sábado, 20 de outubro de 2018

Formação do Catolicismo Brasileiro 1500 - 1800

O CATOLICISMO GUERREIRO
O MESSIANISMO GUERREIRO DOS PORTUGUESES COLONIZADORES

Paulo da Costa Paiva


            O catolicismo Guerreiro é uma tradição vinda do outro lado do atlântico, mas precisamente da península Ibérica de conquistas e reconquistas das tão famosas cruzadas contra os infiéis (árabes), com este espírito de guerreiros nesta guerra santa, vieram para outro lado dos mares para as terras dos tupiniquins, que ao chegarem por aqui nomearam como terra da Santa Cruz e posteriormente como Brasil. Essa mentalidade de prontidão de guerra contra tudo e contra todos que oposicionar-se a madre Igreja estava impregnada no clero, na nobreza e conseqüentemente na mente de todo os fieis, que enxergavam as novas terras descobertas como uma missão a serviço do Reino de Deus através da coroa portuguesa. Entre os portugueses existia uma forte influência de mentalidade messiânica nacionalista, onde se reconheciam como o povo eleito de Deus que tinha como missão estabelecer o Reino de Deus neste mundo, onde cada português tinha um dom especial a serviço de Deus através da obediência a coroa portuguesa, que reconheciam o seu Rei como governante do poder temporal e o Papa como governante do poder espiritual no século, em nome de Deus sendo seus representantes na terra. Isso foi muito divulgado principalmente no Brasil por Padre Antonio Vieira (Jesuíta), que reconhecia o reino de Portugal como exclusivamente de Deus e que essa nação seria o seu próprio seminário da fé aqui na terra a ser propagado ao mundo inteiro e cada português um apóstolo da fé, anunciando o Reino de Deus até os extremos da terra como já se dizia no evangelho. Via toda a obra de navegação e exploração de novos mares e novas terras como ação e instrumentação em favor do anuncio do Reino de Deus, sendo os navegantes portugueses esses anjos (soldados-missionários) que vinham aos gentios (nativos – índios brasileiros) que os esperavam para sua conversão e salvação em nome Cristo Jesus. Reconheciam também que a escravidão como meio de salvação para todo que se submetia (forçosamente) servindo ao seu senhor aqui na terra receberia sua recompensa eterna nos céus, a salvação dos pecados e as primícias na presença de Deus em seu reino.

A IDÉIA DE “GUERRA SANTA” NA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO

            O cristianismo nos seu primórdio era totalmente oposto a qualquer tipo de violência, viviam praticamente em anunciar e testemunhas a fé em Cristo Jesus, na ajuda aos irmãos necessitados e os pobres e perseguidos que vivam em total abandono pelas cidades e vilarejos através do serviço caritativos. As guerras eram de interesse dos Estados (Impérios e reinos) melhor dizendo dos ricos e poderosos que por séculos perseguiam, torturavam e matavam muitos cristãos. Somente quando a Igreja se torna aliada dos poderosos constituídos (romanos) e que dá uma grande virada na sua própria história de perseguida pelos gentios, se coloco de lado oposto quando se torna a religião oficial do Império Romano, passa então perseguir e matar muitos que se resistiam à fé cristã via a missão como combate de guerra para conversão dos infiéis e gentios. Isso se agravou muito com o surgimento do islamismo que tinha como preceito de sua fé a guerra santa, que era meio de santificação e salvação, e de forma muito violenta ia se expandindo de cidade a cidade do oriente ao ocidente. Essa situação preocupou muitos reinos no ocidente como também a própria Igreja Romana que sentiram profundamente ameaçados. Diante dessa situação tão complexa a Igreja tinha que se posicionar para sua própria existência na história. As milícias católicas não eram, mas baseadas na não-violência, mas sim no uso de armas, santos e santas que nada tinha haver com a profissão militar, receberam um novo significado de santos guerreiros na sua religiosidade devocionaria.
            A colonização do Brasil foi realizada numa época em que a idéia de guerra santa era plenamente aceita pela cristandade Ibérica e os índios foram a primeiras vítimas desse contexto histórico, como a aculturação imposta aos nativos na urgencialidade da conversão dos gentios em nome de Deus para salvação de suas almas. Paralelamente trazendo de Portugal toda a sua religiosidade guerreira como, por exemplo, a vinda das primeiras imagens de santos e santas medianeiras, milagreiras e conseqüentemente guerreiras, como também a construções de Igrejas e capelas em homenagem a suas vitórias e livramentos contra gentios e infiéis (protestantes). Nesse contexto de vida já daquela intensidade conflitiva dos combates contras os ímpios (árabes) na península Ibérica, nas cruzadas para conquista da terra santa, muitos colonos como os missionários respiravam uma espiritualidade ideologicamente guerreira e a própria cruz que era símbolo exclusivamente da vitória cristã sobre a morte e o pecado, se tornou instrumento de guerra e estandarte dos exércitos apara amedronta e esmagar os inimigos. Tomar a cruz e seguir Jesus passou a significar alistar-se na cruzada e partir para terra santa, a peregrinação transformou-se em guerra, a mensagem de Cristo em apelo para violência e morte aos ímpios.

EXPRESSÕES CONCRETAS DO CATOLICISMO GUERREIRO NO BRASIL PORTUGUÊS

            A Ideologia da guerra santa penetrou em diversas expressões da vida colonial no Brasil, percebem-se claramente isso com os primeiros jesuítas vindos às terras brasileiras junto à catequese diante dos nativos, os índios. Os administradores (governos) da colônia portuguesa foram inicialmente muito prestativos aos padres da companhia (jesuítas) que vinham as missões nas novas terras da coroa portuguesa, que foram em missão catequizar os índios, que primeiramente viram uma grande dificuldade junto aos nativos adultos, buscaram evangelizar as crianças indígenas que conseqüentemente os pais eram também catequizados de forma indireta, o batismo assume um novo sentido no contexto guerreiro das missões, onde se forçava explicitamente uma conversão:“ Aceitar o batismo ou ser exterminado.” Dessa forma toda a tribo de uma só vez se convertia ao cristianismo romano, onde até os índios brabos se amansava para a sua própria sobrevivência. A própria eucaristia passa por um processo de transformação no seu sentido sociológico, passando a ser um objeto de manifestação pública como procissões e exposições, se diferenciando com a vivência cristã dos primórdios do cristianismo que escondia em catacumba para viver sua fé entre irmãos perseguidos templos romanos.
            Outro momento de grande repressão que se utilizou da religiosidade para destrar a sua população foi no século 18 nas regiões de minas gerais no período da exploração principalmente do ouro para o reino de Portugal, onde foi proibida a imprensa e qualquer expressão livre de pensamento e de cultura evitando dessa forma qualquer tipo de rebelião, fomentando na religião católica uma total submissão as autoridades e que os escravos e a população pobre buscavam refugio, gozo e conforto em Jesus o nosso Senhor. Nesse período já haviam expulsados os Jesuítas que insistiam em defender os índios e também pelas riquezas adquiridas através da própria mão de obra indígenas, que incomodava não somente os colonos mais também as autoridades locais, que por tempos de conflitos conseguiram os expulsa-los e se apossar de seus bens. Dessa forma a religião sobre o cuidado do clero secular se tornou o refugio dos problemas da vida, um descanso festivo no meio de grande dureza da luta cotidiana, numa procissão onde cada um no seu devido lugar (segundo as posições sócias e raciais), respeitando as leis impostas pelos fortes e poderosos com as bençãos de Deus.

Continua...

Paz e Bem!

Nenhum comentário:

Postar um comentário