sábado, 15 de dezembro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 3ª Parte

O CATOLICISMO PATRIARCAL
ESTABELECIMENTO DE UMA “SOCIEDADE DE ORDENS” NO BRASIL

Paulo da Costa Paiva


Durante o século 16 por causa dos perigos causados pela resistência dos índios no interior e dos franceses, ingleses e holandeses no mar, a cultura colonial se limitava a uma estreita faixa litorânea. Sendo os engenhos e as fazendas a marca duradoura desse período, pois não é tanto nos centros urbanos que se deve procurar a grande concentração de vida no Brasil colonial, mas sim nos isolados e rudimentares estabelecimentos rurais. Isso se intensificou com o surgimento de fazenda motivado pelos bandeirantes que explorava o interior brasileiro e a principal característica são a importância da liderança local e o aproveitamento do trabalho escravo totalmente dependente dos senhores das fazendas e dos engenhos, sendo conhecida culturalmente como o período patriarcal. Tudo isso foi criação do governo metropolitano motivada pela questão das terras roubado dos índios pelo reino de Portugal, mas diante disso se via a necessidade de legitimar como terra brasileira como propriedade de justo e por direito da coroa. Baseados em teoria nem tanto portuguesa e sim espanhola, se imaginava que o mundo inteiro seria um grande feudo cujo senhor supremo seria Deus, que tinha como o seu representante na terra o Papa, então dessa forma se criou uma relação senhor - vassalo entre o Papa e o rei, dessa forma também o Rei e o donatário que receberam uma capitania e assim conseqüentemente até chegar ao senhor dos engenhos e fazenda. A religião novamente foi uma ferramenta fundamental diante da população, pois os novos senhores de terras foram sendo conhecidos como nobres numa política de nobilitação e paralelamente junto aos escravos à política era paternalista e tutelar. Conseqüentemente num jogo de interesses mútuo, a própria Coroa portuguesa buscou também notibilitar os bispos do Brasil colonial, sendo convergidos em honras e com os maiores salários da folha eclesiástica.


O CATÓLICISMO PATRIARCAL E SUAS CARACTERÍSTICAS

O catolicismo nesse período colonial tinha como função especifica de sacralizar e perpetuar o poder do estado, a própria instituição no Brasil se tornou uma “Religião Estado”, totalmente inserida e disponível ao interesses escravocratas dos senhores locais e tinha como objetivo impedir o nascimento de uma consciência de comunidade entre trabalhadores nos engenhos, nas fazendas e minerações, os mantendo, mas afastado possível, impedindo uma futura rebelião contra a colônia. A religião buscava orientar e plasmar a religiosidade povo escravo lhe tirando todo dinamismo transformador. O engenho assim como as fazendas se tornou sagrado, conseqüentemente seus senhores também se tornando pessoas iluminadas e sagrada com a benção de Deus para aquela função de apadrinhamento dos seus que se encontrava em suas fazendas e engenhos, já os escravos tinham de total submissão e fidelidade ao seu senhor.  Enquanto na América espanhola o poder era predominantemente centralizado na América portuguesa seguia o caminho totalmente oposto, onde o poder local (engenhos e fazendas) foi praticamente absoluto e incontestável. 
            Nos engenhos e fazendas não somente os escravos eram obedientes ao senhor local, mas os próprios sacerdotes que tinham a função da desobriga como também catequizar no conformismo como forma de expiação de seus pecados para um futuro de consolação junto a Deus, sendo fiel e obediente ao seu senhor e a Igreja. No Brasil só reconheceu um clero livre e independente através dos jesuítas, mas somente entre aqueles que se interessava ao trabalho missionário nos aldeamentos já o restante do clero era ligada aos engenhos e fazendas que se submetiam de bom agrado ao servil do sistema patriarcal. Apesar de tudo isso dentro dos engenhos e fazendas havia certa liberdade de suas tradições religiosa velada e absolvida no sincretismo religioso predominantemente cristão. Dessa forma o catolicismo patriarcal foi duradouro, transformando um catolicismo monacal, puritano e celibatário num avesso sendo sensual e até libertino, que suportava poligamia e promovia namoros nas portas das Igrejas (Festejos de santos casamenteiros), que refletia a realidade de uma cultura rural, patriarcal e escravocrata.

