidez (modinha) do momento proposto pelo sistema econômico tornar o ambiente moderno de futuro incerto, e de hostilidade ao planejamento em longo prazo, pois o próprio tempo para a sua maioria totalmente dominado pelo consumismo liquido-moderno se tornou uma maneira de renegociação pelo menos em seu significado, que deixou de ser cíclico e projetável, para se tornar um verdadeiro caos presente, onde o que vale é o “agora ou nunca” e que jamais se deve parar a música e a festa das ilusões, isso sem levar em conta suas conseqüências, onde o futuro se tornar algo temeroso e desinteressante para suas próprias vidas, pois o consumismo aposta na irracionalidade dos consumidores, estimulando emoções e não cultivando a racionalidade critica.

     No segundo capitulo, Bauman nos revela que o principal objetivo da sociedade de consumidores é de se aproveitar dos seus próprios membros, que alem de ser os consumidores em potencial se tornem também a mercadoria de consumo, para isso são condicionado, treinado, adaptável pela própria sociedade que lucra com os dois lados da mesma moeda. Sendo que ao consumir ao consumir um determinado produto se tornam rentáveis diretamente ao pagar e se tornam também rentáveis indiretamente ao consumir, pois foi condicionado a comprar algo que provavelmente não tinha necessidade de absolver. Muitas das vezes na sociedade atual, comprar não significaria necessariamente algo de interesse próprio, mas de satisfação diante a sociedade numa ilusão de pseudo bem sucedidos, onde tudo e lindo perfeito e maravilhoso, numa ostentação de ilusões muito perigosa para o “consumidor-produto” por isso se tornam muito valioso para sociedade de consumo porque muitos, ou melhor, dizendo a grande maioria da sociedade conseguiram seguir a risca a cartilha dos poderosos (Rico e Estado) que se beneficiam com toda essa dinâmica lucrativa para uma minoria, onde antes a relação econômica se dava verticalmente passa ser agora horizontalmente tirando a responsabilidade econômica-social do estado e jogando nas costas da própria sociedade que pouco ou nada percebe no coletivo que totalmente alienada e escrava compulsiva do consumo, de uma sociedade liquida - moderna acredita cegamente que está contribuindo com a sua liberdade de escolha para o progresso da sociedade.

      No terceiro capitulo é apresentado à cultura consumista, onde a insatisfação do ego, que se torna cada vez mais exigente no ato compulsivo de se consumir cada vez mais e mais, e o maior causador e promotor dessa situação e próprio mercado de consumo que se concentra periodicamente na supervalorização dos produtos ofertados e posteriormente tendo o lucro desejado se trabalha no processo de desvalorização imediata das suas antigas ofertas, oferecendo novos produtos muito mais atrativos comparada ao anterior.  Tudo é engendrado calculadamente, primeiramente para a insatisfação onde se tornar rotineiro na atualidade a angustia de cada um ser da sociedade que tende a se desenvolver a partir de um excesso de possibilidade e não das inúmeras proibições, pois não há mais limites, ou melhor, dizendo o céu (infinito) se torna o limite, pois quanto mais se tem, mas se deseja ter mais e mais, seguindo a cartilha do mercado de consumo que tudo se consome e nada se realiza individualmente se tornando vazio e infeliz a cada dia que passa num grande circulo vicioso que devora a todos no mesmo sistema, numa eterna insatisfação. Mesmo a sociedade de consumo esteja infeliz e insatisfeita, o mercado de consumo sempre joga para seus consumidores mais efeito anestésico e inebriante para poderem dá continuidade ao lucro, para isso se utiliza de vários mecanismos de sedução e dominação de consumo, entre esses meios está à mídia e a rede de internet por exemplo. Por mas que esses meios de comunicações tragam grandes benefícios e informação a maioria das pessoas, pode se tornar também uma ferramenta poderosa de dominação pela persuasão, principalmente dos menos politizados e sem senso critico, Pois quem domina e gerencia as comunicações em geral é o mercado de consumo que formam os gostos e as opiniões em geral, segundo os seus próprios interesses tendo como fim o lucro desejado em cima da própria sociedade consumista que ao mesmo tempo em que consome és também consumida sumariamente.     

