sábado, 16 de fevereiro de 2019

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 5ª Parte

O CATOLICISMO POPULAR II
O QUE ENTENDEMOS DO CATOLICISMO POPULAR?

Paulo da Costa Paiva


AS ÁREAS LIVRE

Os portugueses quando vieram para o novo mundo para terra de Santa Cruz vinham com a obrigação de conquistar almas para Cristo, em expandi o reino de Deus combatendo os inimigos da fé e educar na doutrina cristã, por isso do alto ao mais simples que vinham ao Brasil se sentia responsável na propagação da fé, essa evangelização foi predominantemente leiga, pois a instituição oficial se limitou praticamente ao litoral com raríssima presença no sertão adentro principalmente com o catolicismo regular (religioso missionário). Tanto os portugueses, como os índios mansos e os escravos colonizadores eram os principais propagadores da fé onde a doutrinação, nem sistema colonial e escravocrata não foram predominantes, mas de certa forma surgiu uma área livre se manifestando principalmente pelo os mais pobres, os índios e os negros escravos, de forma mais genuína um catolicismo popular que conseqüentemente revitalizava o catolicismo tradicional e o transformava numa força de libertação. A religião se tornou o único refugio para dignidade e autenticidade dos índios e negros escravos explorados pelo os brancos portugueses, não havia outra saída a não ser a fuga ou próprio suicídio, e foi na resiliência da fé que o mais pobre conseguiu forças diante de tanta opressão e exploração que teve que se submeter de corpo, mas a ‘’ alma “resistiu e transformou os símbolos da religião dominante em sinais de dignidade e autenticidade cultural.

OS ALDEAMENTOS

Os missionários (clero regular), principalmente os jesuítas, que inicialmente se prestaram a experiências superficiais e alienantes do cristianismo medieval dos colonos, perceberam com tempo o verdadeiro drama humano vivido pelos os mais pobres e excluídos (índios e negros escravos) em terras brasileiras, se afastando dos colégios e igrejas barrocas se interessaram pelos aldeamentos organizados. Para conseguir tal intento os jesuítas apelaram à diplomacia junto ao governador representante da coroa portuguesa no dia 30 1556 na Bahia passando as aldeias a constituírem territórios livre e intocáveis. Inicialmente essa evangelização se mostrou muito empolgante e frutuoso, mas com decorrer do tempo percebe-se que os índios mostravam grandes resistências ir às missas dominicais e outros costumes religiosos, com exceções das grandes festas religiosas que tinha após um festejo secular, como também uma forte temor e devoção nas missas de cinza e dia dos finados, em oferta de seus falecidos. Os negros escravos a situação não foi muito favorável, pois eles não conseguiram os benefícios que os índios gozavam como a liberdade ao viver nos aldeamentos, pois permaneciam escravos e sem direito algum em lugar nenhum.
Os jesuítas ao criarem os aldeamentos e proteger os índios de certa forma criaram um estado dentro do estado, não voltado à exportação de suas riquezas naturais, mas ao contrario para economia interna, que com o tempo foi se tornando cada vez mais autônoma e rica, e tudo isso estava incomodado os colonos, pois além da riqueza que alimentava cada dia mais dos jesuítas com a mão de obra indígena que apesar disso gozava de certa liberdade e outros benefícios. Para os colonos a submissão era fundamental para integração, era necessário subjugá-los para poder entregá-los na realidade cristã dos colonos europeu vivido no Brasil. Quando os Jesuítas foram expulsos (1759) durante a reforma pombalina os beneficiados foram os próprios colonos que foram aos poucos se fixando nas localidades se tornando vilas e posteriormente cidades em boa parte do norte do país. Infelizmente o índio não se adaptou na convivência com os brancos foram flagelados pelas doenças e pelos vícios, eram bastante maltratados pelos brancos e uma boa parte viviam numa permanente embriaguez, a única forma de sobreviver diante dessa situação tão tenebrosa foi à mestiçagem, e somente por miscigenação é que até hoje a herança indígena brasileira resiste em permanecer.

OS QUILOMBOS

Segundo a observação de viajantes no século XIX que se aventuraram no sertão a fora no Brasil colonial, relatavam que os negros fugitivos em quilombos guardavam o catolicismo zelosamente e que muitos quilombolas foram missionários, propagando a fé cristã em regiões nunca antes evangelizadas, que esse catolicismo tinha um forte sincretismo entre os ritos católicos misturado com a cultura indígena e africano. Diferente das religiões africana como o candomblé que sugere a lembrança saudosa da áfrica (Banzo) e seus deuses sobrevive “em exílio”, no quilombo apresenta-se um Brasil diferente onde se manifesta a esperança dos negros brasileiros onde a religião católica assume um novo significado, do catolicismo livre (libertação). Nos quilombos foram proibidos os cultos africanos, aderindo em comum somente os cultos católicos, pois o catolicismo representava a segurança recebida nos engenhos onde os negros fugitivos se identificavam muito mais com os santos católicos no qual tinham uma forte devoção do que propriamente com os orixás africanos. Outra coisa de profunda importância nos quilombos foi à unidade e confraternização de diversas procedências africanas que foram somente possíveis através do sincretismo católicos, que diferentemente dos engenhos, as tribos eram divididas por nações de origem, para alimentar o ódio entre eles próprios de guerras locais antes da escravidão do branco, evitando dessa forma o risco de se unirem e provocarem futuras revoltas sendo proibida a existência de feiticeiros, dando exclusividade as orientações exclusivamente católicas, por isso sendo necessário raptos de sacerdotes para poderem celebrar os cultos, sacramentos e festas religiosas como se viviam antes nos engenhos e fazendas, havendo também entre eles sacerdotes negros, num catolicismo guerreiro todo dirigido aos cativeiros, onde os negros até que não podia se defender materialmente contra o regime opressor dos brancos, mas se refugiava nos valores místicos que eram intocáveis e profundamente sagrados.


Paz e Bem!