A DUPLA MORAL DO CATÓLICISMO PATRIARCAL

                        A ambigüidade moral é explicitamente identificável no cotidiano patriarcal e católico na colônia brasileiro do reino Portugal, pois prega uma moral para os proprietários e outra mora para os escravos. E essa moral vivenciada pelos senhores se baseia numa sacralização do assistencialismo junto aos pobres já a outra moral relacionada ao escravo e pobre se torna possível sua santificação pelo conformismo de sua realidade como designo de Deus. A colonização portuguesa na terra de Santa Cruz foi vivida numa contextualização medieval e seus dirigentes como verdadeiros nobres onde o assistencialismo e o paternalismo são predominantes e considerados virtude. Mas não bastava se limitar somente em dar esmola, era fundamental se ouvir o clamor do pobre, e não se refugiar num ato que primeiramente poderia ser bom e nobre, mas se concretiza como uma fuga, pois os considerados herdeiros vindos do reino de Portugal eram na realidade, os invasores que se comportavam se comportavam diante dos nativos (índios) como os legítimos donos da terra. Os proprietários têm consciência que estão errados, mas conseguem reprimir isso dentro de si, e a esmola se torna uma maneira (ou fuga/desculpa) para se criar uma consciência tranqüila velada deturpadamente nas exigências do evangelho.  Os que defendiam ou pelo menos se importavam com os pobres seria os jesuítas principalmente junto aos índios, já junto aos escravos africanos era tão desesperador de que única forma de se amenizar as dores dos negros escravos seria na comparação com as dores de Cristo em sua paixão ao levar a cruz, que se conforma com todas as dores e humilhação por amor ao Pai e a humanidade para remissão dos pecados e a salvação de todos. O negro assim como o Cristo Jesus na sua dolorosa obediência era convidado a amenizar suas dores, tudo suportando em sua vida tão dura e difícil, no martírio da vossa imitação (Cristo), numa esperança que não se faz presente aqui, mas nos Céus.

O CATOLICISMO MINEIRO

            O catolicismo mineiro foi predominante em toda América desde o início, tanto por espanhóis como por portugueses, só que os hermanos espanhóis encontraram ouro e prata bem antes, já na época do descobrimento do novo continente. Na colônia portuguesa, Foi através das entradas e bandeiras pelo interior brasileiro que encontraram ouro no Brasil, como também prata e cobre e pedras preciosas como diamantes e esmeraldas. O objetivo dos reinos de Portugal e Espanha não era outro se não explorar as riquezas das terras virgem do novo mundo principalmente o ouro e a prata, pois eram fundamentais para o comercio intercontinental, desde a descoberta do novo mundo até pouco antes do século 19, onde o ouro que alimentou a Europa veio principalmente da América Latina. Diante dessa grande realidade econômica cooperou na formação de um tipo de religião que estava a serviço da exportação do ouro. Duas classes estavam profundamente interessadas em manter o catolicismo mineiro como ferramenta de seus interesses, que são os funcionários do governo e os comerciantes de ouro, esses homens exercem nas minas o mesmo papel religioso e paternal que os senhores dos engenhos e fazendas fazem em suas localidades, contribuindo para as construções e o sustento de magníficas igrejas, como também para os brilhos de festas e de procissões, sempre mantendo as pregações moralizantes junto aos produtores de minérios, proprietários e escravos.
            Grande parte do ouro (pois havia os extravios) ia para o Reino de Portugal, mas precisamente durante reinado de Dom João V que sofria de “Mania devota”, grande parte foram gasto em construção e reconstrução de igrejas e conventos em Portugal, como também numerosas indulgência à Santa Sé assim como diversas bênçãos papais. Era tanto ouro que deu impressão de que já não sabia mais o que fazer com tanta riqueza vinda do Brasil, se mostrando incapaz de trazer prosperidade para o seu povo que ficou pobre como antes. Isso refletia aqui também no Brasil a total mediocridade dos Vice-reis, governadores, capitães e donos terras mostrando sua incapacidade nos gasto com as riquezas em mãos, que só servia para ostentação e gastavam em construções religiosas e compra de títulos honoríficos. Enquanto uma minoria esbanjava as riquezas provindas dos minérios brasileiros, uma grande parte da parcela dos habitantes vivia em total miséria, vivendo sobre a mão de ferro do império que mantinha total vigilância contra as tentativas de contrabando de ouro e dos riscos de contestação por parte de religiosos, seguindo a cartilha da igreja secularizada a serviço do reino de Portugal que a mantinha e financiava, mas é na própria igreja onde também se encontrava refugio de esperança e o lazer provindo das festas santas. Enquanto as minas brasileiras fazem crescer a circulação de ouro na Europa, paralelamente a isso no Brasil não circulava dinheiro e conseqüentemente surgem às dívidas externa e já não se pode dizer que Portugal é dono do País, pois a metrópole se tornar dependente do reino britânico.