      No quarto e último capitulo, o autor fala das baixas colaterais do consumismo, que é motivado por uma diminuição de contingente de consumidores, conseqüentemente leva ao prejuízo para o mercado, pois são pessoas que não se encaixam na forma proposta pelo mercado de consumo, são sempre falhos e obsoletos, por isso são considerados “subclasses”. A própria sociedade consumista em sua maioria os vê com grande desprezo, como verdadeiros derrotados, pois os avaliam e julgam por pessoas infelizes e decadentes por não conseguirem seguir os ritmos e níveis de vida de consumo proposta pelo mercado, porque o consumo excessivo e sinal de ostentação e de vangloria para seu próprio ego, e essa subclasse ficam a margem da sociedade por serem pobre e conseqüentemente consumidores falhos. Mostra um retrato de uma sociedade cada vez mais egoísta e indiferente com o seu semelhante, menos hospitaleira e atenciosa com que está ao seu lado, ou melhor, dizendo nas calçadas, praças e esquinas de nossas cidades, onde muitos os ignoram como seres invisíveis e sub-humanos.
           
     Outro ponto importante abordado e a dinâmica da economia, de sempre evitar que seus consumidores caiam no ambiente entediante do próprio sistema, que continua alienando através de suas estruturas parasitas com fachadas cada vez mais coloridas e iluminadas o suficiente para ofuscar suas vistas e principalmente suas mentes seguindo seus passos sem nada reclamar com o sorriso no rosto e o pirulito na boca. Para isso se trabalha a promoção da novidade e o rebaixamento da rotina, numa renovação constante num circulo vicioso e compulsivo por versões melhoradas de consumos, seguindo sumariamente a cartilha do mercado no tempo determinado e o lucro sendo cada vez mais robustecido, pois à medida que se consome insaciavelmente, mas ela se reveste da aura de sucesso diante da sociedade como um o prêmio merecido a ser ostentado. Por fim, a obra de Zygmunt Bauman nos apresenta uma leitura muito interessante, que motiva e levam as pessoas á um profundo questionamento existencial de dentro para fora, do interior (essência) para o exterior (sociedade) onde se possa haver uma transmutação da realidade, a partir primeiramente da revolução interior ecoando na sociedade para quem sabe um dia possamos ter um futuro mais humano e menos material.   







REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zigmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 2008.



Paz e bem!!