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Corpus Hermeticum II

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto



IIA - DE HERMES A TAT: DISCURSO UNIVERSAL

Diálogo perdido

IIB - TÍTULO PERDIDO

1 Todo móvel, Asclépios, não é movido em qualquer coisa e por qualquer coisa? - Seguramente. - E não é necessário que aquilo em que o móvel se move lhe seja maior? - É necessário. - O motor, que te parece, é mais forte que o móvel? - Mais forte, com efeito. - E isso no qual o móvel se move é necessariamente de uma natureza oposta àquela do móvel? - Sim, absolutamente.
2 Agora, é tão grande este mundo que nenhum corpo não lhe possa ser maior? - De acordo. J-- E ele é compacto? Pois está repleto de muitos outros grandes corpos, ou, para dizer melhor, de todos os corpos que existem. - É assim. - Ora, o mundo é precisamente um corpo? - É um corpo. - E um corpo que é movido?
3 - Seguramente. - Qual o tamanho que deve ter o lugar no qual o mundo se move e de que natureza? Não deve ser bem maior, para ter condições de conter o movimento contínuo do mundo e para que o móvel não seja comprimido pela estreiteza do lugar e não cesse assim seu movimento? -Ele deve ser qualquer coisa de imenso, oh! Trismegistos.
4 Mas de qual natureza será este lugar? Da natureza oposta, não é Asclépios? Ora a natureza oposta ao corpo é o incorpóreo. - Eu convenho. - O lugar será então incorpóreo. Mas o incorpóreo, é ou qualquer coisa de divino, isto é, não engendrado, ou bem é Deus.
5 Se então o incorpóreo é o não engendrado, é da natureza da essência e se é Deus é ocorrente mesmo sem essência. Por outro lado é inteligível da seguinte maneira. Deus é para nós o primeiro objeto do pensamento, ainda que ele não seja objeto de pensamento para si mesmo (pois o objeto de pensamento cai sob os sentidos daquele que o pensa. Portanto Deus não é objeto de pensamento para si mesmo: pois não é uma coisa diferente do pensado de sorte que ele pensa a si mesmo.
6 Para nós contrariamente, Deus é alguma coisa de diferente e eis porque é objeto de pensamento para nós.) Ora, se o lugar é objeto de pensamento, não o é enquanto Deus, mas enquanto lugar. E mesmo se o tomarmos como Deus, não é enquanto lugar, mas enquanto energia capaz de conter todas as coisas. Todo móvel é movido não em qualquer coisa que se move, mas em qualquer coisa em repouso: o motor também está em repouso, pois não pode ser movido com aquilo que move.
- Como então, oh! Trismegistos, as coisas cá de baixo são movidas com as coisas que as movem? Eu te ouvi dizer, com efeito, que as esferas dos planetas são movidas pelas esferas das fixas. - Não se trata, Asclépios de um movimento solidário, mas de um movimento oposto: pois essas esferas não são movidas por um movimento uniforme, mas por movimentos opostos uns aos outros e esta oposição implica um ponto de equilíbrio fixo para o movimento:
7 pois a resistência é parada do movimento. Assim então as esferas dos planetas sendo movidas em sentido contrário da esfera das fixas, encontram-se em oposição com a própria oposição, sendo movidas por ela como estacionária. E não poderia ser de outra forma. Deste modo estas duas Ursas que, como o vês, não possuem nem oriente nem ocidente, e que giram sempre em torno do' mesmo centro, pensas que estão em movimento ou repouso? - Movem-se, oh! Trismegistos. - Com qual movimento, Asclépios? - Com o movimento que consiste sempre em girar em torüo dos mesmos eixos. - Sim e o movimento circular não é nada mais que o movimento em torno de- um mesmo centro firmemente contido pela imobilidade. Com efeito o movimento em torno de um mesmo centro exçlui a possibilidade de um movimento do eixo. De onde vem que o movimento em sentido contrário detém-se em um ponto fixo, pois tornou-se estaoionário pelo movimento oposto.
8 Eu vou to dar um exemplo na terra visível a olho nu. Veja os viventes perecíveis, o ser humano por exemplo, nadando. A água é arrastada pela sua corrente: mas a resistência dos pés e day mãos torna-se para o ser humano estabilidade, de modo que não éarrastado com a água. - Este exemplo é muito claro, oh! Trismegistos.
Todo movimento então é feito numa imobilidade e por uma imobilidade. Assim então, o movimento do mundo, bem como de todo vivente material deve provir não de causas exteriores ao corpo mas interiores, operando de dentro para fora, quer seja dos inteligíveis, quer seja a alma ou o sopro ou qualquer outro incorpóreo. Pois um corpo não pode mover um corpo animado nem, de uma maneira geral, nenhuma espécie de corpo, mesmo se este corpo movido é inanimado.
9 Como disseste aquilo, Trismegistos? As peças de madeira então, e as pedras e todas as outras coisas inanimadas, não são os corpos que os movem? - Não, Asclépios. Pois é o que se encontra dentro do corpo que é motor da coisa inanimada e não esse corpo mesmo, que move de uma só vez os dois corpos, o corpo daquele que porta e o corpo do que é portado: eis porque um inanimado não saberia movimentar um inanimado. Vês então a carga extrema da alma quando, sozinha, deve carregar dois corpos. Desta forma os objetos são movidos dentro de qualquer coisa e por qualquer coisa, é evidente.
10 É no vácuo que os objetos móveis devem ser movidos, oh! Trismegistos? - Contenha a língua, Asclépios. Absolutamente nenhum dos seres são vazios, em razão mesmo de sua realidade: pois um ser não poderá ser alguém, se não estiver repleto de realidade: ora o que é real nunca poderá tornar-se vazio. - Mas não existem certos objetos vazios, oh! Trismegistos, como um jarro, um pote, almofarizes e outros semelhantes? - Oh! Que erro imenso, Asclépios, o que é absolutamente cheio e repleto tome-o por vazio!
11 - Que dizes, oh! Trismegistos! - O ar não é um corpo? - De fato. - Esse corpo não penetra através de todos os seres e não preenche todos pela sua extensão? Todo corpo não é constituído pela mistura dos quatro elementos? Todas essas coisas que dizes vazias, são portanto repletas de ar; se estão repletas de ar, o são também dos quatro corpos elementares e eis-nos diante de teu engano: essas coisas que dizes plenas são vazias de ar, seu espaço se encontra reduzido por outros corpos de modo que não tem mais lugar para receber o ar. Essas coisas então que dizes vazias, devem antes ser chamadas de ocas, não vazias, pois do próprio fato de sua realidade estão cheias de ar e de sopro.
12 - Esta proposição é irrefutável, oh! Trismegistos. O lugar no qual então se move o universo, que dizemos que ele é? - Um incorpóreo, Asclépios. - Mas o que é incorpóreo? - Um intelecto, que contém inteiramente a si próprio, livre de todo corpo, infalível, impassível, intangível, imutável em sua própria estabilidade, contendo todos os seres e os conservando no ser, do qual são como os raios, o bem, a verdade, o arquétipo do espírito, o arquétipo da alma. - Mas Deus, então, o que é? - É aquele que não é nenhuma dessas coisas, mas que por outro lado é para essas coisas a causa de sua existência, para tudo e para cada um dos seres.
13 Pois ele não deixou lugar algum ao não ser; a todas as coisas que existem vêm e são a partir de coisas que existem, e não a partir de coisas inexistentes: pois não é da natureza das coisas inexistentes vir a ser, mas sua natureza é tal que elas não podem ser qualquer coisa, e em contrapartida as coisas que são não poderão vir a não ser, jamais.
14 Que queres dizer com "não ser jamais"? - Deus, então, não é intelecto, mas é a causa da existência do intelecto, e não é sopro, mas é a causa da existência do sopro e ele não é luz mas é a causa da existência da luz. De modo que é sob esses dois nomes que é preciso adorar a Deus, pois pertencem somente a ele e a nenhum outro. Pois nenhum dos outros seres chamados deuses, nem os humanos, nem os daimons podem em qualquer grau que seja, ser bons, salvo Deus somente. Ele apenas é isto e nenhum outro: todos os outros seres são incapazes de conter a natureza do Bem, pois são corpo e alma e não possuem lugar que possa conter o Bem.
15 A amplitude do Bem é tão grande quanto a realidade de todos os seres e dos corpos, bem como dos incorpóreos, dos sensíveis e dos inteligíveis. Eis o que é o Bem, eis o que é Deus. Não chame nenhuma outra coisa de boa pois isto é impiedade, ou dê a Deus qualquer outro nome que esse único nome de Bem, pois isto também é uma impiedade.
16 Certamente, todos pronunciam a palavra Bem, mas não percebem o que ela pode ser. Eis porque não percebem também o que é Deus, mas, por ignorância, chamam bons os deuses e certos homens, ainda que não o possam ser e nem se tornar: pois o Bem é o que menos se pode retirar de Deus, é inseparável de Deus, porque é o próprio Deus. Todos os outros deuses imortais são honrados com o nome de Deus. Mas, Deus é o Bem, não por uma denominação honorífica mas pela sua natureza. Pois a natureza de Deus é apenas uma coisa, o Bem, e os dois juntamente formam uma única e mesma espécie, da qual saem todas as outras espécies. Pois o ser bom é aquele que tudo dá e nada recebe. Ora, Deus tudo dá e nada recebe. Deus é portanto o Bem e o Bem é Deus.
17 A outra denominação de Deus é a de Pai, devido à virtude que possui de criar todas as coisas: pois é ao Pai que cabe o criar. Também a procriação das crianças é tida pelas pessoas sábias como a função mais importante da vida e a mais santa, e se vê o fato de um ser humano deixar a vida sem procriar como o maior infortúnio e o maior pecado, e um tal ser humano é punido depois da morte pelos daimons. Eis a pena a que é submetido: a alma do ser humano que morre sem filho é condenada a entrar em um corpo que não possui a natureza de homem, nem de mulher, o que é objeto de execração por parte do sol. Por esta razão, Aselépios, deves guardar-te de felicitar o ser humano que não possui filhos: contrariamente, apieda-te de sua infelicidade, sabendo qual o castigo que o espera. Mas isto basta, Asclépios, como conhecimento preliminar da natureza de todas as coisas.