Paz e Bem!

sábado, 1 de dezembro de 2018

Reflexão Casual LXXVI


“O sono é o ensaio diário para a morte, assim como o despertar é o exercício constante para eternidade."

Paulinopax

sábado, 17 de novembro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 2ª Parte

O CATOLICISMO GUERREIRO II
O MESSIANISMO GUERREIRO DOS PORTUGUESES COLONIZADORES

Paulo da Costa Paiva


OS EFEITOS DO CATOLICISMO GUERREIRO SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA

            Assim como toda ação leva a uma reação, Os índios assim como também os africanos reagiram à religiosidade violenta e opressora do cristianismo guerreiro da mesma forma, transformando seus deuses em divindades vingativas e violentas, partindo para o “olho no olho, dente por dente”. Os índios despertaram em sua religiosidade os antigos deuses guerreiros onde uma força divina que os transformavam em instrumento duma luta sobrenatural, já na religiosidade africana se refugiou, mas precisamente no plano místico onde seus deuses agrícolas e pastoris se transformaram em divindades violentas e vingativas, que nessa transição não se deve jamais ser subestimada, pois se trata de uma forma de resistência social, cultural e político que levara futuramente a redenção da escravatura. O espírito de vingança que reina em diversas regiões brasileiras não é porque seja um "gênio popular” ou porque seria uma característica do caráter indígena ou do africano, mas sim uma forma de resistência contra a opressão e exploração causada pela elite colonial e branca européia, com a sua doutrinação esmagaste, onde se viam como salvadores de almas dos gentios (nativos e escravos) para o Deus cristão, mas que na prática foram em nome desse próprio Deus que escravizaram, exploravam e matavam para seu próprio beneficio, se utilizando da religião como pano de fundo para todas as suas atrocidades.

A PERSISTÊNCIA DO CATOLICISMO GUERREIRO NO BRASIL

            O catolicismo guerreiro influenciou fortemente o cotidiano brasileiro tanto os civis com a sua religiosidade popular como as próprias forças militares respirava da espiritualidade guerreira, tinha seu capelão como também tinha seu padroeiro que deveria ser um santo guerreiro, mesmo não sendo reconhecido canonicamente como militante de Deus, mas sofria uma profunda mudança e releitura teológica com uma representação guerreira. Entre os militares muitos abraçavam esse ideal de vida de entrar em combate em nome de Deus, e existem entre eles índios e negros que vestiam a causa por obediência aos seus senhores em nome de Deus e da coroa portuguesa, isso se torna muito interessante para elite colonial brasileira, pois indivíduos pobres e marginalizados a serviço de grupos aristocratas, se torna ideal para os promotores da guerra Santa na terra tupiniquim. Entre eles temos o índio Felipe Camarão que combateu a favor dos senhores de engenhos contra os comerciantes holandeses, outra imagem conhecida seria do negro Henrique Dias que mereceu as mais altas honras militares por ter sido fielmente dedicado aos intentos guerreiros de seus senhores.
            Mas como se torna possíveis os marginalizados e explorados abraçar os ideais dos colonos aristocratas? Tudo isso era possível porque existe sem duvida o atrativo financeiro e a possibilidade de ascensão dos mestiço ou mulato na sociedade de ordens, mas isso nem sempre era suficiente para garantir a lealdade desses indivíduos como de todos os militares em geral juntos a elite colonial por isso existia uma grande desconfiança entre ambos. Para isso novamente a religião era usava como ferramenta ideológica para impor entusiasmo como também impor o medo. Primeiramente entusiasmar o povo com animação popular e religiosa, com todos os seus simbolismos religiosos: Triunfos Eucarísticos, procissões, festas, sermões. E havia também competições desportivas tudo isso historicamente em todo processo desde primórdio da civilização ocidental conhecemos como a dita política do pão e circo que acalma as grandes massas insatisfeitas. Outra forma que se utilizava para manter o povo no cabresto seria através do medo, amedrontando a massa era possível controlá-la, isso nesse perigo seria através da fé que sendo infiel e desobediente aos seus senhores e autoridade poderiam queimar no fogo do inferno, outra forma era trazer o próprio inferno ao mundo dos vivos, que seria o próprio santo oficio que torturava, esquartejava ou queimava vivo num verdadeiro circo de horrores, no Auto de Fé onde a própria multidão torcia pelos juízes (representantes de Deus) condenasse os hereges.