sábado, 9 de março de 2019

Corpus Hermeticum III

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


III - DISCURSO SAGRADO DE HERMES

Glória das coisas é Deus e o divino, e a natureza divina. Princípio dos seres é Deus - e o intelecto, e a natureza, e a matéria, porque ele é a sabedoria para a revelação das coisas. Princípio é o divino e ele é natureza, energia, necessidade, fim, renovação.
Ora, existe uma obscuridade sem fim no abismo e água e um sopro inteligente e sutil, tudo isto existente no caos pela potência divina. Então surge uma luz santa, e se destacando da substância úmida, os elementos se condensam e os deuses separam os seres da natureza germinal.
2 Com efeito, quando as coisas estavam indefinidas e não formadas, os elementos leves separaram-se dos outros dirigindo-se para o alto e os elementos pesados repousaram sobre a  areia úmida; todo o universo foi dividido em partes pela ação do fogo e mantido suspenso de forma a ser veiculado pelo sopro. E viu-se o céu em sete círculos e os deuses apareceram sob forma de astros com todas suas constelações; a natureza do alto foi ajustada segundo suas articulações com os deuses que continha em si. E o círculo envolvente movimenta-se circularmente no ar, veiculado no seu curso circular pelo sopro divino.
3 E cada deus, pelo seu próprio poder, produziu o que lhe foi designado; assim nasceram os animais quadrúpedes e os que se arrastam, os que vivem na água e aqueles que voam, toda semente germinal e a erva; o tenro oscilar de toda flor possui em si a semente da reprodução. E os deuses produziram as sementes que gerariam os humanos, para conhecer as obras divinas e prestar um testemunho ativo à natureza; para aumentar o número de humanos, para dominar o que existe sob o céu e reconhecer as coisas boas, para crescer e multiplicar-se, e toda alma na carne, pelo curso dos deuses cíclicos semeados, para contemplação do céu e do curso dos deuses celestes e das obras divinas e da atividade da natureza, para o conhecimento da potência divina, para conhecer as entranhas das coisas boas e más e descobrir toda a arte de fabricar coisas boas.
4 Desde então começou para eles a condução da vida humana e o adquirir da sabedoria segundo a sorte que lhe determina o curso dos deuses cíclicos e de se dissolver naquilo que restará deles, depois de ter deixado na terra grandes monumentos de suas indústrias. Todo nascimento de carne animada ou da semente dos frutos e de toda obra da indústria, tudo que tiver sido diminuído será renovado, pela necessidade e pela renovação dos próprios deuses, pelo curso do círculo da natureza que regula o número.
Pois o divino é a inteira combinação cósmica renovada pela natureza, pois é no divino que a natureza tem seu lugar.

Continua...

sábado, 2 de março de 2019

Reflexão Casual LXXIX‏


" O sistema nos envenena primeiro para depois nos escravizar com suas rações ."

Paulinopax

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O Livro Perdido de Dzyan I

A EVOLUÇÃO CÓSMICA 
NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN
Helena Blavatsky


ESTÂNCIA I

1. O Eterno Pai, envolto em suas Sempre Invisíveis Vestes, havia adormecido uma vez mais durante Sete Eternidades.

2. O Tempo não existia, porque dormia no Seio Infinito da Duração.

3. A Mente Universal não existia, porque não havia Ah-hi para contê-la.

4. Os Sete Caminhos da Felicidade não existiam. As Grandes Causas da Desgraça não existiam, porque não havia ninguém que- as produzisse e fosse por elas aprisionado.

5. Só as trevas enchiam o Todo Sem Limites, porque Pai, Mãe e Filho eram novamente Um, e o Filho ainda não havia despertado para a Nova Roda e a Peregrinação por ela.

6. Os Sete Senhores Sublimes e as Sete Verdades haviam cessado de ser; e o Universo, filho da Necessidade, estava mergulhado em Paranishpanna, para ser expirado por aquele que é e todavia não é. Nada existia.

7. As Causas da Existência haviam sido eliminadas; o Visível, que foi, e o Invisível, que é, repousavam no Eterno Não-Ser — o Único Ser.

8. A Forma Una de Existência, sem limites, infinita, sem causa, permanecia sozinha, em um Sono sem Sonhos; e a Vida pulsava inconsciente no Espaço Universal, em toda a extensão daquela Onipresença que o Olho Aberto de Dangma percebe.

9. Onde, porém, estava Dangma quando o Alaya do Universo se encontrava em Paramârtha, e a Grande Roda era Anupâdaka?


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 5ª Parte

O CATOLICISMO POPULAR II
O QUE ENTENDEMOS DO CATOLICISMO POPULAR?

