sábado, 16 de dezembro de 2017

Jesus, a humanização de Deus IV

Jesus, Conhecimento e Loucura de Deus

Paulo da Costa Paiva


                Deus se fez a conhecer a todos, mas nem todos estavam dispostos a enxergá-lo. Muitos não queriam deixar e rebaixar-se da posição na qual se achava que verdadeiramente se encontravam e também se reconheciam como os únicos detentores da verdade assim como os ricos, os intelectuais, sacerdotes, governantes e autoridade oficiais em gerais por exemplo.  E o mais agravante é que se apoderavam e interpretavam segundo seus interesses e somente os ricos e letrados teriam acesso ao conhecimento, para os pobres ignorantes e analfabetos, restava obedecer sem jamais questionar e mendigar sabedoria por parte deles (lideres religioso). Poucos iam a encontro de Jesus publicamente, porque preferiam se encontrar as escondida (Jo 3, 1-21), pois Ele primeiramente estava junto com os miseráveis e excluídos da sociedade, que para eles (a elites) os consideravam impuros e verdadeiramente lixos humanos. A sabedoria revelada por Jesus aos pequeninos e marginalizada pela sociedade foi próprio viver para se conhecer Deus de forma concreta, um Deus que se fez presente que se mostra misericordioso com os que sofrem, pois cada um de nós tanto no presente como no passado e futuro seria inacessível conhecer a Deus se não fosse pelo Cristo, Ele é o caminho a verdade e a vida, o único mediador entre a humanidade e Deus, esse Cristo que futuramente entrará em comunhão com toda humanidade e nos tornaremos um só corpo, ai sim podendo encontrá-lo e mergulharmos no insondável de Deus, em espírito e em verdade, não somente nos templos externo de pedra, mas no santuário do Senhor que se faz presente em nossos corações.

                A vida de Jesus assim como a sua crucificação, foi um desafio para cristologia como toda Igreja encara alguns questionamentos que surgiram desde dos seus primórdios, como "a essência divina que é imperecível, imortal, imutável e impassível pode ser aplicado esses atributos a pessoa Jesus, como foi já apresentado aqui e depois de ser-nos revelado como a encarnação do próprio Deus entre nós e sofrer e morrer numa cruz? Como um Deus imperecível pode existir ao mesmo tempo em um homem perecível fora da oração?  (J.Moltmann) " Tudo isso pode parecer uma grande blasfêmia pegando os próprios conceitos de Paulo apóstolo sobre a loucura e a fraqueza de Deus, mas analisando os primeiros séculos de evangelização por parte dos Apóstolos que anunciavam a partir da pequena Palestina até chegar a Roma e todo o império com suas fronteiras teve que enfrentar varias problemáticas na sua doutrina que foi amadurecendo pouco a pouco baseados nos ensinamentos e do testemunho das palavras e vida do Mestre (Jesus) somado com as suas experiências iluminada pelo Santo Espirito que os faziam compreender a essência do cristianismo.

             Anunciar um Deus crucificado não seria nada fácil para os povos pois para os judeus seria um escândalos, porque baseado nas próprias escritura do antigo testamento todo aquele suspenso no madeiro eram considerado maldito (Dt 21, 23), assim como para os gregos (pagãos) anunciar e associar divindade a uma cruz seria pura loucura, coisa de gente que havia perdido toda fé e toda religiosidade, por isso muitas vezes os cristãos eram acusados de serem ateus, sendo considerados réus do crime de irreligiosidade. Isso tudo mostra a gravidade que enfrentaram os primeiros cristãos pois são extremos inalcançáveis de uma lado uma Deus na sua excelência perfeição encarnado em nosso meio e de outro a cruz que era morte reservados aos mais insignificantes da sociedade, os escravos e aos malfeitores. Então diante disso tudo além de um  Deus encarnado "morrer", e morrer numa morte de cruz, Ele se rebaixou além da própria dignidade humana.

             O auto-despojamento de Deus na pessoa de Jesus chegou as suas últimas consequências até ao inconcebível, pois Jesus se esvaziou-se de sí para se tornar um escravo como nós. Jesus não se apegou a sua divindade, mesmo sendo rico se fez pobre para entrar na mais profunda comunhão com a humanidade na suas dores e angustias, tudo se assemelhou a humano menos no pecado. Mas diante disso tudo nos perguntamos, Deus se auto destruiu na cruz? Claro que não, Jesus não é a aniquilação de Deus, mas o contrario é plena e a mais profunda revelação  de Deus entre nós que teve seu ápice na ressurreição onde  Jesus, por intermédio de seu Pai(Deus) que por amor e obediência foi levado as últimas consequência que foi a morte mais indigna para salvar a todos de suas próprias iniquidades, foi exaltado acima de todo nome (Fl 2, 9), sendo constituído filho Deus, Messias e Senhor nosso e de todas as coisas, na qual todos nos Céus, na terra e debaixo da terra se prostraram (Fl 2, 10).

Paz e Bem!!



Imagem: Filme, A Ultima Tentação de Cristo

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