A CONTESTAÇÃO DO CATOLICISMO GUERREIRO EM NOME DO EVANGELHO

            A Tomada de posse do Brasil pelos europeus foi gradativamente lenta e praticamente esporádica, dessa forma também a contestação tanto no Reino de Portugal como na colônia, pois não houve no Brasil uma conquista global, pois suas guerras e revoluções sempre foram locais e facilmente abafadas pelas autoridades. Observa-se que durante o processo histórico que alguns padres bateram de frente todo o sistema opressor das autoridades tanto do reino de Portugal como do próprio alto clero em nome do evangelho, pois se via uma contradição com a sua própria essência para os seus próprios interesses, pois só quem sentia eram os marginalizados e excluídos da sociedade, o negro, o índios e o pobre em gera.
 Dessa forma podemos citar alguns que se destacaram na história como, por exemplo, o padre Gonçalves Leite, SJ (1546-1603) português e primeiro professor de filosofia no Brasil, que sustentava a tese que “Nenhum escravo da África ou no Brasil é justamente cativo.” Diante de sua posição ficou insuportável a sua permanência, sendo convidado a voltar a Portugal em 1586, pois além de contradizer os interesses das Autoridades Coloniais como uma grande parte da Igreja, poderia ser que suas idéias e fomentasse e causaria um perigo maior de futuros movimentos revolucionário contra a Coroa de Portugal. Nessa mesma corrente ideológica, outros padres se destacaram como o Pe. Miguel Garcia que defendia a liberdade dos índios, o padre Luis da Grã que se opôs à comercialização dos escravos, outro que combateram a sacramentalização precipitada como o padre Inácio de Tolossa que discutia a validade do matrimônio realizado entre os índios como também a legitimidade de compra e venda de escravos, e a liberdade original dos índios.  Muitas outras problemáticas que surgiam na colônia que contentavam seriamente os princípios do evangelho de Jesus Cristo.
            No século XVI, o Padre Antônio Vieira com os seus sermões que na verdade era uma grande arma e com a sua voz possante conseguia conscientizar os portugueses brasileiros e outros colonizadores sobre seus erros da colonização. Ele resistiu firmemente todos os embates e quando aos 73 anos, retornando novamente ao Brasil se dedicou aos trabalhos missionários especificamente junto aos índios.  Padre Antônio teve outros sucessores que deram continuidade a sua iniciativa no combate dos abusos dos Senhores e das autoridades colonial contra os índios e os negros. Essa tradição teológica de resistência principalmente ao lado do índio terminou bruscamente com a expulsão dos jesuítas no ano de 1759 e através da reforma pombalina, mas apesar de toda violência imposta pela coroa com uma nova forma de teologia, mas interessada em favorecer os colonos não reprimiu as idéias de resistência por parte dos negros e índios catequizados pelos jesuítas, que mesmo ausente a partir de então, seu fruto de luta contra a opressão permaneceu em seus corações.