Paulo da Costa Paiva


AS ÁREAS LIVRE

Os portugueses quando vieram para o novo mundo para terra de Santa Cruz vinham com a obrigação de conquistar almas para Cristo, em expandi o reino de Deus combatendo os inimigos da fé e educar na doutrina cristã, por isso do alto ao mais simples que vinham ao Brasil se sentia responsável na propagação da fé, essa evangelização foi predominantemente leiga, pois a instituição oficial se limitou praticamente ao litoral com raríssima presença no sertão adentro principalmente com o catolicismo regular (religioso missionário). Tanto os portugueses, como os índios mansos e os escravos colonizadores eram os principais propagadores da fé onde a doutrinação, nem sistema colonial e escravocrata não foram predominantes, mas de certa forma surgiu uma área livre se manifestando principalmente pelo os mais pobres, os índios e os negros escravos, de forma mais genuína um catolicismo popular que conseqüentemente revitalizava o catolicismo tradicional e o transformava numa força de libertação. A religião se tornou o único refugio para dignidade e autenticidade dos índios e negros escravos explorados pelo os brancos portugueses, não havia outra saída a não ser a fuga ou próprio suicídio, e foi na resiliência da fé que o mais pobre conseguiu forças diante de tanta opressão e exploração que teve que se submeter de corpo, mas a ‘’ alma “resistiu e transformou os símbolos da religião dominante em sinais de dignidade e autenticidade cultural.

OS ALDEAMENTOS

Os missionários (clero regular), principalmente os jesuítas, que inicialmente se prestaram a experiências superficiais e alienantes do cristianismo medieval dos colonos, perceberam com tempo o verdadeiro drama humano vivido pelos os mais pobres e excluídos (índios e negros escravos) em terras brasileiras, se afastando dos colégios e igrejas barrocas se interessaram pelos aldeamentos organizados. Para conseguir tal intento os jesuítas apelaram à diplomacia junto ao governador representante da coroa portuguesa no dia 30 1556 na Bahia passando as aldeias a constituírem territórios livre e intocáveis. Inicialmente essa evangelização se mostrou muito empolgante e frutuoso, mas com decorrer do tempo percebe-se que os índios mostravam grandes resistências ir às missas dominicais e outros costumes religiosos, com exceções das grandes festas religiosas que tinha após um festejo secular, como também uma forte temor e devoção nas missas de cinza e dia dos finados, em oferta de seus falecidos. Os negros escravos a situação não foi muito favorável, pois eles não conseguiram os benefícios que os índios gozavam como a liberdade ao viver nos aldeamentos, pois permaneciam escravos e sem direito algum em lugar nenhum.
Os jesuítas ao criarem os aldeamentos e proteger os índios de certa forma criaram um estado dentro do estado, não voltado à exportação de suas riquezas naturais, mas ao contrario para economia interna, que com o tempo foi se tornando cada vez mais autônoma e rica, e tudo isso estava incomodado os colonos, pois além da riqueza que alimentava cada dia mais dos jesuítas com a mão de obra indígena que apesar disso gozava de certa liberdade e outros benefícios. Para os colonos a submissão era fundamental para integração, era necessário subjugá-los para poder entregá-los na realidade cristã dos colonos europeu vivido no Brasil. Quando os Jesuítas foram expulsos (1759) durante a reforma pombalina os beneficiados foram os próprios colonos que foram aos poucos se fixando nas localidades se tornando vilas e posteriormente cidades em boa parte do norte do país. Infelizmente o índio não se adaptou na convivência com os brancos foram flagelados pelas doenças e pelos vícios, eram bastante maltratados pelos brancos e uma boa parte viviam numa permanente embriaguez, a única forma de sobreviver diante dessa situação tão tenebrosa foi à mestiçagem, e somente por miscigenação é que até hoje a herança indígena brasileira resiste em permanecer.