Continua...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Reflexão Casual LXXV‏I‏I‏‏I‏


"Cristo se tornou para a humanidade caminho, verdade e vida, pois tudo que é revelado e vivido nos evangelhos de corpo e alma, se torna seta para a maturação evolutiva de cada ser humano a partir de sua dimensão interna (alma) para o externo (mundo)... A nossa consciência é a morada de Cristo que se faz presente dentro de nós, cabe a cada um pelo seu esforço despertar se tornando um com Ele na comunhão por excelência em um novo cristo. O evangelho nos apresenta a nossa jornada (vida) diante dos conflitos internos e externos e na superação de evoluirmos de forma plena na comunhão perfeita com a fonte primeira de todas as coisa, sendo a partir de então verdadeiramente sua imagem e semelhança, ou melhor dizendo um iluminado do alto (luz para mundo)."

Paulinopax

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

O Livro Perdido de Dzyan

A EVOLUÇÃO CÓSMICA 
NAS SETE ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN
Helena Blavatsky


“...Ninguém no mundo conhece sua data verdadeira. Dizem que o original é mais antigo que a nossa Terra. Dizem inclusive, que era tão magnetizado que os’ iniciados’, ao tocá-lo com a mão, viam passar diante de seus olhos os acontecimentos descritos e, ao mesmo tempo, ouviam em sua língua os textos misteriosos, transmitidos pela força de impulsos rítmicos, na medida em que a respectiva língua possuía vocábulos adequados para a versão dos textos.[1]

Durante milênios, essa ciência oculta ficou guardada como “ultra-secreta” em cavernas[2], nas regiões montanhosas do Tibete, pois dizia-se que, em mãos de pessoas não iniciadas, os ensinamentos ocultos poderiam representar um perigo enorme. O texto original – que não se sabe se ainda existe em qualquer lugar – foi copiado literalmente por uma geração após a outra e complementado por novos relatos e conhecimentos dos iniciados.

O Livro de Dzyan teria sido composto além do Himalaia. Por vias desconhecidas, seus ensinamentos chegaram ao Japão, à Índia e à China; até em tradições sul-americanas foram encontrados vestígios de pensamentos e conceitos contidos nesse livro. Fraternidades secretas, refugiadas em paragens abandonadas das Montanhas Kun-lun, ou no fundo das gargantas do maciço rochoso do Altyn-tang, ambos situados na parte ocidental da China Vermelha, manteriam sob sua guarda enormes coleções de livros. Suas habitações seriam templos humildes; seus tesouros literários ficariam guardados em salões e galerias subterrâneas. Também o Livro de Dzyan teria sido guardado em um desses lugares. Os primeiros Santos Padres da Igreja fizeram tudo para subtrair esta ciência oculta da memória daqueles que dela privavam; no entanto, todos os esforços foram inúteis, pois os textos oralmente transmitidos passaram de geração em geração.

...Trechos do Livro de Dzyan, que se conservaram, ou melhor, chegaram a ser conhecidos, passam pelo mundo inteiro em milhares de textos vertidos para o sânscrito. Pelo que se sabe até agora, essa estranha ciência oculta encerraria o verbo primitivo, a fórmula da gênese e daria o relato dos milhões de anos que marcaram a evolução da humanidade.”
Erich von Däniken - De Volta às Estrelas – pg. 151/152

[1] Atualmente os computadores realizam operações semelhantes. - RC
[2] É comum escritos secretos serem escondidos em cavernas, túneis ou subterrâneos.

ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN

“Não havia coisa alguma; o céu claro e distante Não existia, nem havia o amplo telhado celestial, espalhado ao alto. O que é que encobria tudo? O que o abrigava? O que o ocultava? Seria o insondável abismo das águas? Não havia a morte - porém nada havia de imortal. Não existia diferença entre o dia e a noite; Só Aquilo que é Uno respirava sem respirar, sozinho, E desde então nada jamais existiu fora Daquilo.   Havia escuridão, e no início tudo estava velado Em trevas profundas -; um oceano sem luz. O germe ainda coberto pela casca Despertou, como natureza una, - devido ao intenso calor.