Paz e Bem!

sábado, 3 de novembro de 2018

Reflexão Casual LXXV


“Somos maquinas biológicas e podemos até certo ponto assemelhar-se (de forma tosca - memória/mente) aos computadores mais evoluídos da atualidade, mas o diferencial é que nossa mente é ilimitada, e seu material é etérico (jamais pode se corromper) por mais que o corpo padeça nossa memória (inteligência, consciência,...) não se perde, mas aos poucos vai se limitando ao mundo físico, até o ponto de não poder mais interagir e nada mais assimilar de conhecimento (experiência)... Morrendo a nossa mente que fez do cérebro sua morada transcende a sua matriz que está além do principio e fim de todas as coisas."

Paulinopax

sábado, 20 de outubro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800

O CATOLICISMO GUERREIRO
O MESSIANISMO GUERREIRO DOS PORTUGUESES COLONIZADORES

Paulo da Costa Paiva


            O catolicismo Guerreiro é uma tradição vinda do outro lado do atlântico, mas precisamente da península Ibérica de conquistas e reconquistas das tão famosas cruzadas contra os infiéis (árabes), com este espírito de guerreiros nesta guerra santa, vieram para outro lado dos mares para as terras dos tupiniquins, que ao chegarem por aqui nomearam como terra da Santa Cruz e posteriormente como Brasil. Essa mentalidade de prontidão de guerra contra tudo e contra todos que oposicionar-se a madre Igreja estava impregnada no clero, na nobreza e conseqüentemente na mente de todo os fieis, que enxergavam as novas terras descobertas como uma missão a serviço do Reino de Deus através da coroa portuguesa. Entre os portugueses existia uma forte influência de mentalidade messiânica nacionalista, onde se reconheciam como o povo eleito de Deus que tinha como missão estabelecer o Reino de Deus neste mundo, onde cada português tinha um dom especial a serviço de Deus através da obediência a coroa portuguesa, que reconheciam o seu Rei como governante do poder temporal e o Papa como governante do poder espiritual no século, em nome de Deus sendo seus representantes na terra. Isso foi muito divulgado principalmente no Brasil por Padre Antonio Vieira (Jesuíta), que reconhecia o reino de Portugal como exclusivamente de Deus e que essa nação seria o seu próprio seminário da fé aqui na terra a ser propagado ao mundo inteiro e cada português um apóstolo da fé, anunciando o Reino de Deus até os extremos da terra como já se dizia no evangelho. Via toda a obra de navegação e exploração de novos mares e novas terras como ação e instrumentação em favor do anuncio do Reino de Deus, sendo os navegantes portugueses esses anjos (soldados-missionários) que vinham aos gentios (nativos – índios brasileiros) que os esperavam para sua conversão e salvação em nome Cristo Jesus. Reconheciam também que a escravidão como meio de salvação para todo que se submetia (forçosamente) servindo ao seu senhor aqui na terra receberia sua recompensa eterna nos céus, a salvação dos pecados e as primícias na presença de Deus em seu reino.

A IDÉIA DE “GUERRA SANTA” NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

            O cristianismo nos seu primórdio era totalmente oposto a qualquer tipo de violência, viviam praticamente em anunciar e testemunhas a fé em Cristo Jesus, na ajuda aos irmãos necessitados e os pobres e perseguidos que vivam em total abandono pelas cidades e vilarejos através do serviço caritativos. As guerras eram de interesse dos Estados (Impérios e reinos) melhor dizendo dos ricos e poderosos que por séculos perseguiam, torturavam e matavam muitos cristãos. Somente quando a Igreja se torna aliada dos poderosos constituídos (romanos) e que dá uma grande virada na sua própria história de perseguida pelos gentios, se coloco de lado oposto quando se torna a religião oficial do Império Romano, passa então perseguir e matar muitos que se resistiam à fé cristã via a missão como combate de guerra para conversão dos infiéis e gentios. Isso se agravou muito com o surgimento do islamismo que tinha como preceito de sua fé a guerra santa, que era meio de santificação e salvação, e de forma muito violenta ia se expandindo de cidade a cidade do oriente ao ocidente. Essa situação preocupou muitos reinos no ocidente como também a própria Igreja Romana que sentiram profundamente ameaçados. Diante dessa situação tão complexa a Igreja tinha que se posicionar para sua própria existência na história. As milícias católicas não eram, mas baseadas na não-violência, mas sim no uso de armas, santos e santas que nada tinha haver com a profissão militar, receberam um novo significado de santos guerreiros na sua religiosidade devocionaria.
            A colonização do Brasil foi realizada numa época em que a idéia de guerra santa era plenamente aceita pela cristandade Ibérica e os índios foram a primeiras vítimas desse contexto histórico, como a aculturação imposta aos nativos na urgencialidade da conversão dos gentios em nome de Deus para salvação de suas almas. Paralelamente trazendo de Portugal toda a sua religiosidade guerreira como, por exemplo, a vinda das primeiras imagens de santos e santas medianeiras, milagreiras e conseqüentemente guerreiras, como também a construções de Igrejas e capelas em homenagem a suas vitórias e livramentos contra gentios e infiéis (protestantes). Nesse contexto de vida já daquela intensidade conflitiva dos combates contras os ímpios (árabes) na península Ibérica, nas cruzadas para conquista da terra santa, muitos colonos como os missionários respiravam uma espiritualidade ideologicamente guerreira e a própria cruz que era símbolo exclusivamente da vitória cristã sobre a morte e o pecado, se tornou instrumento de guerra e estandarte dos exércitos apara amedronta e esmagar os inimigos. Tomar a cruz e seguir Jesus passou a significar alistar-se na cruzada e partir para terra santa, a peregrinação transformou-se em guerra, a mensagem de Cristo em apelo para violência e morte aos ímpios.