OS QUILOMBOS

Segundo a observação de viajantes no século XIX que se aventuraram no sertão a fora no Brasil colonial, relatavam que os negros fugitivos em quilombos guardavam o catolicismo zelosamente e que muitos quilombolas foram missionários, propagando a fé cristã em regiões nunca antes evangelizadas, que esse catolicismo tinha um forte sincretismo entre os ritos católicos misturado com a cultura indígena e africano. Diferente das religiões africana como o candomblé que sugere a lembrança saudosa da áfrica (Banzo) e seus deuses sobrevive “em exílio”, no quilombo apresenta-se um Brasil diferente onde se manifesta a esperança dos negros brasileiros onde a religião católica assume um novo significado, do catolicismo livre (libertação). Nos quilombos foram proibidos os cultos africanos, aderindo em comum somente os cultos católicos, pois o catolicismo representava a segurança recebida nos engenhos onde os negros fugitivos se identificavam muito mais com os santos católicos no qual tinham uma forte devoção do que propriamente com os orixás africanos. Outra coisa de profunda importância nos quilombos foi à unidade e confraternização de diversas procedências africanas que foram somente possíveis através do sincretismo católicos, que diferentemente dos engenhos, as tribos eram divididas por nações de origem, para alimentar o ódio entre eles próprios de guerras locais antes da escravidão do branco, evitando dessa forma o risco de se unirem e provocarem futuras revoltas sendo proibida a existência de feiticeiros, dando exclusividade as orientações exclusivamente católicas, por isso sendo necessário raptos de sacerdotes para poderem celebrar os cultos, sacramentos e festas religiosas como se viviam antes nos engenhos e fazendas, havendo também entre eles sacerdotes negros, num catolicismo guerreiro todo dirigido aos cativeiros, onde os negros até que não podia se defender materialmente contra o regime opressor dos brancos, mas se refugiava nos valores místicos que eram intocáveis e profundamente sagrados.


Paz e Bem!