Quem sabe o segredo? Quem o proclamou aqui? De onde veio, de onde veio - esta criação múltipla? Os próprios Deuses só passaram a existir mais tarde.  Quem sabe de onde surgiu, esta grande criação? Aquilo, de onde veio esta grande criação, O Mais Elevado Vidente que está no mais alto céu, Só Ele sabe a resposta -; ou talvez nem Ele saiba.”  [3]

“Olhando a eternidade ..., Antes que as bases da terra fossem estabelecidas, 
                                                          
Tu existias. E quando a chama subterrânea Romper a sua prisão e devorar a estrutura ...... Tu ainda existirás como existias antes, Sem conhecer o que é mudança - quando o tempo já não existir. Ah! Pensamento infinito, divina ETERNIDADE.” [4] 

_____________________________________ 
[3] Este é um trecho do Rig Veda. Na edição de 1979 de “The Secret Doctrine”, há uma nota de Boris de Zirkoff informando que a fonte é “Rigveda”, Mandala X, 129, 1-7, segundo Max Müller em “History of Ancient Sanskrit  Literature” (Londres, 1859,  p. 564). (Nota do Tradutor) 
[4] Boris de Zirkoff  informa (na  edição de 1979 de “The Secret Doctrine”, TPH), que este é um trecho de um poema de John Gay (1685-1732), intitulado “A Thought on Eternity”. (Nota do Tradutor) 

sábado, 19 de janeiro de 2019

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 4ª Parte

O CATOLICISMO POPULAR
O QUE ENTENDEMOS DO CATOLICISMO POPULAR?

Paulo da Costa Paiva


            Para se falar sobre a o catolicismo popular, primeiramente é importante deixar bem claro, que índios e negros não eram considerado povo durante o período português da história brasileiro, somente os portugueses e seus descendentes eram considerado povo o restante eram “gentios da terra” (índios) ou “peça de Guiné, de Moçambique, de Angola” (negros), dessa forma seria mais lógico ser chamado de catolicismo gentílico do que propriamente de catolicismo popular, uma religiosidade vivida pelo em pobre em geral. Diante dessa realidade de uma religiosidade dúbia, podemos identificar claramente que a divisão de classe não está somente no âmbito social, mas transcende a própria religião, a elite se mostra claramente indiferentes do catolicismo popular, reconhecendo somente o catolicismo estabelecido ou o patriarcal, tendo em vista que oficialmente eram expressos que existia somente um catolicismo que constituía como “cimento da unidade nacional”. Já o catolicismo vivido pelo pobre em geral era negado todo seu valor e originalidade, sendo uma religiosidade experimentada pelo povo humilde numa interiorização dos temas apresentado pela religião dominante, mas vai muito, além disso, pois se tornou uma cultura própria, sendo a mais original e a mais rica que o Brasil já produziu.
            Os portugueses conseguiram conviver com os índios e africanos de maneira estável, confraternizando de forma aparente com a raça dita inferiores (os negros e índios), sem a necessidade de segregação racial, por motivos estrategicamente políticos, essa convivência era perfeitamente ambígua, pois se apresentava como harmoniosa entre ricos e pobres, mas na verdade era uma realidade onde a dominação era exercida com sutileza e crueldade. A repressão por parte do governo junto ao povo mais simples e sem direitos, deixa na consciência coletiva um profundo trauma, de uma verdadeira desesperança por receio de tentar novamente por receio da morte sem expectativa de libertação, conseqüentemente interioriza suas aflições na religião como forma de refúgio e consolação, diante dessa situação podemos reconhecer que a religiosidade popular surgiu a partir da experiência de repressão, e ela contém dois momentos cruciais: Um primeiro momento de revolta e um segundo momento de abafamento ou repressão desta revolta. Sendo uma consciência vivida de forma abafada sob a ação de uma tradicional sabedoria de conformismo e paciência fatalista diante de todo contraste social reprimida pela religião da casa grande vivendo obediente e dependente dos seus “senhores” onde uns vivem dos outros, a custa dos outros.

UM PROBLEMA DE LINGUAGEM: PROVIDENCIALISMO E PROGRESSISMO

Desde o início da descoberta do Brasil, a colônia portuguesa vivia sob o signo da providência divina, a mão de Deus e fazia atuante em todo seu processo histórico e a formação da nação. Uma fé inabalável que animava a todos, ricos e pobres, tudo em seu cotidiano era reconhecida como ação direta de Deus para com todos, e as próprias colônias portuguesas antes de se chamar Brasil foi nomeada de terra de Santa Cruz, e a maioria das cidades e tudo que era descoberto e levantado (fundado) tinham nome de algum santo católico. A divina providência marcava os ritmos da vida do povo tanta nas alegrias como nas dores, era um povo muito religioso e muito cristão pelo menos na tradição e na esperança naquele único que poderia auxiliá-los e salva-los diante de tantas dificuldades, e essa tradição entre o povo brasileiro e seus lideres que a intervenção divina se fazia presente no seu cotidiano se estendeu por séculos, era comum em momentos de conflitos a impregnação de um ar de misticismo, onde a mão de Deus pairava diretamente nos conflitos e se faziam muitas promessas (ambos os lados) e agradecimento por vitória nas guerras tanto interna contra as isoladas rebeliões dos insatisfeitos com a coroa portuguesa, como os conflitos externos contra invasores europeus (franceses e holandeses principalmente). Esse providencialismo religioso não foi manifestado espontaneamente ou pelo menos nem sempre foi assim e nem para com todos, muitas das vezes se utilizavam da própria religião como ferramenta e até de manobra para com os povos explorados e perseguidos, impondo aos índios mansos e os negros escravos a sua religião e as suas condições, na qual em suas leituras de suas próprias religiões nativas identificavam a sua atual situação como manifestações de seus deuses, na qual estavam fadados a se conformar e se refugiar na esperança de um futuro melhor. No século 19, surge junto com as classes dirigentes o progressismo que serviu apenas de disfarce para ocultar a metamorfose colonial para poder estabelecer o segundo pacto colonial. Enquanto o primeiro período colonial foi marcado pelo providencialismo medieval, o segundo período colonial recebeu a marca do progressismo europeu principalmente por influência dos ingleses e franceses, na qual foram encarnadas suas culturas e economia no cotidiano brasileiro, quase exclusivamente nas cidades principalmente pelos ricos e nobres locais, surgindo dessa forma, “dois brasis” com um grande abismo sociocultural aos mais pobres e as cidades menores do interior brasileiro.

Continua...