EXPRESSÕES CONCRETAS DO CATOLICISMO GUERREIRO NO BRASIL PORTUGUÊS

            A Ideologia da guerra santa penetrou em diversas expressões da vida colonial no Brasil, percebem-se claramente isso com os primeiros jesuítas vindos às terras brasileiras junto à catequese diante dos nativos, os índios. Os administradores (governos) da colônia portuguesa foram inicialmente muito prestativos aos padres da companhia (jesuítas) que vinham as missões nas novas terras da coroa portuguesa, que foram em missão catequizar os índios, que primeiramente viram uma grande dificuldade junto aos nativos adultos, buscaram evangelizar as crianças indígenas que conseqüentemente os pais eram também catequizados de forma indireta, o batismo assume um novo sentido no contexto guerreiro das missões, onde se forçava explicitamente uma conversão:“ Aceitar o batismo ou ser exterminado.” Dessa forma toda a tribo de uma só vez se convertia ao cristianismo romano, onde até os índios brabos se amansava para a sua própria sobrevivência. A própria eucaristia passa por um processo de transformação no seu sentido sociológico, passando a ser um objeto de manifestação pública como procissões e exposições, se diferenciando com a vivência cristã dos primórdios do cristianismo que escondia em catacumba para viver sua fé entre irmãos perseguidos templos romanos.
            Outro momento de grande repressão que se utilizou da religiosidade para destrar a sua população foi no século 18 nas regiões de minas gerais no período da exploração principalmente do ouro para o reino de Portugal, onde foi proibida a imprensa e qualquer expressão livre de pensamento e de cultura evitando dessa forma qualquer tipo de rebelião, fomentando na religião católica uma total submissão as autoridades e que os escravos e a população pobre buscavam refugio, gozo e conforto em Jesus o nosso Senhor. Nesse período já haviam expulsados os Jesuítas que insistiam em defender os índios e também pelas riquezas adquiridas através da própria mão de obra indígenas, que incomodava não somente os colonos mais também as autoridades locais, que por tempos de conflitos conseguiram os expulsa-los e se apossar de seus bens. Dessa forma a religião sobre o cuidado do clero secular se tornou o refugio dos problemas da vida, um descanso festivo no meio de grande dureza da luta cotidiana, numa procissão onde cada um no seu devido lugar (segundo as posições sócias e raciais), respeitando as leis impostas pelos fortes e poderosos com as bençãos de Deus.

Continua...

Paz e Bem!

sábado, 6 de outubro de 2018

Reflexão Casual LXXIV


“Muitos que se dizem cristãos entram em total contradição com aquilo que eles mesmos dizem acreditar. A alienação (ignorância) leva ao fundamentalismo e ao idolatrismo tanto de imagem como ao idolatrismo do livro (Bíblia)... Por ai você ver que não adianta passar anos e anos rezando, esquentado o banco da igreja, se na hora que podem demonstrar misericórdia e o amor de Deus para com seu próximo age contrario como seres bestiais espelhando aos ditos demônios que tanto repugnam e tanto se assemelham!”