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Corpus Hermeticum II

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto



IIA - DE HERMES A TAT: DISCURSO UNIVERSAL

Diálogo perdido

IIB - TÍTULO PERDIDO

1 Todo móvel, Asclépios, não é movido em qualquer coisa e por qualquer coisa? - Seguramente. - E não é necessário que aquilo em que o móvel se move lhe seja maior? - É necessário. - O motor, que te parece, é mais forte que o móvel? - Mais forte, com efeito. - E isso no qual o móvel se move é necessariamente de uma natureza oposta àquela do móvel? - Sim, absolutamente.
2 Agora, é tão grande este mundo que nenhum corpo não lhe possa ser maior? - De acordo. J-- E ele é compacto? Pois está repleto de muitos outros grandes corpos, ou, para dizer melhor, de todos os corpos que existem. - É assim. - Ora, o mundo é precisamente um corpo? - É um corpo. - E um corpo que é movido?
3 - Seguramente. - Qual o tamanho que deve ter o lugar no qual o mundo se move e de que natureza? Não deve ser bem maior, para ter condições de conter o movimento contínuo do mundo e para que o móvel não seja comprimido pela estreiteza do lugar e não cesse assim seu movimento? -Ele deve ser qualquer coisa de imenso, oh! Trismegistos.
4 Mas de qual natureza será este lugar? Da natureza oposta, não é Asclépios? Ora a natureza oposta ao corpo é o incorpóreo. - Eu convenho. - O lugar será então incorpóreo. Mas o incorpóreo, é ou qualquer coisa de divino, isto é, não engendrado, ou bem é Deus.
5 Se então o incorpóreo é o não engendrado, é da natureza da essência e se é Deus é ocorrente mesmo sem essência. Por outro lado é inteligível da seguinte maneira. Deus é para nós o primeiro objeto do pensamento, ainda que ele não seja objeto de pensamento para si mesmo (pois o objeto de pensamento cai sob os sentidos daquele que o pensa. Portanto Deus não é objeto de pensamento para si mesmo: pois não é uma coisa diferente do pensado de sorte que ele pensa a si mesmo.
6 Para nós contrariamente, Deus é alguma coisa de diferente e eis porque é objeto de pensamento para nós.) Ora, se o lugar é objeto de pensamento, não o é enquanto Deus, mas enquanto lugar. E mesmo se o tomarmos como Deus, não é enquanto lugar, mas enquanto energia capaz de conter todas as coisas. Todo móvel é movido não em qualquer coisa que se move, mas em qualquer coisa em repouso: o motor também está em repouso, pois não pode ser movido com aquilo que move.
- Como então, oh! Trismegistos, as coisas cá de baixo são movidas com as coisas que as movem? Eu te ouvi dizer, com efeito, que as esferas dos planetas são movidas pelas esferas das fixas. - Não se trata, Asclépios de um movimento solidário, mas de um movimento oposto: pois essas esferas não são movidas por um movimento uniforme, mas por movimentos opostos uns aos outros e esta oposição implica um ponto de equilíbrio fixo para o movimento:
7 pois a resistência é parada do movimento. Assim então as esferas dos planetas sendo movidas em sentido contrário da esfera das fixas, encontram-se em oposição com a própria oposição, sendo movidas por ela como estacionária. E não poderia ser de outra forma. Deste modo estas duas Ursas que, como o vês, não possuem nem oriente nem ocidente, e que giram sempre em torno do' mesmo centro, pensas que estão em movimento ou repouso? - Movem-se, oh! Trismegistos. - Com qual movimento, Asclépios? - Com o movimento que consiste sempre em girar em torüo dos mesmos eixos. - Sim e o movimento circular não é nada mais que o movimento em torno de- um mesmo centro firmemente contido pela imobilidade. Com efeito o movimento em torno de um mesmo centro exçlui a possibilidade de um movimento do eixo. De onde vem que o movimento em sentido contrário detém-se em um ponto fixo, pois tornou-se estaoionário pelo movimento oposto.
8 Eu vou to dar um exemplo na terra visível a olho nu. Veja os viventes perecíveis, o ser humano por exemplo, nadando. A água é arrastada pela sua corrente: mas a resistência dos pés e day mãos torna-se para o ser humano estabilidade, de modo que não éarrastado com a água. - Este exemplo é muito claro, oh! Trismegistos.
Todo movimento então é feito numa imobilidade e por uma imobilidade. Assim então, o movimento do mundo, bem como de todo vivente material deve provir não de causas exteriores ao corpo mas interiores, operando de dentro para fora, quer seja dos inteligíveis, quer seja a alma ou o sopro ou qualquer outro incorpóreo. Pois um corpo não pode mover um corpo animado nem, de uma maneira geral, nenhuma espécie de corpo, mesmo se este corpo movido é inanimado.
9 Como disseste aquilo, Trismegistos? As peças de madeira então, e as pedras e todas as outras coisas inanimadas, não são os corpos que os movem? - Não, Asclépios. Pois é o que se encontra dentro do corpo que é motor da coisa inanimada e não esse corpo mesmo, que move de uma só vez os dois corpos, o corpo daquele que porta e o corpo do que é portado: eis porque um inanimado não saberia movimentar um inanimado. Vês então a carga extrema da alma quando, sozinha, deve carregar dois corpos. Desta forma os objetos são movidos dentro de qualquer coisa e por qualquer coisa, é evidente.