Paz e Bem!

sábado, 12 de janeiro de 2019

Corpus Hermeticum

CORPUS HERMETICUM
De Hermes Trismegisto


I - POIMANDRES

1 Um dia, em que comecei a refletir acerca dos seres, e meu pensamento deixou-se planar nas alturas enquanto meus sentidos corporais estavam como que atados, como acontece àqueles atingidos por um sono pesado pelo excesso de alimentação ou de uma grande fatiga corporal, pareceu que se me delineava um ser de um talhe imenso, além de toda medida definível, que me chamou pelo meu nome e disse: "Que desejas ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer?"
2 E eu lhe disse "Mas tu, quem és?". - "Eu", disse ele, "eu sou Poimandres, o Noús da Soberania absoluta. Eu sei o que queres e estou contigo em todo lugar".
3 E eu disse: "Quero ser instruído sobre os seres, compreender sua natureza, conhecer Deus. Oh! como desejo entender!" Respondeu-me ele por sua vez: "Mantém em teu intelecto tudo o que desejas aprender e eu te instruirei."
4 A essas palavras mudou de aspecto e, subitamente, tudo se abriu diante de mim num momento, e tive uma visão sem limites, tudo tornou-se luz, serena e alegre, e ao vê-la apaixonei- me por ela. E pouco depois surgiu uma obscuridade dirigindo-se para baixo, em sua natureza assustadora e sombria, enrolando-se em espirais tortuosas, como uma serpente, foi assim que a percebi. Depois esta obscuridade transformou-se numa espécie de natureza úmida, agitada de uma maneira indizível e exalando um vapor, como o que sai do fogo e produzindo uma espécie de som, um gemido indescritível. Depois lançando um grito de apelo, sem articulação, tal que o comparei a uma voz de fogo, e ainda que saindo da luz auto-existente; um Verbo santo veio cobrir a Natureza, e um fogo sem mistura exalta-se da natureza úmida em direção à região sublime, era leve, vivo e ativo ao mesmo tempo; e o ar, sendo leve, seguia ao sopro ígneo elevando-se ao fogo, a partir da terra e da água, de forma a parecer preso ao fogo; pela terra e pela água, permaneciam no mesmo lugar, se bem que não se percebesse a terra separada da água: estavam continuamente em movimento sob a ação do sopro do Verbo que colocara-se sobre elas, segundo percebia minha audição.
6 Então disse Poimandres: "Compreendeste o que esta visão significa?" E eu: "Eu o saberei". - "Esta luz" disse ele" sou eu, Noús, teu Deus, aquele que existe antes da natureza úmida que apareceu fora da obscuridade. Quanto ao Verbo luminoso saído do NOÚS, é o filho de Deus.” "Quem então?", disse eu. -"Conheça o que quero dizer através do que em ti vê e ouve (o teu íntimo), é o Verbo do Senhor, e teu Noús é o Deus Pai; não são separados um do outro, pois esta união é que é a vida." - "Eu te agradeço" - disse. - "Agora fixa teu espírito sobre a luz e conhece isto".
7 A essas palavras, olhou-me bem de frente um tempo bastante longo, se bem que eu tremesse pelo seu aspecto. Depois, como ele elevasse a cabeça, vi em meu Noús a luz consistente em um número incalculável de Potências, tornada um mundo sem limites, ainda que o fogo estivesse envolvido por uma força todo poderosa, e assim, solidamente contido, atingia seu equilíbrio: eis o que distingui pelo pensamento nesta visão, encorajado pela palavra de Poimandres.
8 Como eu estivesse ainda totalmente fora de mim, disse-me ele novamente: "Viste no Nods a forma arquetípica, o pré-princípio anterior ao começo sem fim." Assim me falou Poimandres. - "Ora, disse eu, de onde surgiram os elementos da natureza?" - Respondeu: "Da Vontade de Deus, que, tendo nela recebido o Verbo e tendo visto o belo mundo arquetípico, o imitou feita como foi em um mundo ordenado, segundo seus próprios elementos e seus próprios produtos, as almas.
9 "Ora o Noüs Deus, sendo macho e fêmea, existente como vida e luz, faz nascer de uma palavra um segundo Noôs demiurgo que, sendo deus do fogo e do sopro, criou Sete Governadores, os quais envolvem nos seus círculos o mundo sensível; e seu governo se chama o Destino.
10 Logo o Verbo de Deus lançou-se fora dos elementos postados embaixo para esta pura região da natureza que acabava de ser criada, e se uniu ao Noús demiurgo (pois era de mesma substância) e, por esta razão, os elementos inferiores da natureza foram entregues a si próprios desprovidos de razão, de forma a nada mais ser que simples matéria.
11 Porém o Noús demiurgo, conjuntamente com o Verbo, envolvendo os círculos e fazendo-os girar zumbindo, coloca desta forma em ação o movimento circular de suas criaturas, deixando-as fazer a sua revolução segundo um começo indeterminado até um término sem fim, pois começa onde se acaba. E esta rotação dos círculos, segundo a vontade do Noús, produziu, tirando-os dos elementos que se precipitavam para baixo, animais irracionais (pois não mantinham o Verbo próximo de si), o ar produziu os voláteis e a água, os nadadores. A água e a terra foram separadas uma da outra, segundo a vontade do Noús, e a terra fez sair de seu próprio seio os animais que em si mesma retinha - quadrúpedes e répteis, bestas selvagens e domésticas.
12 Ora o Noús, Pai de todos os seres, sendo vida e luz, criou um ser humano semelhante a ele, pelo qual sentiu tanto amor como por seu próprio filho. Pois o ser humano era muito belo, reproduzido a imagem de seu Pai: pois é verdadeiramente de sua própria forma que Deus tornou- se amoroso e legou-lhe todas as suas obras.
13 Ora, assim que percebeu a criação que o demiurgo fizera no fogo, o ser humano quis produzir, também, uma obra e o Pai deu-lhe permissão. Entrando então na esfera demiúrgica, onde deveria ter plenos poderes, percebeu as obras de seu irmão e os Governadores apaixonaram-se por ele e cada um deu-lhe parte de sua própria magistratura. Tendo então aprendido a conhecer sua essência e tendo recebido participação de sua natureza, quis atravessar a periferia dos círculos e conhecer a potência daquele que reina sobre o fogo.
14 Então o Homem, que tinha pleno poder sobre o mundo dos seres mortais e animais irracionais, lançou-se através da armadura das esferas e rompendo seu envoltório fez mostrar à Natureza de baixo, a bela forma de Deus. Quando ela o viu, o ser que possuía em si a beleza insuperável e toda a energia dos Governadores aliada à forma de Deus, a Natureza sorriu de amor, pois tinha visto os traços desta forma maravilhosamente bela do ser humano se refletir na água e sua sombra sobre a terra. Tendo ele percebido esta forma semelhante a ele próprio na Natureza, refletida na água, amou-a e quis aí habitar. Assim que o quis, foi feito e veio habitar a forma sem razão. Então a Natureza, tendo recebido nela seu amado, enlaçou-o totalmente e eles se uniram pois queimavam de amor.
15 E esta é a razão porque, de todos os seres que vivem sobre a terra, o ser humano é o único que é duplo, mortal pelo seu corpo, imortal pelo ser humano essencial. Ainda que seja imortal com efeito, e que tenha poder sobre todas as coisas, sofre a condição dos mortais, submetido como é ao Destino, por esta razão, assim que se colocou sob a armadura das esferas tornou-se escravo na mesma; macho e fêmea pois nascido de um pai macho e fêmea, isento de sono pois proveniente de um ser isento de sono, não era vencido nem pelo amor nem pelo sono.
16 (N.T. aqui há um truncamento no texto). "Oh! meu Noús. Pois eu também sinto amor pelo discurso." - Então. Poimandres: "O que vou te dizer é o mistério mantido oculto até este dia. A Natureza com efeito, tendo-se unido por amor ao Homem, causou um prodígio surpreendente. O ser humano tinha em si a natureza da conjunção, dos sete compostos, como te disse, de fogo e de sopro; a Natureza então, incapaz de esperar, procria na hora sete homens correspondentes à natureza dos Sete Governadores, machos e fêmeas, que elevam-se ao céu." E após isto: "Oh! Poimandres, verdadeiramente, atingi agora um desejo extremo e queimo de desejo de te entender. Não te afastes do assunto!" Mas, Poimandres: "Cala-te então! Não terminei ainda de te apresentar o primeiro ponto." - "Sim, calo-me". - respondi.
17 "Assim então, como eu dizia, a geração desses sete primeiros homens fez-se da seguinte maneira: feminina era a terra, a água elemento gerador; o fogo levava as coisas à maturidade, do éter a Natureza recebia o sopro vital e produziu os corpos segundo a forma Humana. Quanto ao Ser Humano, de vida e luz que era, transformou-se em alma e intelecto, a vida transformando-se em alma, a luz em intelecto. E todos os seres do mundo sensível permaneceram neste estado até o fim de um período e até o começo das espécies.