Paulinopax

sábado, 22 de setembro de 2018

" 'Eu te constitui como luz para os gentios..."

Paulo, o Apóstolo dos Gentios 

Paulo da Costa Paiva


       Paulo, que se auto-intitula apóstolo e que se faz servo do Senhor, mostrando sua seriedade e rigorosidade consigo mesmo e a missão, como também por todos aqueles que acolheram a boa nova, anunciada mostrando o zelo e amor profundo a Cristo e a sua ordem de evangelizar até os confins do mundo.  Por, mas que tenha direito não concebido, mas conquistado pela sua árdua doação ao ministério de Cristo junto aos judeus além fronteira de Israel como também e principalmente junto aos gentios não se beneficiou diretamente dos títulos (só quando necessário), mas preferiu a simplicidade do seu próprio sustento com seu oficio em cidades e cidades que visitava fundando uma nova comunidade, sendo fermento no meu povo se misturando e conhecendo suas realidade e necessidades, sendo um arauto de Cristo dialogava a partir dos contexto apresentado nas cidade que visitava como um autentico missionário e diplomata do reino de Deus, e por sua inteligência e esforços e principalmente guiado pelo santo Espírito a semente, de Cristo brotava em cidade em cidade sendo para Paulo o prêmio como graça divina por sua fiel servidão ao Senhor Jesus Cristo.
                Paulo é uma pessoa bastante aberta e muito sincera sobre o que sente e vê, mostrando-se realmente como é, sem mascaras ou formalidade, em seus escrito mostra claramente sua espontaneidade tanto nas suas alegrias como na suas dores e aflições, mostrando também a sua entrega tanta na missão como para a comunidade revelando seu profundo amor por cada um, sendo uma verdadeira família em Cristo onde ele busca cuida de forma muito zelosa (rígida) todos os conflitos como uma pai junto aos seus filhos. Sofre junto com os seus e alegra-se também, onde nas cartas, Paulo consegue apresentar os seus mais sinceros sentimento, abrindo sua alma a todos os seus, desejando que todos se salvassem verdadeiramente. Aparentemente em alguns momentos possa parecer arrogante e prepotente, mas quando se vê no desenrolar de seus escritos percebe-se uma pessoa de personalidade forte e com o temperamento muito aflorado, mas uma profunda autenticidade que somente alguém com muita humildade revelaria tão escancaradamente sua real face com suas virtudes e miséria.
                O zelo que Paulo tem a sua missão e pelas as comunidades, revela a profunda experiência que teve com Cristo, e que isso não seria algo nada comparável com tudo que tenha vivido antes, mostra que foi real e concreto de uma grande complexidade que mexeu e remexeu com todo o seu ser, de suas entranhas até os mais obscuros de sua alma. Paulo realmente se consumiu pela missão e chegou aos grandes mistérios divinos, pela graça e misericórdia de Deus por isso fala com toda autoridade em nome de quem ele veio e porque se autoproclama apóstolo, pois foi uma experiência concreta e transformadora para si e para história da humanidade (ocidente). Paulo envolvido e consumido pela a missão e pela salvação dos seus nas comunidades sempre estava por dentro de todos os contratempos (conflitos e perversões), e se via na luz do santo espírito e como culto que era iluminá-los com orientações e exortações para a sua edificação e pela a unidade da comunidade e da Igreja em si, suas cartas eram praticamente quase todas pastorais por mesmo ausente se fazia presente por suas palavras e pelo testemunho dado, buscava sempre informações das comunidades pelo qual fundou e sempre vivo os acompanhou, preso ou missão, sã ou doente, mas sempre presente. Paulo de perseguidor fariseus altamente zeloso e consumido pela Lei, após o encontro com o ressuscitado, se torna apostolo (abortivo) de Cristo sendo agora perseguido, maltratado em nome de Jesus, mas resistindo a tudo e a todo para anunciar o reino de Deus, Jesus Cristo até as ultimas conseqüências até os confins do mundo.

Paz e Bem!!