10 É no vácuo que os objetos móveis devem ser movidos, oh! Trismegistos? - Contenha a língua, Asclépios. Absolutamente nenhum dos seres são vazios, em razão mesmo de sua realidade: pois um ser não poderá ser alguém, se não estiver repleto de realidade: ora o que é real nunca poderá tornar-se vazio. - Mas não existem certos objetos vazios, oh! Trismegistos, como um jarro, um pote, almofarizes e outros semelhantes? - Oh! Que erro imenso, Asclépios, o que é absolutamente cheio e repleto tome-o por vazio!
11 - Que dizes, oh! Trismegistos! - O ar não é um corpo? - De fato. - Esse corpo não penetra através de todos os seres e não preenche todos pela sua extensão? Todo corpo não é constituído pela mistura dos quatro elementos? Todas essas coisas que dizes vazias, são portanto repletas de ar; se estão repletas de ar, o são também dos quatro corpos elementares e eis-nos diante de teu engano: essas coisas que dizes plenas são vazias de ar, seu espaço se encontra reduzido por outros corpos de modo que não tem mais lugar para receber o ar. Essas coisas então que dizes vazias, devem antes ser chamadas de ocas, não vazias, pois do próprio fato de sua realidade estão cheias de ar e de sopro.
12 - Esta proposição é irrefutável, oh! Trismegistos. O lugar no qual então se move o universo, que dizemos que ele é? - Um incorpóreo, Asclépios. - Mas o que é incorpóreo? - Um intelecto, que contém inteiramente a si próprio, livre de todo corpo, infalível, impassível, intangível, imutável em sua própria estabilidade, contendo todos os seres e os conservando no ser, do qual são como os raios, o bem, a verdade, o arquétipo do espírito, o arquétipo da alma. - Mas Deus, então, o que é? - É aquele que não é nenhuma dessas coisas, mas que por outro lado é para essas coisas a causa de sua existência, para tudo e para cada um dos seres.
13 Pois ele não deixou lugar algum ao não ser; a todas as coisas que existem vêm e são a partir de coisas que existem, e não a partir de coisas inexistentes: pois não é da natureza das coisas inexistentes vir a ser, mas sua natureza é tal que elas não podem ser qualquer coisa, e em contrapartida as coisas que são não poderão vir a não ser, jamais.
14 Que queres dizer com "não ser jamais"? - Deus, então, não é intelecto, mas é a causa da existência do intelecto, e não é sopro, mas é a causa da existência do sopro e ele não é luz mas é a causa da existência da luz. De modo que é sob esses dois nomes que é preciso adorar a Deus, pois pertencem somente a ele e a nenhum outro. Pois nenhum dos outros seres chamados deuses, nem os humanos, nem os daimons podem em qualquer grau que seja, ser bons, salvo Deus somente. Ele apenas é isto e nenhum outro: todos os outros seres são incapazes de conter a natureza do Bem, pois são corpo e alma e não possuem lugar que possa conter o Bem.
15 A amplitude do Bem é tão grande quanto a realidade de todos os seres e dos corpos, bem como dos incorpóreos, dos sensíveis e dos inteligíveis. Eis o que é o Bem, eis o que é Deus. Não chame nenhuma outra coisa de boa pois isto é impiedade, ou dê a Deus qualquer outro nome que esse único nome de Bem, pois isto também é uma impiedade.
16 Certamente, todos pronunciam a palavra Bem, mas não percebem o que ela pode ser. Eis porque não percebem também o que é Deus, mas, por ignorância, chamam bons os deuses e certos homens, ainda que não o possam ser e nem se tornar: pois o Bem é o que menos se pode retirar de Deus, é inseparável de Deus, porque é o próprio Deus. Todos os outros deuses imortais são honrados com o nome de Deus. Mas, Deus é o Bem, não por uma denominação honorífica mas pela sua natureza. Pois a natureza de Deus é apenas uma coisa, o Bem, e os dois juntamente formam uma única e mesma espécie, da qual saem todas as outras espécies. Pois o ser bom é aquele que tudo dá e nada recebe. Ora, Deus tudo dá e nada recebe. Deus é portanto o Bem e o Bem é Deus.
17 A outra denominação de Deus é a de Pai, devido à virtude que possui de criar todas as coisas: pois é ao Pai que cabe o criar. Também a procriação das crianças é tida pelas pessoas sábias como a função mais importante da vida e a mais santa, e se vê o fato de um ser humano deixar a vida sem procriar como o maior infortúnio e o maior pecado, e um tal ser humano é punido depois da morte pelos daimons. Eis a pena a que é submetido: a alma do ser humano que morre sem filho é condenada a entrar em um corpo que não possui a natureza de homem, nem de mulher, o que é objeto de execração por parte do sol. Por esta razão, Aselépios, deves guardar-te de felicitar o ser humano que não possui filhos: contrariamente, apieda-te de sua infelicidade, sabendo qual o castigo que o espera. Mas isto basta, Asclépios, como conhecimento preliminar da natureza de todas as coisas.

Continua...