18 Escuta agora este ponto que queimas de impaciência por ouvir. Findo este período, o liame que unia todas as coisas foi rompido pela Vontade de Deus. Pois todos os animais que, até então, eram ao mesmo tempo machos e fêmeas foram separados em dois ao mesmo que os Seres Humanos, e tornaram-se uns machos e outros fêmeas. Logo Deus disse uma palavra santa: "Crescei e multiplicai-vos, vós todos, que fostes criados e feitos. E que aquele que possui o intelecto reconheça-se como imortal e que saiba que a causa da morte é o amor, e que conheça todos os seres."
19 Tendo Deus assim falado, a Providência, por meio do destino e da armadura de esferas, opera as uniões e estabelece as gerações e todos os seres se multiplicaram cada um segundo sua espécie e aquele que reconheceu a si mesmo é o bem eleito entre todos, enquanto que aquele que manteve o corpo repleto do erro do amor, permanece na Obscuridade, errante, sofrendo nos seus sentidos as coisas da morte".
20 "Que falta imensa", espantei-me, cometeram então aqueles que permanecem na ignorância, para serem privados da imortalidade?": "Tu tens o aspecto, de não ter refletido acerca do que ouviste. Não havia eu to recomendado seres atento?" - Presto atenção e me recordo, ao mesmo tempo rendo graças. " - "Se prestaste atenção, dize-me,- porque merecem morrer aqueles que estão na morte?" - "Porque a fonte de onde procede o corpo individual é a sombria Obscuridade, de onde vem a Natureza úmida, pela qual é constituído no mundo sensível o corpo, onde espreita a morte".
21 "Compreendeste bem, amigo. Mas por que razão "aquele que conhece a si mesmo vai para si" como o disse a palavra de Deus?" - "Porque", respondi, "é de luz e de vida que é constituído o Pai das coisas, de quem nasceu o Homem." -"Dizes bem: luz e vida, eis o que é o Deus e Pai, de quem nasceu o Homem. Se aprendes então a conhecer-te como sendo feito de luz e vida e que são esses os elementos que te constituem retornarás à vida." Eis o que me disse Poimandres. - "Mas dize-me ainda, como irei ter com a vida", perguntei, oh! meu Nous? Pois Deus declara: "que o ser humano que tem o intelecto reconheça a si mesmo."
22 "Todos os homens com efeito possuem intelecto?" - "Vela pela tua língua, meu amigo. Eu, Nous, mantenho-me próximo daqueles que são bons, puros e misericordiosos, próximo dos piedosos e minha presença torna-se um auxílio para aclaramento de todas as coisas, e tornam o Pai propício pela via do amor, rendem-lhe graças pelas bênçãos e pelos hinos, segundo foi ordenado pelo desejo de Deus, em filial afeição. E antes de abandonar seu corpo à morte que lhe é própria, detestam seus sentidos, pois conhecem suas operações. Ainda mais, eu, Nous, não permitirei que as premências do corpo que, porventura lhes assaltem, tenham força sobre eles. Pois, em minha qualidade de guardião das portas, fecharei a entrada para as ações más e vergonhosas, cortando rente as imaginações.
23 Quanto aos insensatos, aos maus, aos viciosos, aos invejosos, aos culpados, aos assassinos, aos ímpios, mantenho-me longe deles cedendo o lugar ao demônio vingador, que aplicando ao ser humano, inclemente, o aguilhão do fogo, e mergulhando nos seus sentidos prepara-o, além de tudo, para as ações ímpias a fim que um maior castigo lhe seja reservado. Também este ser humano não deixa de encaminhar seu desejo para apetites ilimitados, lutando nas trevas sem que nada o satisfaça; e é isto que o tortura e aumenta sempre a chama do seu tormento."
24 "Ensinaste-me bem todas as coisas, como eu o desejava, oh! Nous. Mas fala-me ainda da ascensão, tal como ela se produz." A isto Poimandres respondeu: "Agora, na dissolução do corpo material, deixas esse corpo entregue à alteração, e a forma que eras deixa de ser percebida, e abandonas ao demônio teu eu doravante inativo, e os sentidos corporais remontam a suas  fontes respectivas, das quais tornam-se partes e são novamente misturados com as energias, enquanto que o irrascível e o concupiscente vão para a natureza sem razão.
25 E desta maneira o ser humano se eleva para o alto através da armadura das esferas e à primeira zona abandona a potência, de crescer e de decrescer, à segunda as tramas da malícia, engano além de tudo sem efeito; na terceira a ilusão do desejo, a partir de agora, torna-se sem efeito; na quarta a ostentação do comando é desprovida de seus objetivos ambiciosos; à Quinta, abandona-se a audácia ímpia e a temeridade presunçosa; à sexta os apetites ilícitos que dá a riqueza, doravante sem efeito; na sétima zona desaparece a mentira que prepara siladas.
26 Então desnudo do que havia produzido a armadura das esferas, entra na natureza ogdoádica, possuindo apenas sua própria potência; e canta com os Seres hinos ao Pai, e toda a assistência se rejubila com ele pela sua vinda. E tornado semelhante a seus companheiros, ouve ainda certas Potências que assistem sobre a natureza ogdoádica, cantando, com uma voz doce, hinos a Deus. E então, em boa ordem, sobem para o Pai, abandonando-se às potências, e, tornando-se potências, entram em Deus. E, agora, porque tardas? Não vais agora que herdastes de mim toda a doutrina, fazer-te guia daqueles que são dignos, a fim de que, o gênero humano, graças a tua intervenção, seja salvo por Deus?"
27 Tendo assim falado, Poimandres, sob meus olhos, misturou-se com as Potências. E eu, quando dirigi ao Pai das coisas ações de graça e bênçãos, recebi de Poimandres permissão para partir depois de ter sido investido de potência e instruído sobre a natureza do Todo e sobre a visão suprema. E comecei a pregar aos homens a beleza da piedade e do conhecimento: "Oh! povos, homens nascidos da terra, vós que sois abandonados à embriaguez, ao sono e à ignorância de Deus, sede abstêmios, deixai de chafurdar como crápulas, enfeitiçados que sois por um sono de besta."
28 Eles então, quando compreenderam, juntaram-se unanimemente a mim. E eu lhes disse: "Por que, oh! homens nascidos da terra, deixai-vos à mercê da morte, se tendes a potência de participar da imortalidade? Vinde e arrependei-vos, vós que fazeis rota com o erro e tomastes como companhia a ignorância. Afastai-vos da luz tenebrosa, incorporai-vos à imortalidade, tendo deixado uma vez por todas a perdição."
29 Então, entre eles, alguns, após zombarem de mim, foram para o seu lado, pois estavam engajados na via da morte. Mas os outros, lançando-se aos meus pés suplicaram-me que os instruísse. Eu então, levantei-os e me fiz guia do gênero humano, ensinando-lhes a doutrina, como e por qual meio seriam salvos. E semeei entre eles as palavras da sabedoria e foram nutridos pela água de ambrósia. Chegando a tarde, quando a luz do sol começou a desaparecer totalmente, convidei-os a render graças a Deus. E quando completaram as ações de graças, cada um foi dormir no seu leito.
30 Em mim ficou gravada a benfeitoria de Poimandres, pois que me tinha preenchido com o que eu necessitava, e senti uma alegria imensa. Pois em mim o sono do corpo caía sobre a vigília da alma, a oclusão de meus olhos uma visão verossímil, meu silêncio uma gestação do bem, e a expressão da palavra uma linha de boas coisas. E tudo isso me sucedeu porque recebi de meu Noús, isto é, Poimandres, o Verbo da Soberania absoluta. E eis-me então repleto do sopro divino da verdade. Também é com toda minha alma e com todas minhas forças que ofereço a Deus este louvor.
31 "Santo é Deus, o Pai das coisas.
"Santo é Deus, cuja vontade suas próprias Potências cumpre.
"Santo é Deus que quer que o conheçamos e que é conhecido por aqueles que lhe pertencem.
"Tu és Santo, pois que, pelo Verbo, constituíste tudo o que é. "Tu és Santo, pois de que toda a Natureza reproduziu a imagem. Tu és Santo, pois que não fostes formado pela Natureza.
Tu és Santo, pois que és mais forte que toda potência.
"Tu és Santo, pois que és maior que toda excelência. "Tu és Santo, pois que estás acima de todo louvor.
"Recebas os puros sacrifícios em palavras que te oferece uma alma pura, um coração dirigido para ti, Inexprimível, Indizível, Tu que somente o silêncio nomeia. Eu Te suplico, que nenhuma cilada haja que este conhecimento pertencente à nossa essência não desfaça: atende-me esta prece e preenche-me de potência. Então iluminarei com esta graça os que permanecem na ignorância, meus irmãos, teus filhos. Sim eu tenho a fé e testemunho: eu vou para a vida e para luz. Tu és bendito, Pai: aquele que Te pertence quer Te ajudar na obra de santificação, segundo o que Tu lhes transmitiste”.

Continua...

sábado, 5 de janeiro de 2019

Reflexão Casual LXXVII



“O mal de muitos que se dizem religiosos, crentes cristãos é a sua petulância de se acharem detentores exclusivos da verdade, ao ponto de condenar o seu semelhante, pois na verdade usurpam a tal posição do Deus que adoram, o mesmo que ensinou incondicionalmente a amar o próximo, assim como Cristo que viveu entre nós acolhendo a todos, principalmente aqueles que eram considerados os mais pecadores e ensinou aos seus seguidores a amar sem julgar, simplesmente amar por amar sem receber nada em troca, nem a salvação que é uma conseqüência e não uma troca. Hoje, esses mesmos que se dizem cristãos são os que julgam, condenam e se promovem batendo no peito como autênticos cristãos... Pura hipocrisia!”

Paulinopax

sábado, 15 de dezembro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800 / 3ª Parte

O CATOLICISMO PATRIARCAL
ESTABELECIMENTO DE UMA “SOCIEDADE DE ORDENS” NO BRASIL

Paulo da Costa Paiva


Durante o século 16 por causa dos perigos causados pela resistência dos índios no interior e dos franceses, ingleses e holandeses no mar, a cultura colonial se limitava a uma estreita faixa litorânea. Sendo os engenhos e as fazendas a marca duradoura desse período, pois não é tanto nos centros urbanos que se deve procurar a grande concentração de vida no Brasil colonial, mas sim nos isolados e rudimentares estabelecimentos rurais. Isso se intensificou com o surgimento de fazenda motivado pelos bandeirantes que explorava o interior brasileiro e a principal característica são a importância da liderança local e o aproveitamento do trabalho escravo totalmente dependente dos senhores das fazendas e dos engenhos, sendo conhecida culturalmente como o período patriarcal. Tudo isso foi criação do governo metropolitano motivada pela questão das terras roubado dos índios pelo reino de Portugal, mas diante disso se via a necessidade de legitimar como terra brasileira como propriedade de justo e por direito da coroa. Baseados em teoria nem tanto portuguesa e sim espanhola, se imaginava que o mundo inteiro seria um grande feudo cujo senhor supremo seria Deus, que tinha como o seu representante na terra o Papa, então dessa forma se criou uma relação senhor - vassalo entre o Papa e o rei, dessa forma também o Rei e o donatário que receberam uma capitania e assim conseqüentemente até chegar ao senhor dos engenhos e fazenda. A religião novamente foi uma ferramenta fundamental diante da população, pois os novos senhores de terras foram sendo conhecidos como nobres numa política de nobilitação e paralelamente junto aos escravos à política era paternalista e tutelar. Conseqüentemente num jogo de interesses mútuo, a própria Coroa portuguesa buscou também notibilitar os bispos do Brasil colonial, sendo convergidos em honras e com os maiores salários da folha eclesiástica.


O CATÓLICISMO PATRIARCAL E SUAS CARACTERÍSTICAS

O catolicismo nesse período colonial tinha como função especifica de sacralizar e perpetuar o poder do estado, a própria instituição no Brasil se tornou uma “Religião Estado”, totalmente inserida e disponível ao interesses escravocratas dos senhores locais e tinha como objetivo impedir o nascimento de uma consciência de comunidade entre trabalhadores nos engenhos, nas fazendas e minerações, os mantendo, mas afastado possível, impedindo uma futura rebelião contra a colônia. A religião buscava orientar e plasmar a religiosidade povo escravo lhe tirando todo dinamismo transformador. O engenho assim como as fazendas se tornou sagrado, conseqüentemente seus senhores também se tornando pessoas iluminadas e sagrada com a benção de Deus para aquela função de apadrinhamento dos seus que se encontrava em suas fazendas e engenhos, já os escravos tinham de total submissão e fidelidade ao seu senhor.  Enquanto na América espanhola o poder era predominantemente centralizado na América portuguesa seguia o caminho totalmente oposto, onde o poder local (engenhos e fazendas) foi praticamente absoluto e incontestável. 
            Nos engenhos e fazendas não somente os escravos eram obedientes ao senhor local, mas os próprios sacerdotes que tinham a função da desobriga como também catequizar no conformismo como forma de expiação de seus pecados para um futuro de consolação junto a Deus, sendo fiel e obediente ao seu senhor e a Igreja. No Brasil só reconheceu um clero livre e independente através dos jesuítas, mas somente entre aqueles que se interessava ao trabalho missionário nos aldeamentos já o restante do clero era ligada aos engenhos e fazendas que se submetiam de bom agrado ao servil do sistema patriarcal. Apesar de tudo isso dentro dos engenhos e fazendas havia certa liberdade de suas tradições religiosa velada e absolvida no sincretismo religioso predominantemente cristão. Dessa forma o catolicismo patriarcal foi duradouro, transformando um catolicismo monacal, puritano e celibatário num avesso sendo sensual e até libertino, que suportava poligamia e promovia namoros nas portas das Igrejas (Festejos de santos casamenteiros), que refletia a realidade de uma cultura rural, patriarcal e escravocrata.

A DUPLA MORAL DO CATÓLICISMO PATRIARCAL

                        A ambigüidade moral é explicitamente identificável no cotidiano patriarcal e católico na colônia brasileiro do reino Portugal, pois prega uma moral para os proprietários e outra mora para os escravos. E essa moral vivenciada pelos senhores se baseia numa sacralização do assistencialismo junto aos pobres já a outra moral relacionada ao escravo e pobre se torna possível sua santificação pelo conformismo de sua realidade como designo de Deus. A colonização portuguesa na terra de Santa Cruz foi vivida numa contextualização medieval e seus dirigentes como verdadeiros nobres onde o assistencialismo e o paternalismo são predominantes e considerados virtude. Mas não bastava se limitar somente em dar esmola, era fundamental se ouvir o clamor do pobre, e não se refugiar num ato que primeiramente poderia ser bom e nobre, mas se concretiza como uma fuga, pois os considerados herdeiros vindos do reino de Portugal eram na realidade, os invasores que se comportavam se comportavam diante dos nativos (índios) como os legítimos donos da terra. Os proprietários têm consciência que estão errados, mas conseguem reprimir isso dentro de si, e a esmola se torna uma maneira (ou fuga/desculpa) para se criar uma consciência tranqüila velada deturpadamente nas exigências do evangelho.  Os que defendiam ou pelo menos se importavam com os pobres seria os jesuítas principalmente junto aos índios, já junto aos escravos africanos era tão desesperador de que única forma de se amenizar as dores dos negros escravos seria na comparação com as dores de Cristo em sua paixão ao levar a cruz, que se conforma com todas as dores e humilhação por amor ao Pai e a humanidade para remissão dos pecados e a salvação de todos. O negro assim como o Cristo Jesus na sua dolorosa obediência era convidado a amenizar suas dores, tudo suportando em sua vida tão dura e difícil, no martírio da vossa imitação (Cristo), numa esperança que não se faz presente aqui, mas nos Céus.

O CATOLICISMO MINEIRO

            O catolicismo mineiro foi predominante em toda América desde o início, tanto por espanhóis como por portugueses, só que os hermanos espanhóis encontraram ouro e prata bem antes, já na época do descobrimento do novo continente. Na colônia portuguesa, Foi através das entradas e bandeiras pelo interior brasileiro que encontraram ouro no Brasil, como também prata e cobre e pedras preciosas como diamantes e esmeraldas. O objetivo dos reinos de Portugal e Espanha não era outro se não explorar as riquezas das terras virgem do novo mundo principalmente o ouro e a prata, pois eram fundamentais para o comercio intercontinental, desde a descoberta do novo mundo até pouco antes do século 19, onde o ouro que alimentou a Europa veio principalmente da América Latina. Diante dessa grande realidade econômica cooperou na formação de um tipo de religião que estava a serviço da exportação do ouro. Duas classes estavam profundamente interessadas em manter o catolicismo mineiro como ferramenta de seus interesses, que são os funcionários do governo e os comerciantes de ouro, esses homens exercem nas minas o mesmo papel religioso e paternal que os senhores dos engenhos e fazendas fazem em suas localidades, contribuindo para as construções e o sustento de magníficas igrejas, como também para os brilhos de festas e de procissões, sempre mantendo as pregações moralizantes junto aos produtores de minérios, proprietários e escravos.
            Grande parte do ouro (pois havia os extravios) ia para o Reino de Portugal, mas precisamente durante reinado de Dom João V que sofria de “Mania devota”, grande parte foram gasto em construção e reconstrução de igrejas e conventos em Portugal, como também numerosas indulgência à Santa Sé assim como diversas bênçãos papais. Era tanto ouro que deu impressão de que já não sabia mais o que fazer com tanta riqueza vinda do Brasil, se mostrando incapaz de trazer prosperidade para o seu povo que ficou pobre como antes. Isso refletia aqui também no Brasil a total mediocridade dos Vice-reis, governadores, capitães e donos terras mostrando sua incapacidade nos gasto com as riquezas em mãos, que só servia para ostentação e gastavam em construções religiosas e compra de títulos honoríficos. Enquanto uma minoria esbanjava as riquezas provindas dos minérios brasileiros, uma grande parte da parcela dos habitantes vivia em total miséria, vivendo sobre a mão de ferro do império que mantinha total vigilância contra as tentativas de contrabando de ouro e dos riscos de contestação por parte de religiosos, seguindo a cartilha da igreja secularizada a serviço do reino de Portugal que a mantinha e financiava, mas é na própria igreja onde também se encontrava refugio de esperança e o lazer provindo das festas santas. Enquanto as minas brasileiras fazem crescer a circulação de ouro na Europa, paralelamente a isso no Brasil não circulava dinheiro e conseqüentemente surgem às dívidas externa e já não se pode dizer que Portugal é dono do País, pois a metrópole se tornar dependente do reino britânico.


Paz e Bem!